Ttulo: Seeds Of Synchronicity
Autor: Mountainphile
NC-17 em alguns captulos
Categoria: MSR, X-File
Feedback mountainphile@yahoo.com
http://www.geocities.com/mountainphile
Universo: Voltando no tempo, imagine a stima temporada at 
"Je Souhaite" e continue at os eventos de Requiem, mas sem 
este episdio, e toda a oitava temporada. Sem abduo, sem 
gravidez, nenhuma linha do tempo ou eventos contraditrios. 
S Scully e Mulder, definitivamente *mais* do que amigos, 
em sua busca pela verdade nos Arquivos X.
Resumo: Seis anos depois de "Aubrey", Scully e Mulder voltam 
para a cidade de Missouri, para confrontarem velhos demnios 
e os novos tambm.
SPOILERS: Tudo desde a primeira, at a stima temporada, 
com um foco especial em "Aubrey". Erros de continuidade, e 
conflitos de datas sobre a ltima parte da segunda temporada 
podem acontecer, e eu peo para voc ignorar isso, e ir 
comigo na histria ;)

Retrataes: Mesmo sendo frustrante, todas as coisas sobre 
XF *ainda* pertencem a Chris Carter, FOX, e 1013 Productions.
Reconhecimentos: Para as graciosas mulheres do Musea, por seu 
entusiasmo. Para Mish por betar minha histria, e me dar o 
empurro final. Para Audrey Roget pelo seu esforo em me dar 
fora sem muita gentileza, e um encorajamento sem alarde; 
para Forte pelo ocasional olho de guia (reviso). E obrigada 
por todos os leitores que queriam um pouco de ao depois 
de longos meses acompanhando minha histria.

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Nota da traduo: Esta fic est sendo traduzida sem a devida 
autorizao do autor. Contatos foram feitos, mas o e-mail 
que consta nesta fic no foi respondido. Mas, mesmo assim, 
vou traduzir a fic. A histria pertence ao autor, e todo 
crdito deve ser dado a ele por isso. Eu estou apenas 
traduzindo.
Edna Barros (ednabarros@uol.com.br)
Para outras tradues, visite: www.wfics.hpg.com.br

Translation's notes: This fic is being translated without 
the due the author's authorization. Contacts were made, but 
the email that consists in this fic it wasn't answered. But, 
even so, I will translate the fic. The history belongs to the 
author, and every credit should be given to him therefore. 
I am just translating.
Edna Barros (ednabarros@uol.com.br)
For other translations, visit: www.wfics.hpg.com.br
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SEEDS OF SYNCHRONICITY
BY Mountainphile

* * * * * * * * * * * *
Captulo 1
* * * * * * * * * * * *

Noroeste do Missouri
1 de novembro de 2000
4:58 da tarde

Outro balo explode, alto som nos ouvidos, gritos de crianas, 
e na cozinha Natalie Warner d um salto.

"Oh, *Deus*" ela geme, falando o nome de Deus enquanto 
estoura outro chiclete da boca. "Este deve ser o *quarto* 
em quinze minutos! D pra imaginar o que a professora 
deles passa todos os dias? Voc no poderia me *pagar* o 
suficiente para eu dar aulas no jardim de infncia, Gewn..."

A nova vizinha ri, baixo, e lambe um dedo vermelho com o 
sorvete pegajoso que estava nos pratos. "Fique contente 
por s ter Shawna - e que aniversrios s acontecem uma 
vez ao ano."

"Nem me fale. E ela *teve* que nascer depois do dia das 
Bruxas... ela queria que todos os amiguinhos dela viessem 
para esta festa usando as *fantasias* deles, d pra 
acreditar? Mas eu bati p firme. E olha s... eu na verdade 
disse para Greg, no dia do parto, logo depois que ela 
nasceu -" ela abaixou a voz - "que ou ele fazia vasectomia 
ou mais nada de atividades na cama. Graas a *Deus* que 
ele engoliu isso."



"Nat! Voc nunca me disse que Greg--"

"Sim, benzinho? O que voc quer?" Natalie virou de lado, 
e agachou diante de uma menina de cinco anos, cabelos 
cacheados, brilhando no vestido de festa cor de pssego. 
A criana se virou.

"Sra. Warner, voc pode amarrar meu cabelo?"

"Claro, meu bem" ela fala, dando um lao na tira de cetim, 
rodando os olhos dela para Gewn. A garotinha voltou para 
a sala, correndo, gritando, e Natalie fez uma carranca. 
"Queria saber como ela consegue fazer o cabelo ficar to 
cacheado assim, parecendo essas mechas da Shirley Temple, 
sabe?"

"Quem consegue fazer o que?"

"Alice. Essa  Kari, a neta *mais jovem* dela, e a atual 
melhor amiga de Shawna."

"No sei, pergunte a ela. Voc  quem deveria saber tudo 
sobre todo mundo. Foi isso que voc disse quando ns nos 
mudamos para a casa ao lado."

"Hah! Gwen, voc no iria *acreditar* na sujeira e fatos 
que eu tenho guardado durante os anos..."

Outra bola estourada, gritos, e os sons de ps correndo 
vieram do outro cmodo.

"Falando de Alice", Gwen disse, "Acho que deveramos ajud-la. 
Ela est l, sozinha, com uma dzia de crianas famintas, 
controlando o forte."

"Ela d conta. Ela *adora* isso. Ela foi av cinco vezes, 
pelo amor de Deus. *Eu*  que estou prestes a sair daqui. 
Droga, estou *morrendo* para fumar um cigarrinho..."

"Natalie!" um grito de mulher vem da sala. "Shawna quer 
saber quando voc vai trazer o bolo."

"Diga para ela que estamos indo!" as duas mulheres agarraram 
depressa as bandejas com sorvete, pratos de papel, garfinhos 
de plstico, copos. "E guardanapos" Natalie somou. "Pega o 
pacote todo, Gwen. Ns vamos precisar de todos."

Ela coloca as mos debaixo da tbua prateada, admirando 
bolo enorme e laranja, com chocolate, e ergue tudo com 
esforo. "Caramba, essa coisa deve pesar umas cinco libras" 
ela suspira. "No  de se admirar que o padeiro anda de 
lado..."

"Leva isso que eu levo o resto." Gwen fala, e durante um 
minuto, Nat treme a cabea, enquanto ela ergue outra bandeja. 
Algumas mulheres no nasceram para ser mes. Mas para Natalie 
isso  revoltante---

Esperando evitar o monte de corpos jovens, Gewn pega uma 
rota alternativa para a sala de estar, indo pela entrada 
ladrilhada. L ela repara a porta enorme, seus lados moldados 
com vidros caros e trabalhados, e ela suspira com inveja. 
Ao mesmo tempo, ela v uma sombra, do tamanho de uma criana, 
atrs do vidro.

"Nat? Acho que voc tem outro aqui fora" ela chama.

"Voc est *brincando* comigo, certo?" Natalie foi depressa 
pra l, olhou, e gemeu. "Oh, Deus, e  um menino. No me 
lembro de ter convidado nenhum menino. Shawna deve ter feito 
isso escondido de mim."

Ela abre a porta da frente, o ar fresco entrando, e deixando 
sair os gritos das crianas. A sombra d um passo para trs. 
Como um arbusto num pequeno vaso, ele s fica parado na porta 
da frente, jaqueta azul fechada at o queixo. Ele aperta um 
presente embrulhado em papel florido entre suas mozinhas 
vermelhas, o lao encrespado e lustroso tremendo na brisa 
de novembro.

"Vejamos... voc  o Benjie, no ? Que mora no fim da rua?"

Hesitando, o garotinho acena com a cabea, e ento mantm a 
cabea abaixado, queixo apertado contra o peito. O cabelo 
castanho se move no ar como plo de filhotinho de cachorro, 
o comportamento dele gritando uma dolorosa timidez.

"Voc est atrasado, Tigre", ela briga com ele de maneira 
carinhosa, deixando ele entrar. "Mas chegou a tempo do bolo 
e do sorvete. Onde est sua me? Ela te trouxe?"

Ele nega com a cabea.

"Ela te deixou vir pra c sozinho? Deus, ela deve ser mais 
*brava* do que eu." o menino, sem a jaqueta, deixou ser 
levado para a sala de estar. "Shawna, venha aqui, por favor."

Shawna sai do meio da multido de colegas, uma primorosa 
miniatura da me, com cachos loiros, e pele branca. Ela 
d um suspiro triste, e olha para as duas mulheres, e quando 
percebe o convidado atrasado, ela vai parando de andar, e 
arregala os olhos. "Benjie!" ela olha nervosa para a mo. 
"Voc veio..."

Ficando branco, cabea baixa, o menino estende o brilhante 
pacote para a menina. "Pra voc" ele fala num sussurro 
spero, cascudo, e toda a sala fica quieta, cada criana 
quieta e atenta. Dando uma respirao curiosa e coletiva, 
eles olham para o menino.

Ele eleva a cabea s um pouco, mas o suficiente para mostrar 
a pele rachada e vermelha do rosto e queixo. Os olhos dele 
so suaves e aguados; clios longos, escuros, como pincis 
gmeos, varrendo suas bochechas.

Ao perceber que sua filha no falou, Natalie entra em ao. 
"Bem, obrigada pelo presente, e vamos continuar a festa" 
ela fala com ansiedade exagerada. "O sorvete vai derreter 
logo. Shawna, pegue uma cadeira pra ele. Alice, por favor, 
corte o bolo... pedaos pequenos, ok?"

Reclamaes emudecidas alcanam os ouvidos deles. "No, 
no perto de mim... Shawn-na!" "Cruzes, meninos so to 
nojentos". "*Ele*  nojento..."

Alice, como planejado, conduz o tradicional canto de Feliz 
Aniversrio, mas com a participao das crianas, as notas 
finais estavam soando numa dissonncia estridente. Shawna 
apaga as velas e todo mundo grita de alegria.

"Voc sabe, voc no pode culp-las" Gwen murmura. "Um grupo 
de meninas se divertindo, juntas, e ento um menino aparece."

Girando um cacho loiro com dedos longos, Natalie d de 
ombros. Toda idade, e toda turma tem seu pobre coitado, e 
ela est grata por Shawna estar entre as mais populares e 
bonitas de todas as crianas, igualzinho a me quando 
criana. Aparncia  tudo - ela tinha aprendido h muito 
tempo - boa aparncia, charme, os contatos certos, carisma. 
Graas a Deus Greg gostava de ficar em forma tambm, mesmo 
assim ela no ficava preocupada sobre outra mulher dar em 
cima dele. *Ele*  que devia ficar mais preocupado sobre 
as necessidades dela, droga, ele tem estado muito afastado 
por causa do trabalho ultimamente...

As crianas estavam longe do menino, como se ele fosse um 
leproso. Ele fica quietinho, esperando, bem educado, at 
que Alice o v, serve ele, e as meninas, e ele mordeu o 
bolo e o sorvete, comendo lentamente, educado.

Gwen parece perplexa. "Agora, quem  ele mesmo?"

"Controle sua voz. Este  o garotinho de Janine Tillman. 
Eles moram na ltima casa da rua, quatro blocos daqui. Eu 
quase nunca o vejo, pra dizer a verdade."

"Janine, a mesma cujo marido  policial de Aubrey? Ela no 
est um pouco velha para ter filhos?"

"Voc no sabe a metade disto--ele no  dela."

"O que?!"

"Bem, ele  *dele*, mas no dela.." ela pra ao ver a 
expresso confusa de Gwen. "Acho que voc nem tem como 
saber dessa histria. Deus, eu no gostaria de estar no 
lugar dela nem em um milho de anos, eu juro! Espere at 
as crianas irem embora, e eu vou te contar a confuso 
toda. Eu pensei que quase todo mundo sabia."

"Alice sabe?"

"*Por favor*, no diga *nada* para Alice, ok? Ela  doce, 
mas antiquada. E muito sensvel para fofocas."

"Uh... claro."

A voz de Alice soou naquele momento. Animada, a av perfeita, 
com o cabelo prateado, tentava brincar com as crianas 
enquanto elas riam e comiam.

"Eu sei!" Ela fala, muito animada, e Natalie faz careta, 
em desgosto. "J que este  o sexo aniversrio de Shawna, 
e nos aniversrios voc d e recebe presentes - todos vocs 
pensam numa coisa que gostariam mais do que tudo. O seu 
desejo favorito. Algum quer falar primeiro? Shawna?"

"Uma viagem para Disneylndia" diz a menina prontamente, 
torcendo o nariz na direo da me.

"Muito bem, querida! Mais algum?"

"Eu quero uma piscina bem grande, com um trampolim bem 
alto!" esta foi da prpria neta de Alice, e ela sorri pra 
si mesma, indulgente.

As crianas apanham o esprito do jogo, cada sugesto e 
sonho mais elaborado e impossvel do que o outro. "Uma 
confeitaria!" "Um urso branco de pelcia!" risadinhas. 
"Meu prprio carto de crdito!"

"Caramba, elas aprendem rpido" Natalie sussurra pra Gwen.

"E voc, rapazinho? Qual  a coisa mais especial que voc 
gostaria de ter?"

Assustado, o garoto derruba o garfinho de plstico sobre a 
toalha da mesa, piscando, incrdulo, enquanto todo mundo 
olha pra ele. Seu rosto fica mais vermelho, mais escaldado, 
e ele olha pro prprio prato.

"Vamos, Benjie" encoraja uma das meninas mais educadas, e 
todas comeam a insistir, algumas batendo na mesa, com o 
entusiasmo infantil que tinham. "Vamos, conta pra gente o 
que voc quer! Conta! Conta!"

Ele no teve sada a no ser concordar. Enquanto todo mundo 
na sala olha, ele chupa o lbio, mastigando, tmido, antes 
de respirar fundo para falar. Erguendo a cabea, ele olha 
para o mar de rostos ansiosos e abre a boca.

"Eu quero--" Ele hesita, indeciso escurecendo seu rosto.

"Sim, meu bem? Diga-nos o que voc quer" Alice fala, sorrindo.

O olhar do menino, se encontrando com o da mulher mais velha, 
endurece numa sbita malcia. Ele revela na voz nica e rouca 
dele. "Uma irm. Uma *irmzinha*."

Confuso imerge no rosto de todos, e as crianas ficam tensas, 
nervosas, no sabendo nem compreendendo a razo do que 
aconteceu agora. Alice, sem sada, olha para as duas mulheres 
mais jovens, quando o menino pega o garfo, e comea a comer 
de novo.

"Meu *Deus*" Natalie assobia, esfregando os cabelos arrepiados 
nos braos dela. "Que garoto estranho."

"O que, Nat? O que foi?" Gwen insiste, mas sua amiga nega com 
a cabea, e silenciosa, pela primeira vez, volta rapidamente 
para a cozinha.

* * * * * * * * * * * *

GEORGETOWN/WASHINGTON DC
3 de novembro de 2000
8:16 da manh

As cores do outono se deitam no cho, na forma de folhas, 
no bairro de Scully. Parando seu passeio da manh, ela joga 
a cabea pra trs, para cheirar o ar da manh, e ouve o som 
das folhas debaixo de seus ps, enquanto vai para o carro 
dela. Comeo de novembro. O mesmo cheiro de terra, o mesmo 
tempo do ano em que ela foi devolvida, deixada letrgica, 
aps seu rapto seis anos antes.

Ela reapareceu carregando dois infames segredos. Um era 
infertilidade. O outro, ela era uma me, mas ela ficou 
ignorante desses dois fatos e contraditrias verdade. S 
trs anos depois ela soube da existncia de Emily, e a 
data de nascimento dela era a que estava escrita na certido 
que foi emitida pelo cartrio de San Diego.

2 de novembro de 1994. Um dia memorvel na vida de Dana Scully. 
Que ironia sncrona, que escrnio do destino que ela estaria 
deitada no hospital, inconsciente, e sem seus vulos, e no 
mesmo dia em que sua filha biolgica estava supostamente 
nascendo. Que manipulao celular tinha sido feita, para 
acelerar a taxa de crescimento para desenvolver uma criana 
to depressa assim? Ou os vulos, de algum maneira, em algum 
lugar, foram tirados antes dela ser levada por Duane Barry, 
em agosto?

Haviam poucas coisas que ela podia acreditar com segurana. 
At mesmo Mulder, com queda para teorias incomuns, buscava 
respostas. Depois de tantos anos enfrentando as mesma questes 
surrealistas e duvidosas...

Pare com isso, ela se ordena, firme, colocando uma mecha de 
cabelo ruivo atrs da orelha. Isso passou, graas a Deus, e 
est na hora de ir adiante--

Dirigindo pelo trnsito do comeo da manh, ela gostaria 
de saber por que haviam tantas celebraes no mundo dos 
homens nesta poca do ano. Os dias eram menores depois do 
equincio de outono, e o mundo se alegra em sua generosidade. 
Tempo de colheita. Ao de graas. Frio e neve. Feriados 
religiosos de alegria e comemorao: gratido, f, bno, 
nascimento. Esperana e promessa.

Para alguns,  poca de novos comeos, ou reassumir a rotina, 
quando as crianas fazem sua migrao anual de volta para 
escola. Para outras,  o primeiro passo para a trilha escolar. 
Ardendo com excitao de novas roupas e livros, famintas por 
novas amizades e conhecimento, elas saem da brincadeira 
despreocupada do vero, indo para a rigidez da academia.

Olhando pela janela, ela v um nibus escolar parar, e, e 
ento se afastar, todo amarelo e laranja, janelas frias com 
a condensao da manh. Ele lembrava Scully de uma grande e 
madura abbora, com cargas preciosas dentro.

Este deveria ser o primeiro ano de Emily na escola.

Ela respira, trmula, e pisca uma, duas vezes, e aperta as 
mos no volante. Ela ainda est marcando o tempo; potentes 
lembranas como a merendeira de uma criana, e cheiro de 
sanduches a trazem de volta.  intrigante como ela est 
mais afetada pelo dia do nascimento da filha, do que o 
dia da morte. Todo aniversrio deveria ser um evento para 
celebrar, uma ocasio de alegria e gratido, no havendo 
tempo para amargura ou lamentar anos em ignorncia.

Depois de outros dias, ela vai estar recuperada, de volta 
ao controle, e disso ela tem certeza - comprometida com o 
trabalho, e de volta ao controle nos prximos doze meses, 
depois desta atual crise.

Mulder  a nica outra pessoa que conhece o triste segredo 
dela.

Embora ela no divulgasse nada para ele sobre o primeiro 
aniversrio em novembro de 1998, ela sabia que ele sentiu 
que alguma coisa estava errada. Jogando pelas regras dela, 
ele no fez nenhuma pergunta, mas as aes dele falaram mais 
alto sobre confort-la e se preocupando com ela. Disfarando, 
dizendo que ele estava tentando evitar Kersh, e aquela 
porcaria de telefonemas, ele a pegou de surpresa no almoo, 
com um sorvete de casquinha, e um passeio no parque.

1999 foi o ano em que ele sobreviveu  cirurgia de crebro 
quase fatal, nas mos do Canceroso. A primeira vez dele ao 
ar livre, depois de estar no funeral de Diana Fowley, caiu 
no dia 2 de novembro. Ele pediu para Scully acompanh-lo, 
e parou para comprar um boto de rosa, que ele colocou na 
casa de boto do casaco dela. Ento, pegando a mo dele na 
enorme mo dele, eles andaram nas ruas frias de outono, as 
folhas cadas, e emoes cruas ao redor de seus ps. 

Ela estava grata pelo destino ter poupado a vida de Mulder, 
e tocada pela considerao pouco exigente dele, ela abriu 
a porta entre eles. Desabafando, ela compartilhou uma 
pequena parte do motivo desta data, nesta poca do ano, 
ainda a marcava to profundamente.

E nesta noite, neste ano, ele ficou com ela.

No foi a primeira vez. Meses antes, na primavera, eles 
finalmente se tornaram amantes, e sempre alternaram seus 
limites. Eles preferiam manter isso confidencial. Por 
enquanto, sexo  um agradvel mas ainda intermitente 
deleite - eles so muito prudentes para participarem 
desta nova tica de suas vidas.

Sem qualquer outra expectativa, ele ficou para oferecer 
conforto e companhia. Ele a apertou contra ele, no sof, 
enquanto eles viam televiso, acariciando o cabelo dela, 
fazendo comentrios bobos, massageando as costas dela, 
induzindo o sono. Enquanto as horas passavam, ela foi do 
sof para a cama, ainda inquieta, e Mulder estava resoluto, 
e props uma soluo.

Uma no ortodoxa, claro. Ela precisou de persuaso, trazida 
por beijos leves e confianas murmuradas. Contemplando a 
ele na semi-escurido, ela permitiu que Mulder finalmente 
tirasse suas dvidas, e junto com isso, o pijama dela. Ele 
desceu a cabea pelo corpo dela, e a preparou para dormir, 
doce e suavemente, com a prpria boca.

Agora, rejuvenescida na nova luz da manh, Scully estava 
de p, entalada entre os outros agentes, dentro do elevador 
do prdio Hoover, um brilho rosa nas bochechas. Casaco 
sobre o brao, e terno chique, de cor escura, distintivo 
na lapela, arma nas costas, ela pensa nas implicaes desta 
vida secreta que ela agora compartilha com seu parceiro, e 
as reclamaes espordicas sobre o relgio biolgico dela. 
Apesar da melancolia, os nervos dela formigavam enquanto ela 
anda pelo corredor, para o santurio que era o escritrio 
deles.

Mulder estava jogando pela mesa, o brao estendido, colocando 
o telefone no gancho. Ele roda a cadeira pra ela, preocupao 
e expectativa evidentes em seu rosto, enquanto fica de p.

"Desculpe, o trnsito estava horrvel." ele espera, e ela 
tenta, sem sucesso, esconder um sorriso modesto, e Scully 
comea a ficar vermelha. Com relutncia, ela o fixa com o 
olhar. "Voc saiu cedo."

"Antes do amanhecer. Voc est bem?"

"Sim... eu, um, dormi como uma pedra, na verdade" ela admite, 
e ele ri, os olhos brilhando com as notcias.

"Ento o meu pequeno antdoto para insnia funcionou."

"Como mgica. Voc tinha dvidas?"

O sorriso dele fica maior antes dele pisar mais perto, 
pegando o sol que estava entrando furtivamente pela janela 
sobre ele. Os olhos brilham, e a luz acentua a densidade 
do cabelo escuro, e isso mexe com o corpo dela mais uma vez. 
Os lbios dele fazem um trejeito caoador, os mesmos lbios 
que apenas algumas horas atrs estavam-

"No", ele murmura.

"O que  mais importante  que eu consegui dormir algumas 
horas antes do trabalho, graas ao seu... antdoto. E j 
que este  *outro* dia, a vida continua..." ela fala, 
filosoficamente, virando para colocar o casaco no gancho. 
Se ela tivesse uma xcara de caf agora, o dia seria melhor 
do que ela esperava, afinal de contas.

" melhor pensar assim mesmo" ele aconselha, prendendo o 
movimento dela. "E tambm segurar a perspectiva positiva."

Scully ergue uma sobrancelha, os lbios separados em antecipao. 
"E o que voc quer dizer com isso?"

"Acabei de receber um telefonema de um Tenente Brian Tillman, 
do departamento de polcia de Aubrey, Missouri. Voc consegue 
se lembrar dele?"

Ela comea a pensar, fazendo suas clulas do crebro voltarem 
para o meio de novembro do ano de 1994. Foi um dos muitos 
casos dos primeiros anos deles juntos, e ela podia se lembrar 
com clareza incomum sobre a sensao opressiva envolvida. 
Os corpos mutilados, de novas vtimas, e ossos marcados das 
vtimas mais antigas - todas achando suas respostas em suas 
mos capazes, e que foram cruciais definindo detalhes 
importantes dos crimes, mas no o assassino. Precisou da 
mente intuitiva de Mulder para focalizar na detetive B.J. 
Morrow, parceira de Tillman, e descobrir que ela era a 
assassina.

Tenente Brian Tillman. Ela se lembra dele como uma pessoa 
forte, condescendente, cuja lealdade era para com sua gente, 
e seu medo de encobrir a verdade ao longo da investigao. 
Com bigode fino, cheiro forte de gua-de-colnia.

Em voz alta ela diz, "1994. Ele era um detetive casado que 
engravidou a parceira. Ela, bem notavelmente, era a neta de 
um serial killer, Harry Cokely e foi levada para o 
hospital-priso de mulheres depois que matou vrias pessoas, 
inclusive Cokely. Ela cortava as vtimas, e escrevia 'SisteR' 
nos traxes delas, imitando os ataques originais de 1942."

Ela suspira e coloca o casaco no outro brao, pensando ser 
desnecessrio que ele tinha experimentado a navalha de B.J. 
sendo segurada contra a prpria garganta. "Ento, qual foi 
a razo do telefonema?"

"Ele est..." Mulder hesita, esfregando um polegar sobre o 
lbio inferior. Ela podia sentir a mente dele juntando 
pequenos pedaos de informaes que ele pensou durante o 
telefonema. "Digamos que no existe alegria em Aubrey, 
Scully, quando voc acha que est vencendo o jogo, dando 
golpes lisos como vidro, e a bola suja cai de repente. Voc 
est em perigo de errar a tacada antes mesmo de perceber."


Ela sopra os lbios, aborrecida, jogando o casaco sobre a 
mesa dele, e cruza os braos. "Sem analogias de beisebol 
antes do meu caf da manh, Mulder. Fala de uma vez."

"A bola  a criana dele..."

"O beb? Me lembro bem dele planejando solicitar ao tribunal 
para adotar a criana, mas nunca mais pensei nisso, depois 
que BJ foi vigiada 24 horas, durante o ltimo trimestre dela." 
ela estava ocupada com outras coisas naquele ano, casos e 
experincias estranhas, que, olhando pra trs, ela ainda 
no podia explicar a si mesma, com satisfao. E ela quase 
perdeu Mulder de novo...

"Ela deu  luz, ele adotou. A esposa dele aceitou, mas 
precisou ser convencida."

"No me surpreendo" ela murmura, secamente. "E B.J.?"

"Ainda est presa na priso de mulheres Shamrock. Mas ela 
no  mais considerada segurana de alto risco h vrios 
anos. Deve ter sido sorte" o sorriso dele quase no existe. 
"Shamrock - trevo... sorte."

Ela ignora a tentativa fraca para humor. "Ela tem algum
contato com Tillman ou com a criana atualmente?"

"Desconhecido, mas duvidoso. Planejo levar nossos arquivos 
e qualquer outra informao pertinente sobre o caso de 1994. 
Deve ser uma boa leitura no vo para Missouri" ele soma, 
olhando para o arquivo, e as gavetas, e ento para o relgio 
dele.

"Quando partimos?"

" sobre isso que quero falar com voc."

De frente pra ele, Scully sente a mo dele sobre o ombro 
dela, pesada com preocupao. Ela podia ler a hesitao 
em sua mente, podia sentir o corao dele quando ele falou, 
"Voc decide, Scully. Faa o que voc sentir que  melhor 
para *voc* neste momento--"

"Eu vou. J estou fazendo" ela insiste, quieta, a compreenso 
dela em perfeita sincronia. O olhar dela passa pelo dele, 
e ento foge, protegida e evasiva. Ela lambe os olhos, um 
gesto inconsciente que trai a emoo dela.

"--porque este caso pode invadir algumas reas--"

"Mulder... eu vou ficar bem."

Esta  sua declarao habitual, tingida com impacincia, 
mas ela sabe que ele reconhece o desafio. Depois de passar 
ontem  noite com ela, e ajudando-a a resistir esta poca 
do ano, com memrias emocionalmente tempestuosas, ela pode 
entender por que ele no est convencido.

"Estou falando srio. Voc vai ter que confiar em mim a 
respeito disso" ela agarra a mo dele, dando um aperto 
brincalho, e olha pra ele. "Alm disso, voc vai estar 
l tambm.."

"Eu vou estar l" ele concorda, e devolve o aperto da mo, 
compartilhando um olhar com ela antes de solt-la. "E eu 
tambm sei que sua presena, e sua perspiccia seriam 
inestimveis. Tillman respeita seu julgamento; ele pediu 
especificamente por voc."

"Eu estou surpresa, tanto quanto estou honrada. Voc podia 
me esclarecer qual  o problema em Aubrey?"

"Aconteceu outro ataque, similar ao caso de 1994. Foi ontem 
de manh, e desta vez a mulher est viva, e  capaz de dar 
informao, talvez nos dando possveis orientaes de como 
investigar isso."

Ela se lembrou de quem todas as vtimas de Cokely morreram - 
como a jovem mulher Linda Thibodeaux, que foi estuprada e 
desfigurada, ficando grvida em segredo, com um filho dele, 
e que ela deu para adoo. Esse mesmo beb cresceu como 
Raymond Morrow, e se tornou o pai de B.J.

"Que vo levar a quem, eu gostaria de saber."

Mulder abriu uma gaveta do arquivo, antes de mergulhar as 
duas mos dentro. "Se lembra da analogia de Beisebol? A 
bola foi rpida, Scully. E neste momento, o nico possvel 
suspeito parece ser o filho de Tillman, que tem cinco anos 
de idade..."

* * * * * * * * * * * *
Fim do Captulo 1
SEEDS 
* * * * * * * * * * * *
Captulo 2
* * * * * * * * * * * *

Wentworth, Nebraska,
3 de novembro de 2000
2:35 da tarde

Ela est com mais fome do que sede, e fica surpresa com isso.
Uma pessoa pode viver mais tempo sem comida do que gua, mas
ela nao pode ignorar os espasmos de seu estomago, e nem 
a paranoia que golpeava em seu corao de forma selvagem.

Mais um dia, e ela nao sai deste beco sem sada, 
enquanto o outono cai por sua janela, inexoralve. Tudo que ela
queria era dar um telefonema, uma simples conexo para colocar a
mente em repouso. Mas nao - ela est andando no quarto dela
como se fosse uma leoa enjaulada, como um animal dentro de um
cativeiro no jardim zoolgico. De um lado para o outro, de l para
c, da cmoda para a cama, da janela com barras para a porta trancasa.
Chao de linleo, sem tapete. Eles tm medo de que ela pode tentar
desfiar  o tapete e encontrar alguma coisa.

Sem confiana, sem privilegio, sem ninguem acreditar nela.

Agora ela suspeita que eles querem dop-la, e ela nao pode
permitir isso.

Ela seria mais inteligente se fingisse cooperar no comeo;
recusar os remdios foi um engano. Ela os jogou ao chao, com
medo, e furiosa, e ouviu as pilulas e a gua cairem no chao. 
Ser que eles nao viam isso? Ser que eles nao sabiam o que
estava em jogo?

Por que eles nao acreditavam nela? Anos atrs, quando eles a
trancaram, havia alguem que acreditou.

Oh, Deus--os sonhos, as vises.  O que os fez voltarem desta
vez, depois de tanto tempo? Ela sentiu a primeira onda de medo
h duas noites, quando ela comeou a recusar refeies, apavorada
de que o pessoal colocaria remedios liquidos, para deixa-la indefesa.
"Eu sei como vocs fazem as coisas" ela os advertiu. "Eu sei como 
vocs trabalham, eu sei sim. Eu fui uma policial, lembra... eu 
*sei*."

E ela foi, ela se lembra, chorando de novo. Ela foi uma tima
policial, assim como seu pai antes dela, at mesmo depois que ela 
tomou algumas decisoes erradas. Mas, no comeo foi to especial...
*ele* a fazia se sentir especial e amada. Brian. Os jantares  luz
de velas, e encontros secretos. Compartilhando uma cama e o sexo que 
ele nao podia ter regularmente em casa, ou assim ele dizia.

O caso foi muito bem guardado, e ninguem,nem mesmo Jos Darnell, seu
seu mais velhos amigo na delegacia, sabia no comeo. A relao durou
at que a esposa dele desconfiou e o afastou.

Depois disso, o comportamento dele ficou imprevisvel. Ele parecia
num minuto, protetor, e entao a afastaria com os braos, especialmente
depois quando descobriu sobre a gravidez dela - e depois que ela
pensou em abortar o beb. O que aconteceu com o amor que ela
pensou que eles tinham compartilhaod? A investigao sobre Cokely
mandou tudo pro inferno. Tudo foi embora...

E os sonhos... eles continuaram vindo, como se nunca terminassem.
Sonhos horriveis de medo e desamparo. Sonhos de mutilao, sangue 
e morte.

Graas a Deus que ela estava trancada, incapaz de agir a favor
dos desejos viciosos que rodam pela sua mente. Ento, quem, ela
pensa, enojada, ser o penhor inconsciente para este fantasma que
de alguma maneira comeou em Harry Cokely cinquenta anos atrs, e
continua nos dias atuais?

Que acabar recebendo a culpa desta vez?

Nao, nao chore. Ela nao pode chora. Ela esfrega os olhos, pasma
ao que acaba se tornando por causa de sua recusa em comer ou beber.
Ela nao podia usar a reserva de liquido que tinha no corpo para
matar a propria sede. Nao havia necessidade para usar o banheiro por
mais de doze horas, exceto arrancar o papel para secar o nariz. Ela
balana na beirada da cama, braos ao redor do estomago, quando os
espasmos atacam de novo. Deus,por que agora? Por que, depois de seis anos...?

Na porta, um barulho metalico. Ela ouve o trinco macio e o zumbido 
do microfone escondido.

"Voc quer falar comigo sobre o que est acontecendo?"

"Dr. Reinholdt?"

"Isso mesmo. Do que me falaram, voc est causando preocupao desde
os ultimos dois dias, B.J. Qual o problema?"


Uma onda de adrenalina e desespero faz ela suspirar, e sair da cama.
Suando, ela aperta a testa contra a porta grossa de metal. Est fria contra
sua pele quente, e isso a acalma para ela poder falar com coerencia.
"Eu preciso fazer uma ligao, doutor. Por favor! Preciso falar com
Brian Tillman urgente."

"Voc conhece as regras tanto quanto eu. Por ordem do juiz, 
e clausulas da sua prisao, nao deve ser feito nenhum contato
com Tenente Tillman ou sua familia a menos que seja iniciado por
ele." a voz do mdico era gentil. "Li nos relatorios que voc nao
toma seus remedios h tres dias. Gostaria de me contar o motivo?"

Ela  moe os dentes, frustrada. Mais lagrimas descem, e ela as
soca com as maos. "Nao posso me arriscar  a tomar os remedios,  por
isso. Tenho medo de que eles vo me drogar para me fazer dormir e eu--
tenho que ficar acordada. Tenho que ficar alerta."

"Os sonhos novamente?"

"Sim, sonhos... mas  mais do que isso."

"Me conte sobre o *mais*, B.J."

O tom  manipulador, mas ela nao tem escolha. Sem escolha, e sem poder para
a prisioneira-paciente. Fala logo o que ele quer saber, pois  s isso que 
ela pode fazer. Se acalmando, ela correu uma mao tremula sobre o cabelo
curto, cor de areia. "Comeou na hora do jantar, h trs dias..."

"Vejamos... foi na quarta-feira? Primeiro de novembro?"

"Sim, sim! Algo estava errado. Quase como se algo horrivel tivesse
acordado... de um sono profundo..." ela pra, respirando fundo.
O que ela est dizendo parece ridiculo, mas cada palavra
apunhala seu corao com medo novo e intenso.

"Voc sabe, voc tem ido muito bem durante os anos."

"Eu sei. Eu ainda estou indo bem, por favor, acredite em mim."

"Mas voc recusou seus remdios, e o jantar. Voc est fazendo uma
greve de fome?"

"Nao posso me arriscar a ser sedada. Preciso estar alerta, por que
algo pode acontecer... e eu-- eu acho que j aconteceu, mas nao
tenho certeza do que."

Silencio cai pesado ao redor dela, assim como as paredes grossas e as
janelas reforadas da priso. Quanto tempo ela vai aguentar neste
lugar, antes de se quebrar debaixo do peso da propria loucura?
Ela sente algo, como um peso, apertar o torax dela, tao apertado e
tao familiar nos pulmoes e no corao que ela se apavora, e 
comear a ficar sem ar.

O instinto de mae. Despertado, renergizado, depois de anos de 
dormencia.

"E, doutor...?"

"Sim, B.J.?"

Ela sussurra as palavras precrias na abertura entre a porta e 
o batente. "Eu estou- estou com medo por meu garotinho."

Silncio no outro lado da porta, ento murmrios e passos se
afastando. Os passos voltam, e ela espera, tremendo.

"Ok, B.J. Estou entrando no seu quarto. Estou com um assistente
e com a bandeja de comida, e vou esperar at que voc coma na
minha frente. Sem truques. Voc conhece as regras de Shamrock.
Temos um acordo?"

"Eu no posso--"

"Ento parece que temos um problema. Falta de cooperao  um
problema, mesmo quando vem de sonhos irresponsveis e premonies
que te foram a se desviar da rotina..."

Sonhos e premonies.  A voz do mdico enfraquece, cai para um
murmurio estupido, insignificante, enquanto ous ouvidos de B.J.
vo para outra voz familiar, antiga. Uma voz cheia de convico,
confiana e esperana.

("Voc j... um... voc j teve alguma experiencia de clarividencia?
Premonies, vises, sonhos precognitivios... coisas assim?")

"Doutor--se eu nao posso falar com Brian, voc poderia 
chamar outra pessoa para mim?"

"Vai depender."

"Preciso falar com o agente do FBI que cuidou do meu caso em 94.
O nome dele  Fox Mulder.  Ele tinha uma parceira chamada Dana Scully.
Agentes especiais Mulder e Scully de Washington, DC.  Olhe nos
meus arquivos, por favor, e diga pra eles que preciso falar com eles
o mais rapido possivel. Diga que  urgente!"

"B.J., voc pode ter perdido privilgios por sua pequena rebeldia,
espero que voc perceba isso--"

A boca fica seca, a garganta pronta para se quebrar, enquanto ela chora,
rosto nas maos, soluos enormes que podem ser ouvidos do outro lado da porta.
Oh Deus, oh Deus! Tanto em jogo e ningum para acreditar ou ajudar. Os
soluos se transformam em lamuria, quando a porta se abre e o doutor
Reinholt e seu ajudante entram no quarto escassamente mobiliado.

"Voc vai fazer isso?" um ofegar...

"Agora, relaxe. Fique tranquila."

"Doutor, diga a eles, por favor, diga a eles -" os olhos dela
rolaram de medo, vermelhos e cheios de afliao, e falta de sono.
Oh, Deus! Uma ultima tentativa antes que fosse tarde demais e ela
perdesse o folego ou sentisse a agulha espetar---

"Por favor!" a voz dela fica aguda. "Fala pro agente Mulder que eu 
acho que est acontecendo de novo-"

* * * * * * * * * * * *

Aubrey, Missouri,
3 de novembro de 2000
6:07 da tarde

No muitos homens de execuo de lei tem um relacionamento proibido
e ento descobrem que sua parceira/amante tem uma histria gentica
complicada, e uma queda para assassinato.

Mulder ouviu o medo no telefone ao falar com Brian Tillman. Ele
sentiu isso no avio enquanto olhava as pginas do arquivo de
seis anos atrs, notando que o desespero e a descrena marcaram
a primeira impresso do homem. Embora o tenente tivesse sido um
bastardo, e tentasse prejudicar o progresso da investigao,
Mulder teve que admitir que o homem assumiu tudo honestamente.

Parceira. Ele toca o volante do Corola alugado e olha para a
passageira sentada ao seu lado, passando o olhar pelo corpo 
familiar de Scully, do cabelo lustroso e vermelho para os ps dentro
de botas de couro.  Ela est olhando para os arquivos de novo. 
Cada pgina com um relatorio de campo, horrveis fotografias, uma 
aps a outra, e ela olha tudo com unhas bem feitas, para poder
se colocar em dia. Ela dormiu na maior parte do vo.

Amante.  O olhar dele demora por um momento na descida do
estmago dela debaixo do cinto de segurana, e nos montes
macios dos seios.  Escondidos debaixo do terno azul marinho, eles
tremem com a vibrao do carro. E ele se lembra das novas mudanas
que aprendeu a saborear na relao deles: pele de cetim moldada em
suas maos no escuro, o vislumbre do corpo dela sobre o dele, 
seios subindo e descendo contra o rosto dele, como frutas macias,
enquanto ela sobe e desce sobre ele. Eles deveriam estar fazendo
isso com muito mais frequencia, j que era muito aprazvel, explosivo
e muito satisfatorio fazer amor com ela.

O sol desaparece, puxando um ultimo raio roxo de luz do dia no horizonte
de Missouri. Ele pensa no que aconteceu ontem  noite no apartamento
de Scully. Os olhos dela vermelhos de insonia. O fardo que ela carrega
dentro de si como uma febre malria. Valente, mas frgil. Agarrando
o lenol, ela mostra o mundo, lhe concedendo entrada. Ele fica confuso
por ver que aquele dia solitrio que ela teve nunca deveria
ter um efeito to duradouro nela.

Ele gostaria de saber se ela entendeu o motivo dele ter feito
o que fez - e se ela vai compreender sua verdadeira inteno. Foi
alm de sexo, alm de proximidade fsica ou desejo. No importa.
As razes dele esto alm da repreenso, e ele sente uma paz ntegra
por segerir tal coisa... e faria isso de novo, sem hesitao.

"Mulder... " Ela tentou impedi-lo, palpebras pesadas,
se inclinando, fazendo ondas no pijama macio e largo que ela
usou ontem  noite. "Isso nao vai me fazer esquecer---" e ela
falou com ele com um tom fraco, como se implorando para ele 
esclarecer o motivo, antes de aceitar o consolo.

"Nao  por isso que eu quero fazer isso, Scully."

Quando ela tremeu a cabea para contestar, ele parou o movimento
com as maos, e a beijou suavemente. "Escute... voc  preciosa
pra mim" os labios pontuaram cada palavra sobre a boca dela. 
"Cada parte sua  preciosa. Este  o meu presente."

A persistncia dele ganhou. O desejo de Mulder para aliviar a dor
de Scully, e dar-lhe o alivio que ninguem mais podia transcendia
qualquer decoro que havia em seu caminho. Logo ela acenou com
a cabea aos beijos dele, e deitou, quieta, resignada, ansiosa,
enquanto ele abria os botoes do pijama com dedos lentos e
tranquilizadores, e ento puxou a cala pra baixo das pernas e ps
dela. 

Scully recebeu os toques dele como se estivesse tomando um banho
de esponja, cabea pra trs, e lbios separados. Ela o observava
como um gato na semi-escurido, at que os sentimentos dele a invadiram
e a levou com seu poder.

Ela fechou os olhos quando ele abaixou a cabea e comeou
a amamentar os seios dela. Mamilos rosas relutantes sendo puxados,
firmes, dentro de sua boca, como uma criana procurando amamentar, e 
ele alterna entre chupar e brincar com a lingua at a respirao dela
falhar. Mulder sentiu os braos dela se movendo, e as unhas na
nuca dele. Ela suspirou, pernas tremulas, quando ele desceu mais um
pouco, reverente, entre as pernas dela.

Ele ama este lugar onde as orelhas dele so apertadas contra o lado
de dentro das coxas macias. O rico cheiro e o calor, a ccega 
feita pelos plos felpudos no nariz e bochechas dele, a sensao
do sexo dela se rendendo na boca dele. O intoxicante gosto dos
fluidos e carne macia, doces camadas molhadas no rosto e labios dele.

Mulder trabalhava lentamente com a lingua, dentro dela, prestando 
homenagem para este sagrado lugar de amor e fertilizaao, de nascimento
e passagem fetal. A vagina dela, negada de sua funao reprodutora, ainda era
uma coisa para ser honrada, apreciada e respeitosamente considerada.

Ela importava, e muito, e ele queria que ela acreditasse e ganhasse
fora dessa verdade.

Quando ele foi para o clitoris dela, demorando, a boca sobre a carne dura,
chupando suaves circulos, Scully ergueu mais os joelhos, e ele sentiu o
cume da estimulao dela. Ela arqueou, e ficou rgida debaixo dele, levada
pelo proprio orgasmo, at que lgrimas escureram as palpebras dela,
e ela caiu pra trs, exausta, sobre o travesseiro. Sono veio logo em seguida,
como Mulder sabia que viria, com Scully, pequena e imvel, enrolada na cama,
contra ele.

Sim, ele far isto  no proximo ano, da mesma maneira, e com as mesmas
razes, se as circunstancias exigissem isso. Por ela, ele espera nao ser 
preciso.

Scully suspira numa respiraao, nao uma choradeira de verdade, e se
mexe no banco. O som e movimento o traz para o presente e ele olha para ela
de novo.  hora do jantar, e o saco dele di; lembranas da noite 
de abnegao e generosidade o lembram que ele est com fome de dois
tipos.

"Voc disse alguma coisa?"

"Estou curiosa" ela murmura, pigarrendo, e batendo na pasta de papis.
"Se a mulher que foi atacada ontem apanhou primeiro. Este parece ser o
modus operantis de todos os assassinatos, desde 1942. E se este for o caso,
acho improvavel de que uma criana pudesse ter a fora ou altura necessria
para executar tal ataque."

"Yeah. Cereais e espinafre nao do pra voce esse tipo de fora na
vida real."

"Espinafre?"

"Popeye, O Marinheiro," ele diz, um olhar amvel no rosto.
"Ou talvez hoje em dia sem os Powers Rangers---"

"Jesus, Mulder... espero uma perspicacia mais til aqui" carranqueando,
ela fecha o arquivo, e desliga a luz, olhando para as luzes do lugar
chamado Aubrey, Missouri, e que se aproximava. "S estou confusa do
motivo de um garotinho ser considerado suspeito. Depois que falarmos com
Tillman, quero entrevistar esta mulher o mais rpido possvel."

"Vai depender se as horas para visitas no hospital de Aubrey saiu
da idade mdia depois de seis anos."

Na sombra do interior do carro, ele ouve um barulho de roupas,
e sente o polegar de Scully na pele do proprio pescoo, localizando 
uma linha invisivel logo acima do colarinho dele. "Nenhuma
cicatriz" ela sussurra. "Acho que foi *voc* o sortudo."

Sortudo nao comea a descrever o que ele lembra daquela noite. Tudo
aconteceu em preto e branco, em cmera lenta - sendo batido por
trs, caindo contra o tapete sujo e fedorento de Harry Cokely.
Ento, uma lmina sendo imprensada contra o pescoo, deixando uma
marca de sangue na carne dele. O desamparo miservel que ele sentiu.
O horror de virar a cabea, e contemplar os olhos de pura loucura da
detetive B.J. Morrow.

O toque de Scully  passageiro, como a asa de uma borboleta,
e ela coloca a mao no colo dela, enquanto ele anda pelo trnsito para
o centro da cidade de Aubrey. Droga, ela  rpida demais - ele queria
virar a cabea de lado, e beijar o dedo quente e cheiroso dela.

Ao invs ele cobre a mao dela com a dele, dando um lento aperto, sentindo
ela apertar de volta, olhando pra ele. At mesmo depois de anos
de parceria, ele comea a compreender os sinais sutis dela. Ele sabe
sem ver que ela est vendo as pontas dos dedos dele deslizando
na dela, sobre a coxa dela. Como se ela precisasse estar
atenta do que est acontecendo ao redor dela, e com ela.

Sua Scully cautelosa, e linda... droga, ele tem uma mente suja...

Mesmo querendo respostas para esta nova investigao, ele espera
que a reuniao com Tillman seja rpida e que o hospital esteja fechado
para visitas, a nao ser para as familias, hoje  noite. Ele quer eles
dois em seus quartos de motel, lado a lado, convenientemente juntos.
Ele espera, que mesmo com a incerteza interna dela, e o longo dia de
viagem, que Scully esteja no humor... ou pelo menos aberta a um certo grau
de reciprocidade.

"Com teso, Mulder?"

Ele leva um susto, se sentindo pego no ato. Ele pra de mover os dedos,
que estavam provocando ela, sedutores. "O que te faz dizer isso?"

"O que voc est fazendo deixa pouco  imaginao."

"To transparente assim, ?"

Ela ri e olha pra fora da janela, para as luzes de nen, apertando
a mao dele de volta, e fechando mais os dedos com os dele.

* * * * * * * * * * * *

Hi-ho-Silver, Mulder medita, fazendo uma varredura visual e superficial 
do velho oeste quando percebe o ambiente.

Ele est sentado com Scully numa mesa no Conestoga Grill,
com a toalha de mesa vermelha, junto com Tenente Tillman.
H muito, em outro caso, ele lhe disse uma vez que os olhos
de uma pessoa eram como as janelas d sua alma. Se o olhar cuidadoso
e assombrado de Tillman fosse alguma indicao, ento o homem deveria
estar vivendo um inferno a cada dia.

Ele  mais alto que Mulder se lembra, rugas de preocupao moldando
seus olhos. Um homem esmerado - com um comportamento aparentemente
gentil, tentando socializar com os moradores; ele d um aceno de um
oficial da lei de cidade pequena para a garonete, quando eles entraram.

Anos atrs, ele parecia rgido e retirado no proprio temperamente curto,
esquivo, e um pouco impaciente. Hoje  noite,  vista de todos - ele
age como um prisioneiro bem comportado, caminhando sobre cascas dos 
ovos da penitencia e do medo.

A Grelha, famosa por seus hamburgueres e rootbeer, ladeia o Motel de
Conestoga onde eles tinham feito reservas.  sugesto de Tillman, eles
ficam num canto distante, fora do alcance da voz dos caminhoneiros no
balco e algumas poucas famlias na frente. As luzes esto ligadas, o
ar, morno e pesado com gordura e o alvoroo da hora do jantar.

"Vamos esclarecer uma coisa" Brian diz, quieto, "Direto ao ponto - eu quero 
minha esposa omitida desta investigao tanto quanto possvel. Vocs
entenderam isso?"

Scully abre a boca, mas fecha logo, dando oportunidade para
Mulder responder. Cansada? ele deseja saber. Ou um sentimento intuitivo
de que Tillman responderia de maneira mais positiva para outro homem?
Mesmo que nenhum deles tenha nenhum afeto por ele, Mulder sente um
pouco de piedade por um homem cuja vida familia, e posio
de ego-respeito, foram expostos para a cidade inteira ler, como um
jornal soprado pelas ruas.

Tillman nota a deferncia dela e os olhos ardentes buscam
Mulder, tentando comunicar a extenso da preocupao dele,
sem elucidao adicional.

"No podemos proceder neste caso com as mos
amarradas, e esperarmos administrar uma investigao acreditvel
ou que encontre a verdade." Mulder apara com honestidade meio torta.
"E quanto para a questo de assuntos sensveis, acho que  um pouco
tarde para isso, j que a roupa intima suja est no varal, no ?"

"A falta de uma imprensa, e os fofoqueiros desta cidade..." Tillman
fala, respirando. "Eles tiveram um piquenique e tanto h seis anos,
devido  natureza do caso e quem estava envolvido. Vocs podem ter
voltado para a capital da nossa nao com outra marca nos seus cintos,
mas para ns, que ficamos aqui, para continuarmos nossas vidas..."

Ele hesita, escolhendo suas palavras com bvio cuidado, 
e pra quando a garonete chega. Um copo com grossa cerveja 
rootbeer bateu na mesa diante deles.

"Para mim nada, obrigada" Scully fala para a moa, que lhe d
um olhar interrogativo de volta. Tillman espera at que estejam a ss antes
de continuar a falar.

"Janine, minha esposa, teve muita dificuldade com a minha... indiscrio,
pois isso comeou a ser agitado por toda cidade, e ento jogado na
cara dela. E isso foi s o comeo."

"Este  o motivo por que voc nao mora em Aubrey?" Scully perguntou.

"Sim, um dos motivos. Nao me entenda mal. Gosto da maneira como
vocs agem rpido, e a reputao de vocs como investigadores. 
Nao conheo mais ninguem mais qualificado para controlar uma
situao como esta, j que vocs esto familiarizados com o caso.
Mas-" o olhar que ele lhes d tem um qu de intenso implorar. 
"Sei o que aconteceu no passado: d para vocs carta branca, e vocs
vo estar cutucando a vida pessoal de alguem com uma vara, provocando
mais necessidade do que necessrio."

"s vezes, Tenente, uma vara  muito bem vinda quando temos a necessidade
de que as evidencias precisam ser tiradas para fora. Volta para 1994 - a
verdade pode estar enterrada bem l no fundo."

"Voc acha que nao penso nisso todos os dias da minha vida, agente
Mulder?"

Mulder olha pra sua parceira, pega seu olhar furtivo, que o adverte.
Ele pode imaginar o tumulto interno que aquele homem estava
passando para agir dessa maneira, mostrando seu lado emocional.
Scully se dirige a Tillman, o tom calmo dela armado para ganhar
sua cooperao.

"Tenente, ns estamos aqui para ajudar-- ajudar voc, sua esposa,
seu filho... e achar a verdade que est por detrs do ataque que
aconteceu ontem. Voc tem nossa palavra que toda pessoa envolvida
neste caso ser levada com todo respeito e discrio."

Acenando com a cabea, o homem respira um ar trmulo, toda grama de
orgulho e fora de vontade voltando para ele se sentar direito no banco.
Ele coloca as maos sobre a mesa, como se para ganhar equilibrio, 
agarrando o pano, e tensionando  a mandibula. Vendo a garonete se
aproximando, bloco de notas na mao, ele a adverte com um tremor da
cabea.

"Ao mesmo tempo," Mulder murmura, "Voc tem que confiar em ns o 
suficiente para deixar sair alguma informao. Precisamos que voc
nos conte o que sabe, e estou achando que isso nao vai ser fcil."

"Nao preciso de um investigador para me dizer isso."

"Ento," Mulder continua, "Sabemos em que p estamos. Pra comear...
quanta informao os jornais conseguiram obter em 84?"

"Um pouco de tudo--voc escolhe. Um monte de informao."
Tillman d uma risada pequena, amarga. "A Histria do 
criminoso Harry Cokely. Meu adultrio. Detalhes da cena do
crime. Rumores sobre 'semente ruim' quando a ligao biologica
de B.J. para Cokely foi sussurrada por toda parte na cidade-"

"Mesmo assim, apesar dos rumores, voc ficou com o pequeno beb
quando ele nasceu" Scully o lembra, com um pouco de vondade. "Isso
mostra coragem e integridade."

"Eu--sim... eu no tinha outra opo. Janine e eu nao tinhamos filho
e ramos capaz de dar um bom lar. E eu sempre quis um filho..." ele
aperta os dedos no cabelo ralo, como se para aquietar os demonios
dentro da propria cabea.

Mulder se apoia contra a mesa. "O nome dele ..."

"Benjamim. Eu o chamo de Benjie."

"Para um homem to preocupado com os sentimentos e reaes da esposa,
voc tem que aprender muito no departamento de sensibilidade." Mulder
aponta, com sombria franqueza. "Voc poderia ter chamado o menino
com qualquer nome, desde Alvin, para Leonard, e para Zeke. Mesmo
assim, ele recebe o nome que  uma lembrana diria e garantida 
da sua... *indiscrio*, se voc concorda."

Tillman olha fixo para Mulder. " o nome do meu pai. Na minha familia, todo
o nome de todo mundo comea com 'B'. E antes que ele morresse, eu prometi 
a ele que se tivesse um filho, ele seria batizado com o nome do av. Nao me
desculpo por honrar a memria do meu pai, agente Mulder."

"Justo o bastante. Mas eu gostaria de saber se sua esposa
sente a mesma sensao irrefutvel de lealdade familiar."

Com o rosto vermelho, Tillman se move para ficar de p,
pensa melhor, e senta de novo. "Eu *sabia* que voc iria direto na
jugular quando tivesse a chance."

"Relaxe, Tenente... s estou testando as guas. Eu prefiro ouvir por que
o seu filho Benjie seria considerado um suspeito neste incidente."

A nova questo dilui um pouco da indignao do homem, e ele pra
para tomar um gole rpido  e refrescante da cerveja. "Primeiro copo
 cortesia." ele fala para Scully, esfregando a espuma do bigode dele
com um lado do indicador. " uma marca registrada da Grelha."

"Entendo." a resposta breve e quieta dela faz Mulder sorrir.

"No tem nada oficial" Tillman comea a falar. "Sobre meu filho, eu
quero dizer. S a opiniao prevalecente das linguas que voam pela
cidade. Pra dizer a verdade, a primeira ligao que eu fiz ontem foi
para Shamrock... para ter certeza de que B.J. ainda estava l, presa.
Ela est, ento parece que temos um copycat em nossas mos."

"Ou um mentiroso convicente," diz Mulder.  "A vitima pode estar fingindo
o incidente todo como uma maneira de chegar at voc ou  sua familia,
de alguma maneira doente."

Tillman treme a cabea. "Nao, no  Viola. Ela tem um emprego aqui - est
dirigindo o nibus h quase vinte anos, e realmente adora as crianas.
Uma senhora exemplar. Ela estava ajoelhada ontem de manha, na frente
da garagem do onibus da escola, limpando os farois, quando algo
a bateu do lado da cabea."

Mulder d para sua parceira um minsculo cutuco.

"Ela disse que ficou desorientada, assustada, e gritou por ajuda
quando ouviu---" ele engole em seco. "Bem... ela ouviu uma voz
estranha, rouva, dizendo, 'Voc  culpada desta vez, irmzinha'. 
Ento, ela foi cortada vrias vezes."

"Onde?"

Mulder v um frio passar pelo corpo de Tillman, sabendo do seu 
envolvimento pessoal com o assassino dos ataques anteriores. "Sobre-
trax. Rosto. Antebrao. O outro motorista a ouviu gritando e chamou
911 do celular. Nenhuma arma foi encontrada na cena. Nenhuma pegada,
mesmo com o chao cheio de neve. E sem visitas hoje  noite"
ele soma, notando a sbita inquietude de Mulder.

"E qual o motivo?"

"Viola est apagada como uma luz, agente Mulder. Eu j chequei.
Este incidente a cansou. Mas a hora das visitas  s 8h30, se voc
quiser tentar."

"Ainda estou no escuro em relao do por que o nome do seu filho
foi puxado pra dentro disso---"

Um celular cantou, e Tillman se levanta para atender, 
virando um ombro para privacidade. Terminando, ele permanece
de p, indicando o fim do encontro. "Desculpe, pessoal, mas o dever
chama. Teremos que continuar esta converso em outra ocasio."

"Amanh," diz Scully, "Ns gostariamos de falar com Benjie."

Mulder assiste a relutncia quase dolorosa do homem, fechando os
olhos, esfregando a tmpora, e ento acena para o inevitvel. 
"Venham para minha casa depois que vocs terminarem no hospital.
 sbado, mas estamos mantendo ele perto mesmo assim." ele 
pausa. "Ele  meio que uma criana tmida, no  de muita conversa.
No o sujeite com muitas perguntas e respostas."

Protelando, ele bate na mesa com dedos nervosos, ento fecha as 
maos em punhos. Mulder nota quando os olhos de Tillman vagam antes
de procurarem Scully, como se necessidade e proposito.

"Voc sabe... desde que possa me lembrar, as crianas na escola
conseguem ser crueis, agente Scully. Mas eu achava que alguns 
dos adultos em Aubrey nunca poderiam agir assim, agente Scully....
e, bem, isso nos desestabiliza." ele termina, colocando o casaco nos
ombros antes de acenar com a cabea para ambos os agentes, dando um
cego adeus.

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SEEDS 03
BY mountainphile

* * * * * * * * * * * *
Captulo 3
* * * * * * * * * * * *

Escola primria Regional de Aubrey
3 de novembro de 2000
8:25 da noite

Ele promete leva-la para jantar, mas ao invs, ela s consegue desculpas
e uma cena de crime numa escola. Irritada, Scully diz isso pra ele.

"Muitos nibus" ele fala, afundando facilmente, e colocando a luz da
lanterna debaixo dos nibus. "Crianas brincam no ptio."

"Isso parece conversa fiada, Mulder."

Ela o ouve rir com a garganta, e olha para as frentes de grelhas
dos nibus que esto estacionados com preciso militar no fim do
terreno da escola. "Projetando seus proprios pensamentos, Scully?"

"No precisa ser psiquico pra isso" ela murmura,
e sua respirao pendura no ar como algodo, e ela levanta 
uma mo, vendo o progresso de Mulder pela fila de nibus. Nada 
 eterno. No esto mais ali as fitas amarelas da policia; a cena do crime
foi limpada, pulverizada, e esfregada, deixada como um ptio comum.

Sem lua hoje  noite. Ela olha ao redor enquanto espera, vendo outros
marcos no escuro, e v o balano distante no ptio. Jardim da 
escola, playground, tanto faz. No  com frequencia que ela se sente
uma intrusa, fora de lugar, mas esta noite ela nao se sente 
privilegiada, pois no  a me que prov uma criana para brincar
e passar o dia na escola.

Ar gelado morde os tornozelos dela e ela mexe os ps, inquieta, 
tentanto escapar do frio. "Sabia que est mais frio agora do que antes?"

"Uh-huh".

"Quando estivemos aqui da ltima vez, Aubrey estava morna. O chao ainda
nao tinha congelado; B.J. conseguiu cavar os ossos de Chaney com as maos dela.
Lembra?"

"Me lembro bem da desculpa esfarrapada que ela usou como libi,
sobre ir para o campo onde ela viu um cachorro. E Tillman apoiando o 
que ela dizia, e nos vigiando como um falco. Era uma evasiva, Scully.
Igual a esta noite."

Ela se lembra do sarcasmo que Mulder respondeu quando eles aceitaram o 
caso em 1994. ("Eu gostaria de saber como esta policial dirigiu o carro
dela, de repente, para um campo do tamanho de Rhode Island, e sem nenhum
motivo comeou a cavar, encontrando os ossos de um homem, que estava
sumido por cinqueta anos. Eu quero dizer, h menos que tivesse uma
sinal de nen dizendo, 'cave aqui' ---")

"Voc acha que ele armou o telefonema?"

"Acho que, com sorte, ele deslizou nessa aqui. Acho que ele
est com medo, e nao sabe em quem confiar."

"Mesmo assim, ele ligou para nosso escritorio esta manh--"

"Porque ele tem que se apoiar em algum canto. Ele precisa de ajuda, e 
ns somos a escolha lgica. Isso no quer dizer que ele vai facilitar
as coisas para ns."

"Ento, s a data mudou" ela murmura para o vazio ao seu redor. Est
tarde, mas no to tarde assim; muito pouco tempo se passou desde ontem
 noite. Ela sente a perda apertando seu corao de novo, e de novo 
afasta essa sensaao.  Fechando os olhos contra os onibus laranjas
enfileirados na frente dela, ela se vira, e vai para o estacionamento da
escola.

E d de cara com a rea do jardim de infancia, vagamente iluminada, janelas
mostrando formas de papeis variadas, como abbors, fantasmas, e bruxas.
Restos do Dia das Bruxas. A arte das crianas.

No, ela no podia permitir que sua mente vagasse at l. 
No agora, nao depois do que ela teve no escritorio mais cedo,
quando Mulder questionou sobre o envolvimento direto dela
neste caso. Ela entendeu sua preocupao, mas se ressente com a 
concluso.

Mesmo assim, olhando para os traos dos cortes de papel, ela gostaria
de saber como a pequena abbora de Emily poderia ter ficado. Dentes
grandes, com olhos de tringulo, talvez... levada para casa para
ser cortada e colada na janela da sala de estar para os pedestres
verem, ou ser colada na geladeira...

"Ei, Scully--"

Olhando ao redor, ela v ele vindo do escuro, e esconde todos os
seus pensamentos num piscar de olhos.

"---aposto que voc no sabia que o carto de visita de Al Capone
dizia que ele era um negociante de mveis usados."

Depois de longos anos interpretando a mente sem igual dele, 
ela comea um padro dedutivo para encontrar uma resposta. Baixando
a cabea de lado, para salvar seus pensamentos, ela peneira depressa
pela pouca informao que eles tinham conseguido de Brian Tillman mais
cedo.

Mulder mastiga algo ao lado dela, soprando nuves de ar. Ela puxa o 
casaco mais apertado, e ergue o queixo pra ele. "Deixe-me adivinhar -
e s por isso - voc acha que Viola - sei l qual  o sobrenome - poderia
ser algo muito mais sinistro do que uma doce e solteira motorista
de um nibus escolar de Aubrey, Missouri?"

Ele sorri.  "Mas temos que verificar."

"Podemos ver isso amanha, quando formos falar com ela.
Mas ninguem se sujeitaria de boa vontade a um ataque como 
este, doloroso e brutal - mesmo auto-infligido. Acho que
 mais provavel que sua suposio esteja equivocada."

"Talvez sim. Talvez no ".

"Melhor focalizarmos na familia de Tillman. Conexes. Alguem
prximo a eles - e prximo a Viola - com uma raiva pessoal."

O sobretudo pesado dele escova no ombro dela, e ele parece um
esquilo, na quietude da noite, rachando sementes de girassol
com os molares. Quando ele vira de lado para cuspir uma casca,
ela sente a presena inconfundvel e inexorvel do radar de Mulder.
"Parece uma idia razovel, eu acho. Ento... como =voc= est
se sentindo hoje  noite?"

"Meus ps esto frios," ela responde com nfase, "e eu estou com
fome."

"Semente?"

"No, obrigada--" Ela morde as palavras, e d uma respirao 
impaciente.

"Ento, o que estamos fazendo aqui fora, hein? Digo para sairmos logo
desta garagem de onibus abandonada por Deus, Scully, e vamos jantar num
lugar quente."

Ela tem um sbito retrospecto para um telhado em Dallas - calor, suor,
exasperao. Sem reconhecer a tentativa sedutora dele, ela segue pelo
escuro para o Corola.

* * * * * * * * * * * *

Pouco tempo depois eles esto no quarto dele, caixas abertas
com galinha, rolos de ovos, e carne de porco, arroz frito decorando
a mesa de centro iluminado com pequenos abajures. Mulder tira um
gro pegajoso do arquivo em sua coxa, com cuidado para preservar as
pginas amareladas enquanto ele l e 'inala' o prato chins dele.

"Leve-me de volta aos anos 40 um dia... e eu acho que estaria no meu
meio ambiente trabalhando ao lado de Sam Chaney" ele rumina. 
"Pode ser Ledbetter tambm, mas Chaney... ele  =O= Homem, Scully.
Lendrio no FBI como o que fazia o perfil do criminoso, desde sua infancia,
e teorizava sobre as motivaes e origens de serial killers--"

"Ele registrou tudo. O parceiro dele nao fazia isso."

"Bem, yeah..."

"Talvez alguma daquela teoria lendria tenha vindo de Ledbetter."

Ele pra, e comea a mastigar de novo. "Pode ser."

"Eu tambm li os arquivos" ela lembra.

O rosto dela est abaixado, na sombra, s a ponta do queixo visvel entre
o cabelo ruivo. Mulder olha enquanto ela fica brincando com a comida,
finalmente derrubando o prato de papelo e os pauzinhos na bolsa
que eles separaram para colocar o lixo.

"To ruim assim, ?"

"No..." ela se assusta  pergunta dele. "Nao, no est.  que eu 
estou cheia."

"Nao estou falando da comida."

Sucinta, ela limpa os dedos no guardanapo. "Sim."

Ele volta para o presente, nem um pouco ansioso para se antagonizar
com ela. Embora ele j tinha engolido toda sua comida, ele raspa a
sobra, sabendo que nao tem geladeira para eles usarem. Sentindo-se uma
cabra, ele raspa cada um dos recipientes, e limpa tudo, e ento calcula
quanta comida estava amontoada no prato de Scully antes dela jogar
tudo fora.

"O Drago Imperial merece outra visita esta semana," ele proclama, 
inclinado contra a cadeira e abafando um arroto com as costas da mo.

Ela acena com a cabea, desinteressada, e esfrega um brao.

"Ainda com frio?"

"Eu estou bem, Mulder ".

Respostas rpidas, monossilbicas,  tudo que ela oferece desde
que eles foram para o centro da cidade de Aubrey  procura
de jantar e um calor bem vindo. Ele aproveitou a oportunidade para
examinar uma cena de crime que ele sabia que j estava limpa, fria
e totalmente embrulhada. Logo numa noite em que ele deveria ter
satisfeito a fome de sua parceira, e sua atpica fragilidade
emocional.

Ele agarra a xcara de ch quente,de jasmim, e toma um grande
gole.

"Cafena," ela observa secamente, "vai te manter acordado."

"Estou contando com isso."

Ela se levanta, comeando a limpar tudo. Com uma puno ele
percebe que a potente insinuao caiu entre eles, nao sendo
reconhecida, ou mesmo ignorada. 

Ele est esperanoso de que a porta que foi aberta ontem vai encoraja-la
a falar sobre si. Mas Scully ainda  Scully, e sua vida privada, assim como
seus pensamentos e segredos estavam cercados por uma parede alta e grossa,
assim como o monumento de Washington.  Ontem  noite, naquela data
de aniversrio em particular, ela estava macia, machucada e acessvel;
ela o quis e esperava dele conforto e companhia, para poder resistir a esta
tempestade anual.

Hoje  noite, o padro dela est alterado. Com a data passando,
ela est contundida, oscilando entre orgulho e auto-respeito para
se proteger, at mesmo dele. Eles esto trabalhando num caso, ento
Mulder sabe que ela vai estar rgida como pedra onde nao h espao
para fraqueza, e focalizada em entrar nos detalhes da investigaao.
Ela  sua parceira: segura, profissional, leal e inteligente --- e
ver tanta negao  sua frente faz a cabea de Mulder nadar.

"Aqui," ela diz, apontando para a bolsa cheia de restos, e pegando
os sapatos dela. "Voc pode colocar l fora. Se voc nao se
importa, eu vou pra cama."

"Simplesmente assim" era uma observao, nao uma pergunta, e ele
tem que socar o aborrecimento de lado.

As palavras a pegam quando ela chega na porta de ligao entre os
quartos. Se virando ligeiramente, mais uma mera sugesto de volta, ela
olha pra ele. A boca dela est tensa. Tenso crepita no ar, assim como
o biscoito da fortuna que ele comeu alguns minutos mais cedo. "Por acaso 
isso  algum problema, Mulder?"

"No precisa ser."

"No estou no humor para brincar de enigmas ou jogos de adivinhao,
ento fale claramente. E de maneira audvel, por favor" ela soma, 
abrindo a porta e indo para a janela. Seus sapatos batem no
chao com um som claro; ele podia sentir a impacincia dela
comeando a sumir dentro do ninho dela, o porto mais seguro
para ela neste momento.

" que  simples assim, Scully... voc me fechou do lado de fora, logo
depois de ter me deixado entrar."

O abajur fica desligado, s fragmentos da luz externa de nen
entrando pelas cortinas pesadas do motel. Com a cabea erguida,
ela cruza os braos; Mulder v um brilho mido debaixo do olho
dela, e v como o peito dela se expande com o esforo dela para
respirar. "Olhe... isso pode nao trabalhar da maneira que pensamos.
Se este  o caso hoje  noite, ento eu sinto muito."

"Aceito."

Ele no vai fingir que nao queria algo mais carnal por parte dela.
Que o toque dela no rosto dele e o apertar de maos dentro do escuro
do carro nao tinham mexido na sua libido exigente, e as palavras
que ela disse sobre nao fazer promessas sobre os prazeres na hora de
dormir.

Mesmo assim, ele nao pretende ser um bastardo egosta; ele pode
cuidar de si, de suas proprias necessidades, com uma mo experiente e 
Mulder suspeita que ela nao vai tolerar conversa fiada hoje.
Sexo  s uma pequena parte do que ele espera dela agora;  tipico de 
Scully guiar o foco para longe do problema real, que ferve debaixo
da superficie. A dor interna de sua perda, sua aflio por Emily, sua---"

"Eu vi um nibus escolar hoje," ela diz suavemente.

Tirado de seus pensamentos de repente, ele  pego desprevenido,
surpreso. A melancolia debaixo da voz dela o puxa para ela como um
im puxa ferro. "Voc viu muitos deles hoje" ele contraps.

"No. Estou falando desta manh, indo para o trabalho."
ela pigarreia contra as lagrimas, piscando para o estacionamento 
muito iluminado. "Na rua abaixo do meu prdio. Isso me fez lembrar. 
S isso."

Depois de tal admisso, ele est certo de que pode se intrometer mais
adiante. Vindo atrs dela, as duas palmas sobre os ombros dela,
to pequenos em comparao com as maos grandes dele, Mulder se maravilha
cada vez que a toca assim. Uma estrutura ssea mais frgil, mesmo
assim com a curvatura muscular exclusiva da forma feminina. Assim como
cetim e pelcia sobre ao. A forma de Scully.

A carcia dos polegares fortes dele sobre a coluna vertebral 
dela, e sobre a jaqueta, fazem ela se lembrar dos mesmos toques
calmantes que ela absorveu ontem  noite como unguento. Ela
comea a relaxar sob o toque de Mulder, e ele toma a liberdade
para pentear o cabelo pra fora da orelha dela com uma mao,
alisando os dedos sobre a pele sedosa do pescoo dela.

"Eu posso entender," ele murmura, fechando os olhos e escovando 
o nariz contra o cabelo dela, cheirando sua fragrancia.

"Mulder... ela teria comeado o jardim de infncia neste outono ".

Ele recebe esta revelao angustiada com cuidado e calma,
aceitando isso como um presente precioso e frgil. 
Ela continua com os braos cruzados na altura da cintura, mas
ele est satisfeito que ela est confiando nele, buscando seu apoio.
"Voc tem certeza?"

"Claro que sim.  Com o aniversrio em novembro, ela teria passado
da data para inscrio no passado."

"Voc saberia". Contra o trax dele, Mulder sente ela respirando fundo, 
de repente, engolindo em seco. Droga - ele disse algo imbecil e
agora ela est lutando para se controlar. "O que foi?"

" essa a ironia" ela sussurra, forte. "Por tanto anos eu nao sabia,
nao sabia nada disso, mesmo sobre mim. s vezes chegamos to
perto sem saber. E ento ---" ela tremeu a cabea e esfregou os
braos de novo, como se tivesse frio. "Deixa pra l... sinto muito por
ter trazido este assunto."

Mulder podia ler os sinais de demissao. Ela o estava mandando embora.
Se lembrando das rgidas regras de compromisso, ele sabe que ela terminou
com o momento de fraqueza, e precisa se recuperar e ir adiante, e ser
deixada sozinha para lamber as proprias feridas.

Demorando um momento no silncio tenso, Mulder tem a sensaao
de que deve falar alguma coisa antes de sair para o proprio quarto.

"Me escute bem" ele abaixa a cabea, a boca varrendo a orelha de marfim
que ele exps momentos antes. "Eu quero compartilhar este seu fardo...
e no apenas uma vez por ano. Pense nisso. Por favor." Sem esperar uma
resposta, ele d um beijo na tmpora dela e vai para a porta.

Hoje  noite ele no gostaria de mais nada alm de segura-la bem
apertado, e massagear todo msculo tenso, mesmo se fosse s para
t-la perto dele na cama. Ele se irrita com as decises duras que
ela toma, tentando esconder sua propria vulnerabilidade. S nas
sombras  que ela contempla a prpria dor. Ele sente dor, sabendo que
solido  o companheiro e amante que ela acaba escolhendo.

"Vamos falar com o menino do Tillman amanh" ele lembra, trocando de
assunto. "Depois do hospital. Voc  a profissional em lidar com
as crianas. Voc as deixa  vontade o suficiente para elas confiarem
em ns. Essa  a sua parte no show."

Lgrima fresca desce pela bochecha dela, e Scully se vira da janela,
indo pra cama, afastando os sapatos com as pernas ainda com meias.

"Tente dormir um pouco, ok?"

Ela acena com a cabea. 

"Ei, Scully.... aposto que voc no sabia que uma pessoa comum demora
apenas sete minutos at conseguir dormir."

Ele consegue um sorriso fraco por isso. "Obrigada" ela diz, e ele ouve
gratido e amor na voz sufocada dela, diminuindo a distncia entre eles.

* * * * * * * * *

Residncia de Tillman
3 de novembro
10:45 da noite

A casa est calada, mas nem calma, e nem serena. Brian Tillman
coloca o sobretudo no armario da entrada, e ento sobre as escadas
com ps cansados, parando no segundo andar.

 sua esquerda est a sute. A porta est entreaberta, completamente
escura por dentro, o alertando que sua esposa ainda est acordada
em outro lugar na casa. Esperando por ele? Ele duvida disso: anos
atrs, isso at poderia ser provvel, mas no agora, e no pela vontade
dela. Ele conhece os hbitos da esposa.

Ele tem seu proprio ritual e se esfora para manter isso em segredo.
Ele est macerado em culpa progunda, que ameaava cicatrizar sua consciencia,
e esmagar seu espirito.  direita, est o quarto de seu filho, 
e ele entra, para fazer sua silenciosa visita noturna.

Tillman faz isso desde que o seu filho era um beb.
Assim que eles escutou duas mulheres falando de seus medos sobres 
os acidentes e possveis mortes em sono dos recm-nascidos, e a
motivao dele era egosta, bem diferente das razes altrusticas
que as jovens maes exibiam.

A dura verdade  que Benjie  algo to perto de B.J. quanto ele 
pudesse ter de volta.

Ele entra em silencio, como ladro.  no quarto do menino, tanto no 
cheiro como na aparencia, que ele se lembra da propria infancia.
Um dinossauro que brilha no escuro brilha conra um monte de
roupa suja amontoada sobre um par de tenis gastos, e um punhado de Legos.
Mais uma vez ele fica pensando sobre a carencia de decorao nas paredes e
como tinha poucos brinquedos ou livros dentro do quarto. Mas o filho
dele, ele se lembra disso muito bem,  uma criana que gosta de ficar
fora do quarto.

Ele chega na cama. Debaixo da coberta escura, as caracteristicas do menino
exibem uma beleza parecida com a da me antes dela ficar louca e ir presa.
Tillman podia ver reflexos dela no rosto em forma de corao, na testa larga, no
arco delicado da sobrancelha, e as longas palpebras do filho deles...

"Papai?"

O que mais ele queria evitar aconteceu: o menino acorda, e abre os 
olhos.

"Yeah... sou eu, garoto" ele sussurra, se abaixando na cama. "Voc no 
est dormindo ainda?"

A criana nega com a cabea, manta apertada contra o queixo. Ele luta
para focalizar em seu pai, olhos enormes e limpidos--- como os dele.
Os olhos entregam tudo, Tillman percebe, o peito batendo com fora.
Eles torcem o corao dele cada vez que v os olhos de seu filho 
dessa maneira.

"Voc est se sentindo bem?"

"Sim".

"Benjie, voc se lembra do que falamos hoje mais cedo?"

Os olhos esperam.

"Bem, um homem e uma senhora muito gentis estaro aqui amanh de manh
para te fazer algumas perguntas."

O menino treme a cabea.

"Est tudo bem, campeo. Papai vai ficar em casa, e vai ficar
com voc o tempo todo."

Benjie d de ombros e pisca, olhos aguados, debaixo do escrutinio de seu pai.
Ele est com medo, Tillman percebe,mas nao vai falar isso, no vai contar
do que ele tem medo, ou o por que. S timidez e insegurana,
foi o que a professora do jardim de infancia dele disse. Todas as 
crianas entram nesta fase, e deixam isso pra trs  medida em que crescem.
Se fosse to simples assim...

Fox Mulder e sua maldita vara intrometida---

Ele no quer lidar com a reunio de amanh e do que poderia ser
descoberto. Ele encolhe ao se lembrar das possiveis implicaes de que
seu filho est conectado de alguma forma para o ataque de Viola.

No, de jeito nenhum ele vai entrar e aceitar estas teorias malucas
sobre anormalidades genticas ou tendncias criminosas de uma gerao 
a outra, como a cor de cabelo ou talentos criativos, de me para
filho. Ele nunca vai acreditar neste lance de 'semente' ruim...

Mesmo que Benjie parecesse com a me, ele  um Tillman tambm,
droga.

Depois de acalmar seu filho, e pedir para ele dormir, Tillman sai do quarto
e fecha a porta. Ele acha sua esposa escada abaixo, num pequeno quarto
perto da cozinha. Esta era a varanda antes que eles fechassem tudo com
paredes e colocasse janelas tradicionais, quando Benjie veio morar
na casa com eles.  Este  o quarto de coser de Janine, exceto que ela
no est cosendo, e as luzes esto desligadas. Atrs deles, a cozinha brilha
debilmente.

"Eu falei com o FBI hoje  noite" ele fala, incapaz de ver sua expresso
no escuro. "Os mesmos dois agentes de antes. Mulder e Scully. Eles
vo---"

"Eles ainda so parceiros? Depois de tantos anos?" ela d um
sorriso amargo, e gira o copo dela antes de tomar mais um gole.
"Voc nao vai me dizer que eles nao esto tendo um caso. Vem
com o trabalho."

"Pare com isso, Janine. Voc nem mesmo os conheceu."

Ele sabe que o lcool  o culpado pelas observaes vingativas
dela. Ele sabe que amanh, sbria, ela vai estar cooperativa
com ele e com as autoridades. Gentil e corts, ela vai convida-los
para a casa dela, voltando ao seu papel de 'esposa de policial',
o papel de boa anfitri e boa me. Deus... ele espera que sim.

"'C acha que sou =estpida?= Isso  inevitvel, Brian.
Passando a marca de trs anos - e eles todos vo estar l na delegacia,
trepando como---" o riso dela se transforma numa tosse spera que ecoa
pelas sombras e ela toma outro gole para aliviar a tosse.

"J chega" ele agarra o copo dela e ela puxa de volta. A rapidez dela
o pega de surpresa. "Quando vai ser?"

"E por acaso voc liga?"

"EU =LIGO= DROGA..."

Ignorando as palavras dele, ela o empurra, e vai para a cozinha.
Ela pra para colocar o copo vazio na pia, raspando o vidro contra o
ao imaculado, e isso faz a pele dele se arrepiar.

"Eles viro amanh para falar com ele" ele insiste.

"Com Benjamim?" o olhar dela  de incredulidade divertida.
"Como se =aquilo= v falar qualquer coisa que preste. Eles poderiam
entrevistar uma parede ou um microondas. E conseguiriam  a mesma informao
que obtero dele."

Ele est desamparado a dor que sente, sufocando e furioso com
a defesa infrutifera do filho dele. Teve uma poca onde o casamento deles
era lindo, com o amor fresco e sem jeito entre eles, e eles falavam de
dentro do corao. Antes que ela se afastasse, endurecendo diante dele,
e a disposio e espirito dela perderam sua flor. Antes de se quebrar
em decepes e deles usarem uma pomada pobremente escolhida, mas as
rachas estavam l, impossveis de serem tratadas.

"Sabe de uma coisa... voc poderia fazer as coisas bem mais
fceis se---"

"Brian, v para o inferno" ela cospe, saindo da luz. Ele conta os passos dela
nos degraus at que a ouve chegando ao quarto dele. Uma pausa, e ento
a porta se fecha com um distante som.

Sozinho no escuro, Tillman apoia o lado do corpo contra o balco da cozinha.
Ele cobre o rosto, lamentando, enquanto lgrimas de um homem cheio de remorso
e medo ameaavam afoga-lo.

Fim de Seeds 03


SEEDS 04

* * * * * * * * * * * *
Captulo 4
* * * * * * * * * * * *

Residncia dos Warner
4 de novembro de 2000
7:50 da manh

"Gwen? Voc est sozinha?"

Uma manh de sbado preguiosa e Natalie Warner est em sua cozinha,
cabelo loiro despenteado. Seus lbios acariciam o receptor enquanto
ela fala, telefone entre a orelha e ombro, e sente o gosto de plstico.
Cereal saem do pacote, e cobrem o balcao de granito. Ela tenta pegar
uma caneca e uma garrafa de caf enquanto o cigarro meio terminado
cai entre eles, na pia.

Multi-tarefa  uma 'droga', ela xinga.

"Yeah, Greg finalmente chegou ontem  noite, bem tarde. 
O que voce disse?" ela ri silenciosamente. "Bem, para *voc*,
talvez. Aqui, o show dura cinco minutos." ela olha para pia, exasperada.
"No, ele saiu para levar Shawna para a aula de jazz dela, e ento ele vai
para o escritorio--" ela pega o cigarro mido, faz careta e joga no lixo.
"Inferno, no.  Ele vai leva-la de carro na segunda. Voc acha que eu
vou deixa-la ir naquele nibus com aquela 'coisa' dentro? Voc tem que
estar brincando!"

Abrindo a caixa de bolo, ela pensa e d um forte trago no cigarro.
A manh  toda dela; ela se enrola no banco almofadado, se alimentando 
de caf e tabaco, feliz em sua solido. Embora parece amargo,
frio e obscuro, a mente dela esquenta uma nova idia brilhante. Excitante.

"Bem, no vou te prender --- s te liguei para dizer que eu vi o *mesmo*
cara ontem  noite. Voc sabe... o cara que te falei? Do FBI?" ela abraa os
joelhos mais apertado. "Yeah, o *mesmo* cara de seis anos atrs, d pra
acreditar? Deus, Gwen, ele parece gosto o bastante pra se comer com uma
colher!"

Ela inclina a cabea pra trs, e fecha os olhos. Tinha que ser o mesmo cara que
estavam ontem  noite na Grelha, com o cabelo escuro, e boa aparencia,
aqueles olhos sensuais e aquela boca maravilhosa. Com o casaco dele colocado
na cadeira, ela podia ver as costas e ombros largos, enquanto os labios dele
se moviam enquanto ele falava com o Tenente Tillman. Na ultima vez que ele
apareceu em Aubrey, ela tinha acabado de ter um beb, e estava plida, choramingando,
vomitando, e com um beb nos braos. Mas agora... agora as coisas eram muito
diferentes, e ela nunca, *nunca* se esquecia de um teso como aqueles...

"Eu nunca me esqueceria de uma cara como aqueles, Gwen.
Espere at eu mostrar pra voc. Ele est mais bonito do que antes" ela
sente o corpo ficar quente devido  sua fantasia, e ela esfrega as coxas.
Droga, ela est molhada s de pensar no homem, e *aquilo* era raro nestes
dias.

"O que? Bem, eu poderia oferecer um pouco mais de informao. Foi a festa
de Shawna, droga. Acho que ele deve estar em Conestoga... yeah.. isso seria
bom, no  mesmo? Ou eu poderia convida-lo aqui enquanto Greg est trabalhando,
e oferecer muitos petiscos suculentos."

Ela ri dentro da caneca, e ento lambe as gotas de caf na beirada, com
a lingua. "Voc acha que eu devo *mostrar* e no *dizer*?"

Pausando para escutar mais adiante, a face dela afunda para uma
carranca desfigurada. Ela toma um trago do cigarro, e assobia a fumaa
cinza, com raiva.

"Yeah, ela estava l, tambm.  Como um maldito carrapato... a piranha.
Eu tenho quase certeza---uh-uh, acho que esto so apenas colegas
de trabalho. No tem anel em nenhum deles, pelo que pude ver. Mas eu
planejo ficar de olho nele, Gwen. Voc pode apostar nisso.  melhor
ninguem ficar no meu caminho."

* * * * * * * * * * * *

Memorial Hospital
4 de novembro de 2000
8:31 da manh

Mulder entra logo atrs de sua parceira, enquanto eles andam pelos
corredores totalmente brancos, para a ala dos pacientes. No  o risco
de contgio ou o cheiro anti-sptico que ele odeia mais do que tudo.
Ele fica  inseguro de como agir ao lado da cama de um paciente,
com a posio delicada da pessoa que  forada a ficar numa
situao onde est doente e prejudicada. No  seu forte.

A rotina de interrogao em hospital da dupla, algo no dito e bem
natural, depois de anos de tarefas compartilhadas, requer de 
Scully a preparao da interrogao. Ele acha mais fcil quando ela
assume esta situao devido a seus conhecimentos mdicos. Eles j estiveram
muitas vezes nesta situao, durante todos estes sete anos, ambos 
experimentando os lados das grades da cama, mas sendo ela mdica, facilita
as coisas para eles.

Ela tem um dom, especialmente com crianas. Ela  feminina, mais deleitvel
aos olhos, e intimida muito menos do que ele. Da perspectiva do paciente,
ela  a me de toda criana, a filha ou irm de toda mulher. A filha, irm
ou esposa, e muitas vezes, a amante de todo homem. Mas basta que ela projete
sua voz de autoridade para que o paciente perceba que a visita deles
 profissional, mantendo uma atmosfera tranquila.

Mas a credencial do FBI, ele tem que admitir, no  algo a ser
desprezado tambm.

As percias dele, em contraponto para o o jeito de Scully ao lado da
cama do paciente, cai dentro das catacumbas da mente. Como um profiler-investigador,
ele tambm tem um dom para as pessoas, mas no com o mesmo refinamento
ou presena confortante. Era mais para o comportamento psicologico,
genetico, paranormal e sobrenatural. Fale 'estranho' e ele est na frente
da fila. Coloque uma etiqueta de 'inexplicvel' e ele sabe as perguntas
a serem feitas, mesmo que elas desafiassem todas as convenes. 

Ele pode traar psicoses, sentir espiritos, formular as comparaes mais
estranhas, deslocar e juntar todos os pedaos sem nexo das evidencias.
E s agora, depois de anos de paciencia duvidosa, Scully finalmente
concedeu o postulado que a crena dele merece.

Bem... talvez uma frao daquilo ainda o fazia se sentir meio
duvidoso.

"Viola Rains?"

O sorriso raro e largo de Scully o precede no quarto, at a cama
da mulher. Enquanto sua parceira toma conta desta parte, ele
pode focalizar nos outros detalhes que competiam  sua ateno ---
as pesadas badagens sobre o rosto e trax da vtima, o IV no suporte,
a fila de buques de flores enfileirando a parede, as enfermeiras e visitas
que passam pela porta dela. 

Ele muda o olhar: nenhum anel nos dedos dela, outra grossa bandagem
no antebrao direito, uma pilha de cartes caseiros no colo dela,
com arco-iris coloridom feito com giz de cera, por uma criana.

"Sra. Rains, eu sou a Agente Scully e este  o Agente Mulder.
Ns somos do FBI e gostariamos de lhe fazer algumas perguntas."

"Oh, ele disse que vocs viriam" a pronuncia era dificil. Mulder v que
a bandagem cobre a bochecha esquerda dela, impede que a boca se
mexa muito. "Tenente Tillman falou. Por favor, sentem-se, e podem
me chamar de Viola."

Se todos os pacientes fossem to amveis e cooperativos quanto ela,
ele nao teria nenhuma averso de entrevistas ao lado da cama. Mas o
mais intrigante era que ele sentia um qu de honestidade e bondade
irradiando desta mulher, mas tambm um toque de medo.

Eles poderiam estar na sala de estar da casa dela, ele pensa, enquanto
puxava cadeiras para ele e para Scully. Com a pele afetada pelo tempo, e os
ps expostos, ele podia dizer que ela tinha mais de sessenta anos. Cabelo
curto, ondulado, mais cinza do que castanho. Ela faz um esforo minsculo
para se sentar, mas se rende, e sorri, cansada, pra eles.

"Primeira vez que estou numa cama de hospital" ela explica. "Posso dizer
que  muito triste. Acho que ninguem percebeu que estas malditas coisas
so to confortveis quanto mveis de varanda."

"Eu posso te ajudar com isso..." Scully ficou de p e ajudou a mexer
nos controles, com familiar facilidade. A cabeceira da cama subiu, at
que Viola acenou e gemeu, aliviada.

"Nossa, voc tem jeito pra isso, no  mesmo?" ela pisca para Mulder,
que se permite dar um pequeno sorriso, relutante a ser iscado por esta
estranha, nao importava quanto inocente parecia ser a brincadeira.

"Estou contente em ver que voc est de bom humor" ele comea.
"Porque as perguntas que vamos fazer no so as mais agradveis."

"Oh, eu sei, eu sei.  Voc quer saber sobre... o que aconteceu na outra 
manh."

"E se possvel, saber se voc reconheceu quem fez isso pra voc."

A mulher hesita em falar at que eles a asseguram de que tudo
ser confidencial, e fecham a porta. A historia dela, contada com
palavras bem escolhidas, e olhos cheios de medo,  o resumo conciso
do que Brian Tillman falou ontem  noite, mas Mulder nao sente nenhuma
conspirao. Ela estava de joelhos, levou um golpe na cabea, foi cortada
quando tentou se defender do atacante, e ouviu uma voz rouca, que gelou
seu sangue.

"No," ela confessa, "No tenho idia de quem poderia ter feito isso,
mas me recuso a acreditar que o filhinho de Tillman tenha sido 
responsvel."

Os dois agentes trocaram olhares.  "Gostaria de saber quem est espalhando
este boato" Mulder insiste. "Se voc tiver alguma idia de quem seja."

"Conheo possveis fontes, mas duvido que fosse util a vocs.
Temos bocas grandes, e opinioes severas aqui em Aubrey, e o mais triste
disso  que as crianas aprendem a imitar seus pais. Deixe-me contar
uma coisa pra vocs..."

Viola acena para que eles cheguem mais perto, esperando at que as cadeiras
deles quase tocam na beirada de sua cama. Ela olha pra porta antes de falar
com eles, sussurrado.

"Dirijo aquele onibus h muito tempo, e j viu mais do que uma gerao
de crianas crescendo. Elas absorvem tudo, como esponjas. Quando os
assassinatos comearam em 94, voc pode apostar que as crianas falavam
sobre isso. Repetiam o que ouviam dos pais ou o que viam na televiso, ou
liam nos jornais."

Ela pausa, os olhos aguados e saudosos, enquanto pensa no que vai dizer.
"Deus... eles sabiam todos os detalhes sobre a pobre Detetive Morrow e o
detetive. Sobre os assassinatos e a historia de Cokely. Eu me lembro
que eles at encenaram o que poderia ter acontecido, bem ali, dentro do
nibus. Trocando idias, e fazendo gesto, enquanto o resto das crianas
participava. Foi ento que eu comecei a fincar o p.

"Como?" Mulder, hipnotizado pelo conto da mulher, ainda no descobre
nenhuma falsidade ou malicia.

"Fiquei m e durona, foi assim. Se elas no aprendiam respeito em casa, era
melhor aprenderem em algum lugar. Fiz elas ficarem sentadinhas em seus 
bancos, e falarem baixo. Nada de nomes. Nada de fofoca. Se alguem tentasse, 
eu falaria com o diretor. Nao ligava se elas fossem a mais pobre das crianas,
ou a mais --- com Velha Viola, elas iam respeitar as pessoas."

"Como?" Scully ergue a sobrancelha, pedindo explicao. Mulder sorri,
malicioso.

"Foi esse o apelido que me deram depois que fiquei durona. 
Todas as crianas na minha rota aprendem isso, desde a mais velha
at a mais nova. E voltando s crianas..." Viola abaixa a voz, e 
fala, sussurrando. "Quebra meu corao ver como a m educao
aparece logo cedo. Tenho um grupo em meu nibus - menininhas bem
pequenas, mas com uma maldade bem grande. Elas ficam humilhando aquele
pobre menino sem parar um minuto."

"Benjie Tillman, voc quer dizer?"

"Sim, senhora. Ele me faz do pequeno Forrest Gump, assim como as outras
crianas nao deixam que ele sente ao lado delas. Eles comeam a gozar
dele, e num dia desses, eu parei o nibus, no acostamento perto de
Hopkins, e dei um sermo que deixou todo mundo com a orelha vermelha.
Algumas at choraram."

"E o que elas fizeram?"

"Oh, uma daquelas meninas, a cabea do grupo, ia fazer uma festa
de aniversario, e elas ficaram ostentando isso na frente do menino,
de uma maneira horrivel. Elas disseram coisas horriveis para ele,
bem na frente de todo mundo. Eu disse que iria reclamar deste comportamento,
mas nao tive a chance, porque, bem---" ela acaricia o curativo da face,
e suspira.

"Viola, eu quero revisar uma coisa que voc mencionou h alguns momentos"
Mulder diz. "O que voc quis dizer quando disse que o menino te faz lembrar
de Forrest Gump?" Ele ... bem, ele  mentalmente deficiente?"

"Oh, no, no..." ela estreita os olhos, e olha fixamente pra ele.
"Voc ainda nao o conheceu, pelo que vejo."

"Ainda nao. Em breve vamos para a casa de Tillman."

"Ento no vou dizer uma palavra para que voc possa ter suas
proprias concluses e instintos sobre ele."

"Voc acha que isso  importante?"

"Acho" ela insiste.

Ele e Scully trocam breves olhares.  "Voc tem alguma conexo com
Benjie Tillman, alm da rota de nibus?"

"O q--?"

"Tive a impresso de que voc est querendo cuidar dele. E  bvio
que voc tem medo de algo... ou de algum."

Ela treme a cabea, as lgrimas voltando, e fecha os olhos por um 
momento. "Por favor... se isso tivesse acontecido com voc, voc
no teria medo tambm?"

Desta vez Scully inclina a cabea pra frente, para capturar a ateno
da mulher. "Eu gostaria de saber por que alguem suspeitaria que Benjie
fosse capaz de fazer um estrago como esse?"

Viola d um grunhido minsculo, doloroso.  "Bem... talvez seja a historia
da familia. Voc vai notar algumas coisas sobre ele hoje, tenho certeza.
E..." ela hesita antes de somar. "porque o menino  um roamer."

"Um roamer?"

"Um pssaro madrugador, e que vaga por toda cidade, e age como uma
sombra. Nao  seguro para uma criana to jovem ficar andando por a
sem superviso dos pais.  inquietante."

"Sua preocupao  compreensvel ".

"Tem... mais uma coisa."

Viola acena para eles chegarem mais perto. Sulcos de trepidaao
aparecem debaixo da bandagem, e ela parece ter mais medo do que
antes, enquanto lambe os labios tremulos, e ento morde duro.
Scully coloca uma mao confortante sobre a mulher. "Pode falar. Se
voc sabe de alguma coisa que poderia ajudar esta investigao, por favor,
fale para ns."

"Me disseram-- me disseram que ele falou uma coisa na festa
de aniversrio. Assustou alguns dos adultos tolos. Esses que 
sabem sobre o passado dele."

"Ele foi convidado pra festa?" a voz de Mulder, baixa e surpresa,
fez ela olhar pra ele.

"Parece que sim, mas nao tenho certeza. Mas ele estava l com aquelas
menininhas."

"O que ele disse?"

"Bem... foi perguntado para as crianas qual era a coisa que eles
mais queriam no mundo. E ele disse - olhando pra todo mundo com um
olhar muito estranho - que ele queria uma irmzinha. Uma pequena *irm*"
ela repete, acentuando o significado da palavra, e engolindo as lagrimas.

"Esse tipo de coisa pode deixar a familia meio nervosa" Mulder
revela, sentindo os cabelos da nuca se arrepiando.

"Como Forrest Gump diz, isso  *tudo* que tenho a dizer sobre isso,
senhor. Vocs dois parecem boas pessoas, pessoas atenciosas. 
S mantenham seus olhos e orelhas bem abertos naquela casa - 
tudo que peo--"

"Vio-la?"

Uma mulher de cabelos escuros, por volta dos 30 anos, usando avental rosa,
mostrando ser voluntria no hospital, abre a porta e espera, olhando para
Mulder e Scully, mas a mao dela est cheia de envelopes.

"Desculpe interromper a visita, mas me pediram para entregar isso
para voc. Mais cartes de escola. Parece ser da primeira e segunda
srie, pela letra."

"Obrigada, Gwen" Viola murmura, batendo de leve no colo. "Coloque tudo junto
que eu vou l-los depois que eu descansar um pouco. Estes so agentes do
FBI, e que pediram para falar comigo. E esta  Gwen, que pelo que ouvi foi
uma maravilhosa ajudante para uma festa de aniversrio que aconteceu
esta semana, e que traz meu correio pra mim, e me ajuda a tomar banho
quando preciso."

"S na sexta e aos sbados" a mulher chamada Gwen fala, 
vermelha, quando Mulder fica de p, e oferece a mo. "Exceto a parte
sobre a festa" Scully acenou com a cabea, pretendendo seguir Mulder,
mas uma enfermeira forte aparece no quarto, sem aviso.

"Terei que pedir que todos voltem mais tarde" ela anuncia,
dando para os ocupantes do quarto um clarao territorial. Ela pisa
ao lado da cama para pegar o pulso de Viola. "Hora de conferir seus
sinais vitais, querida, e ento voce vai descansar. Parecia que
voce estava bem hoje, mas agora seu pulso esta um pouco elevado."

"Ela est certa" Mulder fala para Viola, olhando na direo da
cama, e levando as cadeiras de volta para o lugar delas. Viola d um sorriso
cansado debaixo do curativo, e devolve o gesto dele. Com um puxao na
cortina azul pela enfermeira, ela fica escondida para todos.

No corredor ele consegue prender Gwen antes dela correr, e
v fazer mais tarefas. "Ns podemos falar com voc um minuto?
Sou o agente especial Mulder, e esta  a agente Scully."

Ela esfrega as maos no avental, e fica vermelha, e depois enterra
as maos nos bolsos. "Eu--eu acho que posso falar um minuto. No sei nada
sobre o acidente de Viola. Duvido que poss ajudar em alguma coisa."

Mulder olha para o crach do hospital, pendurado na gola do avental rosa.
Gwen DiAngelo, Memorial Hospital, Voluntria.  Ela est bem aflita, doida
para comear a andar. Rindo por dentro, ele pensa nela como uma menina
que precisa ir imediatamente ao banheiro.

"Sou um pouco curioso sobre o que acontece hoje em dia
nas festas de crianas. Elas ainda brincam de rabo-no-burro?
Cantam 'Feliz aniversrio'? Assopram as velas?"

"Sim para tudo. Na verdade, esta foi a primeira festa de jardim
de infancia que ajudei. Viola s estava sendo gentil."

"De quem era a festa?"

"Shawna Warner. Ela fez seis anos na ltima quarta."

"Uma festa grande?"

"Parecia grande pra mim; doze meninas... e um menino."

Mulder saboreia a informao.  "Uau.  difcil ter algo assim" ele
sorri primeiro para Scully, e ento para Gwen. "Ento, quem foi o
menino de sorte?"

"Um... Benjie Tillman". Ela cora debaixo da inspeo dele,
olhando para o corredor, apreensiva. "Escute, vocs deviam
falar com a me de Shawa - Natalie Warner - se quiserem mais respostas
sobre isso. Eu-- eu preciso voltar ao trabalho."

"Sem problema. Foi bom falar com voc, Gwen."

A mulher sai para fazer suas tarefas, e eles ficam de p, juntos,
ponderando sobre as informaes sortidas que eles tiveram na ltima
meia hora. Olhando para Scully, ele  golpeado pela expresso pensativa
dela. Duas marcas familiares esto sobre a sobrancelha direita dela,
as que aparece quando ela tem uma forte suspeita, ou dvida. "Qual o
problema?"

"Viola est protegendo algum, Mulder, ou cuidando dos interesses dessa
pessoa. Mas quem?"

"Para mim, parece que nosso menino, Benjie, apareceu na festa, de repente,
virando o nmero doze para um azarado treze."

Ela lhe d um olhar agudo. A perspectiva dela  diferente da de
Tillman, eu notei. Esse  o teor dela. Preciso conferir uma coisa..."

Ele a segue para o balco das enfermeiras, onde ela mostra o
distintivo e pede a folha de visitas de Viola. Depois de olhar para
a lista, ela se aproxima de Mulder, e baixa a voz. "Mulder, ela
tem uma lista restrita para visitas. No  qualquer um que pode
entrar aqui, e ve-la. E olhe s pra isso---"

Olhando pelo ombro dela, ele olha a pgina onde ela coloca uma unha.
Debaixo do nome do Tenente Tillman, est 'Linda Thibodeaux'.
A data mostrava que ela apareceu no hospital nos dias anteriores.

"Filho da mae." Mulder murmura. "Aparentemente,  s a data que
mudou."

"Voc me ouviu dizer isso?"

Ele acena com a cabea, ainda olhando pra ela. "Sra. Thibodeaux ainda
 av biolgica de B.J. Morrow, assim como---"

" a bisav de Benjie Tillman." ela conclui.

"Exatamente. Acho que devemos fazer uma visita na casa dela."

* * * * * * * * * * * *

Residncia de Tillman
4 de novembro de 2000
10:45 da manh

Depois de anos de administrar prsperas entrevistas com crianas,
Scully assume que a reunio com Benjie Tillman no vai ser nada
mais do que apenas rotina.

Ela lamenta o fato de que este caso esteja to perto dela. Deixando-a
aflita. Mesmo assim, ela no pode demonstrar fraqueza, sabendo que um
garotinho a espera, e a Mulder, dentro da casa de Tillman.

Sendo o adulto, ela tem uma aura autoritria que resgata o respeito de
uma criana. Com sua propria necessidade biologia para criao, vem
o sentimento natural de conduzir esta criana para segurana, mesmo
atravs da entrevista, e intimidao. Ela representa bondade e 
maternidade, e ganha a confiana dos pequenos, como Mulder atesta
to vigorosamente.

Mas Emily foi o ponto decisivo.

Antes dela, crianas pareciam verses menores dos adultos,
s vezes chatas, sem contedo, e te desnorteavam. Mas com a
descoberta da criana chamada Emily Simm --- e depois de segurar
o corpo macio e pequeno de sua filha que ela nunca soube que existiu,
acalmando seus medos, protegendo, compartilhando pedaos de conversas
e livros para coloris, secando suas lgrimas, sentindo sua dor e
necessidade, a amando - Scully aprendeu a olhar para as crianas sob
uma nova perspectiva.

Ela se sente descansada esta manh, depois de uma noite monotoma,
sono profundo. A sensiblidade de Mulder foi uma fonte maravilhosa; 
a avaliao dela  ilimitada e inexprimvel. Entrando no quarto dele,
enquanto ele ajeitava a gravata, ela deslizou os braos ao redor
da cintura dele, na altura do diafragma, e se apertou contra o 
corpo musculoso, dizendo, sem palavras, suas desculpas, e seu obrigado.

"Ei, vaqueira..." ele falou, rouco, parando para cobrir
as mos dela com as dele, onde ela apertava a camisa contra seu
estmago. "Continue assim e ns vamos pendurar a placa de 'nao perturbe'
agora mesmo."

"Depois," ela prometeu.  "Hoje  noite".

Ela olhou para cima, e para o lado, para pegar o rapido beijo, antes
de pegar o casaco e pasta de couro para a reuniao deles com Viola
Rains. Ele a seguiu para fora do carro, assobiando numa melodia
fora do tom.

Eles descobrem que a familia do Tenente Tillman mora em Esterlino,
um bairro residencial nos limites de Aubrey.  uma casa de dois andares,
branca, com venezianas verdes, escuras, e com uma varanda muito bonita
na frente, e ali tem uma abbora recortada, na frente da porta.
Mulder sorri, e cutuca a abbora com a ponta do p.

O Tenente atende  batida deles. Ele parece vigilante, e seu rosto 
est cansado, como se ele tivesse dormido pouco. Ele tenta ser gentil -
e at mesmo suava, e ela acha que  por causa do filho.

"J que minha esposa nao pode vir para esta reuniao, vamos fazer isso
rpido". ele intrui. "Onde?"

"Um lugar onde Benjie vai ficar  vontade. O quarto dele?"

"Fora de questo."

"Ento pode ser aqui" Scully fala, tirando o casaco, e  olhando para a modesta
sala de estar, e para a mobilia. "J que no tem mesa de centro, eu
vou sentar no sof, e podemos comear."

Tillman acena com a cabea, e olha pra entrada atrs dele.
"Venha aqui, Benjie."

Um garotinho aparece da cozinha, tendo a altura mdia de uma
criana do jardim da infncia, com um bon, e cabelo castanho, bem
grosso. Ele gruda muito perto da coxa do pai, e ele faz Scully se 
lembrar de um cachorro medroso e obediente. Suas mos ficam nos bolsos 
da camisa de moletom cinza, e ele avana lentamente pra frente, 
ao encorajamento de Tillman.

Dando um rapido olhar para Mulder, ela observa o menino se aproximando.
Ela j viu esta atitude vrias vezes em orfanatos e abrigos de
crianas - o olhar medroso, o andar vacilante de uma criana
muito timida, que  obrigada a enfrentar estranhos. Mas esta criana
no devia agir assim, no em sua propria casa, no com seu pai
to perto dele. Tillman o leva para o sof, e com as maos nos dois ombros
do menino, ele faz o menino ficar na frente dos joelhos de Scully.

"Oi, Benjie," ela diz suavemente.

"Filho, diga oi para a Agente Scully," Tillman oferece, mas no 
adianta nada.

"Tudo vai ficar bem, querido. Olhe pra mim, ok?"

O menino eleva a cabea devagar.

Ela fica atordoada, e seu primeiro pensamento  de que ele tenha se queimado
em algum tipo de acidente. A pele est vermelha e escamosa, crua, irritada.
O que deveria ser uma pele jovem e lisa, como de beb, est spera e cheia de
escamas. Olhando para ele com choque finamente disfarado, ela
se lembra da aparencia de Harry Cokely  e de B.J. Morrow - o rosto empolado
na noite horrorosa quando ela foi presa h seis anos. Isto era hereditrio?
Um rebelio gentica, indo como fogo selvagem, atravs de geraes, e que
pega agora uma criana inocente com sua crueldade?

Engolindo em seco, para manter sua piedade  distncia, Scully
controla as emoes que sente. Ela olha para os olhos do menino, olhos enormes,
e emoldurados por longos clios, que treme de medo, midos. Os olhos
de B.J. Morrow. Meu Deus... por que isto est acontecendo? E do que ele
tem tanto medo?

"Benjie, voc pode me chamar de Dana. Estou aqui pra te ajudar, assim como
o agente Mulder." tentando assegurar o menino, ela olha para Mulder, que
estava com o queixo na mo, o rosto uma mscara solene. Ele responde
ao que ela disse com um sorriso e um aceno pra criana.

"Eu posso ver sua mo, querido? Por favor?"

Ele morde o lbio e tira uma mo vermelha do bolso da camisa de moletom.
Assim como seu rosto, a pele est crua, rachada, escamosa, palmas, pulsos e
dedos.

A sensibilidade de Scully a faz querer chorar, sabendo como esse perptuo 
incmodo deve estar fazendo o menino sofrer, a pele inflamada, isso para
no mencionar o tipo de reao das outras pessoas. O ostracismo e caoar
dentro do nibus, ningum querendo sentar perto deles. Uma vida
de dor, solido e sendo ridicularizado ainda to jovem. Indesculpvel.

Quando ela tenta pegar na mo dele, o menino puxa a mo de volta.

"Isso di?" Meu Deus, ela pensa. Isso deve coar loucamente, mas---

Queixo no peito, ele treme a cabea, clios molhados.

"Tenente Tillman?" ela olha para o tenente, que est atrs do menino,
e tenta manter a raiva fora da voz, modulada, para no amedrontar
a criana desnecessariamente. "Voc j levou Benjie ao mdico?
No sou dermatologista, mas sou mdica, e do que vejo aqui, parece
que seu filho tem um caso agudo de dermatite crnica, comumente
conhecida como eczema peditrico.   facilmente tratvel com remdios."

"..." Ele tropea sobre as proprias palavras. "Normalmente no est
to ruim. Talvez  a tensao dos ultimos dias... eu no sei."

Scully fita e espera."

"Sim, ele est indo ao pediatra" Tillman rosna, corando. 
"Muitas vezes. Janine  quem controla esta parte de consultas mdicas
da nossa familia. Voc tem que acreditar em mim quando digo que isso s
piorou dessa maneira no ltimo dia ou algo assim. No  isso, amigo?"

"A escamao diz uma coisa diferente" Scully fala, uniforme, no 
aceitando a palavra de Tillman. "Vamos falar sobre isso depois, pois,
neste momento, ns temos que..." ela volta a olhar para o menino, e
ento sua expresso fica mais suave. "Eu tenho algumas perguntas
que quero fazer a voc, Benjie. Est tudo bem?"

Ele treme a cabea e d um passo pra trs.

Tillman parece mortificado, mas fica em silncio. Nada do que Scully
fala, ou faz, parece ter a aceitao da criana. Na verdade, ele no 
quer nem chegar perto dela, e ela sente a decepo vir sobre ela,
afiada, e o fracasso entrar no prprio corao.

Este  o forte *dela*, o lugar onde ela brilha. Foi assim com
Emily, e com todas as crianas que ela ajudou e entrevistou
durante anos. Elas sentiam a sua compaixo, sentia o amor de me,
suave, dentro dela, e elas respondiam.

Mas isso no acontece com o garotinho. Alguma coisa impede Benjie
Tillman de entrar no crculo de confiana e carinho dela. Ela sabe
o que precisa acontecer agora, apesar do soco para a confiana
dela, e sua cada vez mais forte vulnerabilidade emocional.
Mas, a entrevista deve continuar, ento, ela, sendo a profissional
que , dirige-se para o melhor recurso  sua disposio.

"Mulder, preciso que voc venha aqui, por favor."

Ele est ao seu lado no tempo em que ela leva para ficar de p.
"Voc tem certeza?"

Ela sussurra de volta: "Nao temos outra opo. Ento, sim, 
v em frente."

Eles trocam olhares rpidos e ela pega o flash de pesar
e compaixo nos olhos dele.  um pequeno conforto, mas ela agradece
a empatia de Mulder.

Mulder senta-se diante do menino, joelhos separados, e Scully vai para 
trs, para assistir da linha secundria, este peculiar e enigmtico 
quadro ao vivo.

* * * * * * * * * * * *
Fim do Captulo 4
Seeds of Synchronicity
por mountainphile

* * * * * * * * * * * *
Captulo 5
* * * * * * * * * * * *

Residncia de Tillman
4 de novembro de 2000
10:53 da manh

Meninos crescem com segredos, e Benjie Tillman, pelo menos 
 o que Mulder acredita, no  nenhuma exceo  esta 
doutrina bsica da infncia.

Todos tm lugares privados, escondidos, ou coisas proibidas 
que ningum mais sabe. O local de fortes, esconderijos, 
saber onde encontrar as gatas mais legais, e ouro dos 
tolos, e ninhos de pssaros. As melhores rvores para subir, 
e as frutinhas pra comer. Qual bueiro permite uma explorao 
mais distante, e ainda assim parecer seguro. As inmeras 
janelas que permanecem iluminados para todos, para um garoto 
 somente fantasias no escuro.

Segredos amadurecem com a idade e intensificam em seu grau, 
e o carter da criana, sua socializao e herana gentica 
so moldados pelo ambiente em que a criana vive. Ao ponto 
em que Mulder se pergunta, "Uma semente verdadeiramente 
ruim pode se manifestar se crescer num ambiente perfeito?"

Apesar da provvel inocncia dele, este pequeno menino 
mal-humorado mostra muitas bandeiras vermelhas para Mulder 
poder ignorar.

Cabelo cacheado e mal cortado. Ele pensou em como era injusto 
que os meninos tinham pssimos cortes, enquanto que as 
meninas tinham cabelos, fitas, laos. Ele pensa em sua 
parceira, catlica, sendo criada num lar de um oficial 
naval, e intercalada entre dois irmos, e no fica surpresa 
que ela se tornou uma jogadora to valiosa.

Agora mesmo ele v que ela est posicionada na parede, 
onde ela pode observar os procedimentos, e dar uma mo caso 
fosse necessrio. Dedicada e flexvel - essa  sua Scully. 
Separada por cruel rejeio imprevista, a expresso dela 
 rgida e ilegvel para os outros; s os olhos, muito 
azuis, traem qualquer sentimento de dano com a qual ela 
est sendo comida por dentro.

E isso, ele vai resolver depois.

Ele focaliza de novo em Benjie Tillman, o assunto da 
entrevista deles. Que tipo de vida diria cresce dentro 
desta criana, considerando a linhagem dele, sua aparncia, 
e seus hbitos furtivos? Guardio de pequenos segredos, ou 
um psicopata adormecido? Criana aflita, ou autodefensiva?

A criana fica parada, cabea baixa, desavisado da face 
frustrada e vermelha de seu pai. Mulder vai at Tillman 
e pede uma cadeira, e rpido. Pelo menos o homem no ser 
obstculo por alguns momentos.

Para ajudar seu pai, o menino foge com ele para a cozinha, 
e os dois voltam com a cadeira.


"Tenente" Scully incita com lisa, mas pontuda insinuao 
antes que Tillman retornasse  sua posio atrs do menino. 
"Acho que seria melhor voc ficar aqui comigo."

Mulder sente uma gratido inchar pelo olho alerta dela, e 
da sabedoria que a presena de Tillman possa intimidar a 
criana, fazendo-a se calar, e frustrar a entrevista. 
Inseguro se ela est pedindo ou mandando, o tenente bate 
de leve no brao do filho, e ento, relutante, fica perto 
de Scully, na parede.

Enquanto isso, Mulder tenta uma nova aproximao para 
quebrar o gelo. Com movimentos lentos e hipnotizadores, 
como um encantador de cobras, ele tira a jaqueta, desabotoa 
os punhos, rola cada uma pra cima do brao e ele sabe que 
est pegando a ateno do menino, e ento, ele continua 
ajeitando a roupa, sem pressa, com lentos movimentos, 
soltando a gravata, correndo um dedo debaixo da pulseira 
do relgio, e ento se apoia adiante sobre as coxas, mos 
soltas entre os joelhos.

"Agora est muito melhor" ele ri, suave. "Mas eu vou fazer 
um favor para todo mundo, e no tirar os sapatos. Acha que 
 uma boa idia?"

A piada no chega ao menino, mas Tillman faz um pequeno 
grunhido.

"Agora somos s ns dois, Benjie." Mulder comea. "Eu 
queria falar um pouco com voc."

Nenhuma resposta.

"Voc pode me chamar pelo meu primeiro nome, se voc quiser. 
 Fox." ele faz uma careta. "Fox  um nome bem estranho 
para um cara crescido, huh?"

O menino pisca e d de ombros. Um lado da boca dele faz 
um lnguido movimento.

"O que eu vou fazer so apenas algumas perguntas, ok? 
Voc responde elas to sinceramente quanto puder. Eu s 
quero que voc saiba que, se as perguntas forem mito 
difceis, ou te incomodarem, voc pode responder apenas 
movendo a cabea com sim ou no. O que voc acha?"

O menino pausa e ento acena com a cabea.

"Vamos comear com as mais fceis. Que tal... qual  o 
seu nome?"

Ser que ele estava surdo? Assustado, ele olha na face 
inclinada e v os lbios do menino se moverem numa voz 
baixa, rouca, uma que  pouco comum nas crianas, e 
sussurra o nome, "Benjie Tillman."

"O-kay", Mulder encorajava com leve entusiasmo. "E em que 
ano voc est na escola?"

Outra pausa e ele ouve a voz rouca falar, "Jardim de infncia."

"Conta pra mim o que voc mais gosta no jardim de infncia, 
Benjie."

O menino descongela, a cabea ficando um pouco mais erguida. 
Batendo o tnis no cho, enquanto pensa, as mos ainda 
enfiadas nos bolsos da camisa de moletom, ele responde. 
"Eu desenho." a dico dele  afiada, apesar da rouquido 
incomum. "Sra. Vanderbeck tem legos. s vezes eu monto 
algumas coisas."

"Isso  timo. Voc tem algum desenho aqui na sua casa 
para que eu possa ver?"

Benjie nega com a cabea, e fica tenso.

"Pxa, isso  uma pena" Mulder medita. "Talvez voc pudesse 
desenhar alguma coisa pra mim... que tal?"

Outro tremor, ento Mulder vai adiante, fazendo outras 
perguntas para desarmar o menino, e ganhar sua confiana. 
Ele olha para Scully de repente, e pega o resplendor de 
emoo nos olhos dela, e que ela tenta esconder colocando 
a cabea de lado, usando o cabelo. Tillman, de p, ao lado 
dela, parece tranqilo, apesar das circunstncias.

Que pena que estou a ponto de mandar tudo pro inferno, 
Mulder pensa.

Ele tem a sensao de estar junto com este pequeno menino, 
apenas os dois ali. A sala e os outros ocupantes no so 
mais importantes. Olhando para o rosto vermelho e rachado, 
ele sente uma profundidade desconcertante de medo, poder 
e confuso saindo da criana, e decide arriscar.

"Conta pra mim, Benjie" ele diz. "Voc gosta de andar no 
nibus?"

Ele ouve um inquieto xingamento de Tillman, mas espera 
paciente pela resposta hesitante da criana. "No."

"E por que no?" quando Benjie vai pra trs, Mulder se 
inclina e toca o pequeno joelho com o indicador. "No 
pense em mais ningum agora. Lembre-se, somos s eu e 
voc. Ns estamos bem  vontade aqui, no ?"

Ele bate de leve na jaqueta perto dele, e gira alguns 
dedos no n da gravata, e na gola. Como ele j sabia, 
os olhos cautelosos do menino seguem seus movimentos; 
as pequenas mos dentro da camisa de moletom param seu 
incessante movimento.

"Ento... o que voc no gosta no nibus?"

"As crianas so malvadas."

"Todas elas? Ou s algumas?"

Benjie encolhe os ombros.

"E como voc se sente com isso?"

"Mal."

"Voc fica com raiva, tambm?"

"Yeah."

"*Muita* raiva?"

"Agente Mulder!" a advertncia de Tillman estala pela sala 
como um chicote, e o menino pula, mais por reflexo do que 
por medo. Como se cansado pela interferncia, Benjie vira 
a cabea para seu pai, dando para Mulder uma oportunidade 
breve de ver o claro secreto do menino. O olhar dele 
queima. Ele parece mais velho do que seus cinco anos agora; 
os olhos ainda esto midos, mas o claro dele fica suave 
e esfria quando ele volta a olhar para Mulder.

O agente e o menino estudam seus silncios.

"Sabe o que eu acho? Que voc no precisa usar aquele nibus, 
no ? Aposto que voc anda muito bem por a sem ele."

"Que diabos voc quer dizer com isso?" Tillman d um passo 
adiante mas  impedido pelo ombro e corpo de Scully, colocados 
depressa e bem convenientemente no caminho dele.

"Acho que voc conhece esta cidade todinha. Estou certo?"

O menino pensa, pisca, e acena.

"Voc foi  p para a festa de aniversrio, tambm?"

"Sim."

"*Que* festa de aniversrio?" Tillman fuma e Scully d um 
sussurro sbito e furioso pra ele ficar quieto.

Ignorando a briga na linha secundria, Mulder continua seu 
interrogatrio com o menino. "Quem te convidou?"

"Shawna. As crianas riram, mas ela disse que eu podia ir."

"Voc levou um presente pra ela?"

"Yeah."

A tenso prvia dissipou e Mulder sorri, imaginando as 
preparaes meticulosas desta pequena criana solitria 
e engenhosa. "Muito bem, Benjie! O que voc deu pra ela?"

"Legos." a voz dele abaixa at um sussurro que s Mulder 
pode ouvir. "Papai comprou novos pra mim. Eu os embrulhei 
com papel de presente."

"Voc deve ser uma criana bem inteligente para saber 
embrulhar um presente. s vezes eu me enrolo quando fao 
isso. Com lao, fita, e tudo?"

O menino d um sorriso tmido, e acena.

"Onde voc conseguiu o papel de presente?"

"No quarto de costura de Jan--" ele pra, dando um olhar 
para o pai dele antes de corrigir. "No quarto de costura 
da mame."

"Ento" Mulder diz, notando o deslize. "Voc embrulhou o 
presente. Foi pra festa. E ento, quando terminou, voc 
voltou pra casa. Sozinho, no escuro?"

"Sim."

"Voc tem medo do escuro, no tem, Benjie?"

Um tremor de cabea.

"De manh bem cedinho  escuro tambm. Voc levantou cedo 
na manh seguinte? Saiu?"

Ele deu de ombros.

"Voc foi na escola no escuro?"

"J chega, agente Mulder!" Tillman late, desta vez agarrando 
Scully pelos ombros e a tirando de seu caminho. "Voc est 
passando dos limites---"

"Voc viu alguma coisa na escola, Benjie? No escuro? Nos 
nibus?"

Os olhos do menino acendem com a mesma chama sutil enquanto 
ele volta a olhar para Mulder.

"O que voc disse na festa para deixar as pessoas to 
assustadas? O que voc disse, Benjie?"

Mulder se sente como um canho solto, jogando as palavras, 
antes que sua munio seja cortada. Um homem desesperado, 
agarrando rpidos segundos. A entrevista pode parar a 
qualquer momento sem chance para pegar a linha e este menino 
poderia quebrar debaixo do peso da evidncia mostrada hoje 
aqui.

Aquela realidade o incita a ir mais adiante. "Quando elas 
te perguntaram a coisa que voc mais queria no mundo, o que 
voc disse? O que voc queria?"

"J chega! Porcaria!"

"Tillman, deixe o garoto responder!"

 direita dele, Scully cobre a testa dela com uma mo plida.

"Diga para seu pai, Benjie." Mulder fala, meio sentado no 
sof, sentindo a urgncia da situao. "Conta pro seu pai 
o que voc contou pra todo mundo na festa..."

Movendo-se depressa, Tillman tira seu filho da cadeira, e 
o leva para o meio da sala, se afastando dos dois agentes. 
Visivelmente abalado, ele coloca o menino de p sobre o 
tapete, e ento se ajoelha diante dele, agarrando os ombros 
pequenos com as duas mos grandes, o rosto dele implorando. 
"Filho, voc no tem que dizer nada pra ele. Voc no tem 
que responder nenhuma pergunta."

Benjie Tillman cheira, escova os olhos com dedos rachados, 
mas permanece solene e composto.

"Tenente, voc no quer saber o que ele disse, e por que 
as pessoas esto falando?"

"Cala a boca, agente!"

"Papai..."

Ambos os homens pararam suas posturas agressivas, cessando 
suas vozes altas, e encararam o menino. Ele encolhe os 
ombros e est esfregando um olho de novo. "Eu disse 'irm'. 
'Irmzinha'."

"O que?" Tillman olha para Benjie com um olhar incrdulo, 
enquanto sua mente luta para processar a terrvel concluso. 
Ele treme a cabea, se recusando a aceitar a evidncia e 
implicao do que as perguntas de Mulder revelaram. "Por 
que, filho?"

Benjie encolhe os ombros e esfrega os olhos.

"Voc est to sozinhos assim? Voc realmente quer uma 
irm ou irmo?"

O menino treme a cabea.

"Por favor, Benj... me ajude."

Ouvindo o pnico angustiado na voz deste homem, Mulder, 
sente uma onda de piedade. O homem no sabia nada sobre 
as necessidades fsicas de seu prprio filho, e nem das 
psicologias. To rasgado pelos pecados passados dele, e 
suas transgresses no presente, ele no v que seu filho 
estava crescendo por cinco longos anos, como uma fruta, 
que floresce em mistrio debaixo de seu prprio teto.

"Eu disse isso" o menino fala, a voz tmida e crua no 
silncio da sala. E ele encara, quase orgulhoso, a confuso 
do pai. "Eu assustei todo mundo, papai."

"Pelo amor de Deus, filho ---por que? Por que voc diria 
uma coisa dessas?"

Os olhos grandes da criana se enchem de gua, e ele treme 
a cabea, voltando para a criana de cinco anos confusa, 
que no tem nenhuma pista e nenhuma idia do que est 
acontecendo, e de como isso poderia ter implicado tanta 
confuso em sua vida.

Mulder agarra a jaqueta dele e joga sobre o ombro, olhando 
para sua parceira.

"Acho que ele est doente de levar a culpa por algo que 
no , no fim das contas, culpa dele." ele murmura para 
ningum, a no ser para si mesmo, mas alto o bastante para 
todo adulto presente entender o significado.

* * * * * * * * * * * *

Memorial Hospital
4 de novembro de 2000
11:39 da manh

Gwen DiAngelo afunda contra a parede na rea da sala de 
espera das visitas. Ela ainda tem quarenta minutos de 
almoo, mas ela estava doida para falar com Natalie sobre 
as chances dela ser entrevistada pelo agente do FBI.

A avaliao de Nat  corretssima, claro - o homem ** 
lindo, de uma maneira incomum, alto, com olhos esverdeados 
e intensos, e cabelos castanhos. Ela pode muito bem perceber 
o motivo de sua vizinha ter feito esse escndalo de babar 
sobre ele, mas sente um pouco de culpa por ficar encorajando 
esses pensamentos de luxria e infidelidade de sua amiga.

Mas ela  assim quando est com Natalie Warner. Nat era 
uma chamariz ao redor, com sua boca ultrajante, sua casa 
decorada, suas roupas desenhadas, sua fofoca e manipulao, 
e que fazia Gwen se sentir privilegiada por ser sua amiga.

Foi timo quando ela e Tony se mudaram para Aubrey no vero 
passado, pois ela tinha se antecipado a perodos de solido 
antes de fazer outras amigas. Felizmente, ela no teve que 
esperar muito. Em alguns dias, ela estava sendo cortejada 
pela vov de todos, Alice Marshall, chefe do programa de 
voluntariado do hospital, e que levou Gwen a conhecer outras 
senhoras gentis daquela equipe.

E os vizinhos apareceram em sua porta, primeiro Natalie 
Warner com um delicioso tiramisu e elogios sobre a maquiagem 
e penteado de Gwen. Era meio estranho eles estarem aqui, 
depois de tantos outros lugares onde ela e Tony moraram. 
Nat parecia genuinamente feliz pela amizade dela com Gwen, 
e deu boas vindas para ela em sua mimada existncia.

E Natalie ia distante no que queria. Gwen j estava lamentando 
suas sugestes que ela fez esta manh, para continuar nas 
boas graas de Natalie.

Cada vez que ela vai para a casa da vizinha, Gwen percebe 
que ela deixa de ser quem ela  para poder continuar sendo 
amiga ntima de Natalie. Gwendolyn DiAngelo no  realmente 
assim. A conversa lasciva, as fofocas flagrantes, irreverentes, 
a impacincia e descontentamento sobre criar uma pirralha 
mimada como Shawna. Estas coisas pesam na balana sempre 
que ela volta a andar por seu modesto jardim e casa, quando 
ela cumprimenta o marido trabalhador que ela ama alm da 
conta, e que nunca, em nenhum momento, ela vai trair.

Ela sente vergonha, tambm, pela maneira como o pequeno 
Tillman foi depreciado na festa de aniversrio, e sobre 
as mulheres adultas falando to francamente, sendo to 
crticas sobre a herana de uma criana to inocente.

Eu ainda tenho um pouco de conscincia, ela pensa, batendo 
o telefone contra o queixo. Graas a Deus, e graas a Tony 
por isso.

Quanto para o agente do FBI... depois daquela chance para 
falar com ele e sua parceira no quarto de Viola, e ento 
depois no corredor, Gwen sabe que as esperanas vcuas de 
Natalie esto sentenciadas ao fracasso. Ele  um homem 
atraente, mas to profissional e equilibrado quanto qualquer 
cavalheiro. Ela o v quando ele pisca para o comentrio 
de Viola, e sentiu de primeira mo o aperto firme da mo 
dele, alm do comportamento encantador.

E andando pelo corredor alguns minutos depois, ela v o 
agente do FBI, perto de sua parceira, no balco das 
enfermeiras. Ela observa quando a palma dele pairou, 
encostou e ento finalmente descansou contra a curva abaixo 
das costas dela, enquanto eles falavam juntos, sussurrando. 
Quando ele se apoiou nela para olhar uma coisa que ela 
ainda segurava, o olhar terno dele, e o sorriso secreto e 
possessivo que ele deu para a mulher ruiva no deixavam 
dvidas sobre o relacionamento deles. Pelo menos para Gwen.

Mesmo sem anis, ela conhece um *casal* quando os via, e 
eles definitivamente estavam juntos h muito tempo.

Respirando fundo, ela disca o nmero de Natalie e fica 
tensa quando escuta o toque do outro lado do telefone.

* * * * * * * * * * * *

Residncia de Tillman
4 de novembro de 2000
11:45 da manh

Depois que o Corola se afasta de sua casa, depois que ele 
fecha apressadamente a jaqueta de frio de seu filho, e pede 
para ele sair e brincar no jardim, Brian Tillman caminha 
para o segundo andar, subindo as escadas dois passos de cada 
vez.

Ele est lvido de traio e vergonha, cheio de fria por 
se ver enganado na frente dos dois agentes. Brian Tillman - 
pego com as calas na mo dentro da casa dele, que, alis, 
ele no tinha controle. A indignao na ltima hora, e os 
segredos revelados durante a entrevista de Mulder com Benjie 
seria discutvel e incidental se Janine tivesse tido a 
decncia de bancar a me. Se ela viesse, e no o deixasse 
sozinho com isso.

A pele de Benjie. Ele andando sozinho por a. A festa. Deus, 
a maldita festa na casa dos Warner, logo l...

Ele sente a raiva queimar em culpa, e como uma batata quente, 
ele precisa jogar isso pra algum. Para Janine.

Ela no est mais debaixo das cobertas na cama deles, quando 
ela estava quando ele saiu mais cedo para preparar o caf 
da manh. Agora, o perfume forte dela enche de banha o ar 
no quarto deles. Na entrada, ele fica de p, de boca aberta, 
os olhos indo da mala arrumada para a porta do banheiro, 
aberta, onde sua esposa termina de se arrumar.

"Estou indo pra casa da minha irm, passar uns dias l, no 
caso de voc estar interessado" ela fala, colocando um brinco 
na frente do espelho.

S os olhos inchados e vermelhos mostram o grau de angstia 
ou sinais residuais de lgrimas. Os movimentos dela so 
rpidos e precisos, o tom dela quase pulsante, e ela fecha 
com fora um pote de maquiagem e joga isso para outra mala 
no cho.

Ela est com o rosto maquiado, e bem vestida, como se fosse 
trabalhar, com a cala comprida e um suter de l bordado. 
Vendo ela colocar um cordo de ouro no pescoo, ele sente 
uma afronta apavorada ao egosmo audacioso por ela estar 
fazendo isso agora.

Mas que diabos --- ele agarra o batente com mos nervosas. 
"Eu preciso de voc *aqui*! Tenho responsabilidades para 
esta cidade. Tenho uma investigao, Janine, e um trabalho 
muito importante e que no posso abandonar---"

"E todos ns no temos?" ela fala, a voz escarnecedora. 
"Brian, minhas manhs so ocupadas. Eu no vou ficar presa 
em casa s porque voc acha que seu filho no pode agentar 
o jardim de infncia."

*Nosso* filho, *nosso* filho, ele quer enfatizar, mas no 
pode falar as palavras em voz alta. "Maldio,  para 
proteg-lo! No se esquea disso!"

"Ento, parece que voc vai ter que encontrar outra pessoa 
para vigi-lo enquanto voc estiver na delegacia, no ?"

"E  melhor voc estar preparada para falar com o FBI tambm" 
ele rosna de volta. "Eles vo querer respostas para algumas 
perguntas importantes."

"E quais seriam?"

"Do tipo, onde voc estava quando Benjie foi, sozinho, para 
uma festa de aniversrio h algumas noites atrs? Voc *sabia* 
disso?"

"Nossa, que maravilha. Ento  por isso que as minhas coisas 
estavam desarrumadas. E eu que pensei que estava tendo uma 
comemorao na delegacia e que voc estava com pressa---"

"Janine!"

Ela olhou para ele atravs do espelho. "No, eu no sabia 
que Benjamim tinha ido para algum lugar. Ele no me disse 
nada. Que mais?"

"O fato de que ele no tem superviso adequada dentro de casa."

Ela encolhe os ombros, e toca o batom de leve na boca dela. 
"Ele  ansioso demais, e filhinho do papai. E s vezes ele 
me deixa incomodada, pra dizer a verdade. No posso ficar 
de olho nele o tempo todo."

"Mas eu vejo que voc consegue ficar de olho no seu armrio 
de licor muito bem."

Os movimentos dela gelam por um momento antes dela desistir 
de olhar pelo espelho, e fica de p.

Ele quase range os dentes ao ver a indiferena dela.

"A pele dele, Janine--voc no est cuidando disso. Meu 
Deus, eu s pude perceber isso de verdade hoje, e mal podia 
acreditar que estava to ruim---" parando de falar, ele 
sente a garganta apertar, e sabia que seus olhos brilhavam 
com as lgrimas de empatia e desiluso. "O menino est 
sentindo dor. Eles poderiam falar que isso era negligncia 
dos pais, e abuso de crianas - e fariam uma investigao 
separada s por causa disso."

"Se isso acontecer, voc sabe onde me encontrar" os olhos 
dela, frios e fundos, combinavam com o tom da voz dela, e 
isso o pegou desprevenido. "Lembre-se, no estaramos aqui 
se dependesse de mim. Lembre-se disso, Brian."

Atordoado, ele se apoia no corredor quando ela ergue duas 
malas com facilidade, e sai pelo quarto. "O lixeiro passa 
na tera de manh" ela fala por cima do ombro, enquanto 
desce a escada. "No se esquea."

"Voc est cometendo um grande erro ao caminhar por aquela 
porta."

Ela reduz o passo momentaneamente. "Oh, mas eu vou voltar" 
ela assegura, e um segundo depois ela continua, at o primeiro 
andar, para cuidar de sua prpria vida.

* * * * * * * * * * * *

AUBREY, MO
4 de novembro de 2000
12:00 meio-dia

"S me diga *o que* voc estava querendo fazer l atrs, 
Mulder? Se voc est perseguindo Tillman, ento voc fez 
um grande trabalho quando o tentou alienar e colocar nossa 
investigao em risco. E se voc estava tentando ajudar 
Benjie a entrar em contato com seus prprios sentimentos 
e sua 'criana' interior numa sesso muito pblica, ento 
eu tenho que dizer que voc foi perfeito."

"Voc est com raiva de mim?" as palavras e o tom delas 
pairavam diante do fim do espectro: elas mostravam uma 
monotonia incolor.

Ele est ao volante, mordendo as semente com vingana. O 
carro pra de repente, cantando pneus, em cada sinal, e 
ento acelera adiante com uma sacudida que faz o cabelo de 
Scully cair sobre seu rosto. Ainda bem, ela reza, que logo 
estaremos fora da rea residencial, longe dos sinais, e 
indo para uma rodovia.

"Isso  irrelevante. O que importa  que voc traiu a confiana 
de um garotinho impunemente e sem permisso."

"Era necessrio. Voc poderia chamar isso de traio, mas 
eu no. De alguma maneira, de algum modo, eu toquei aquela 
criana, Scully. E ele respondeu."

"E o pai dele tambm---"

"--que precisa se controlar principalmente em relao ao 
filho."

"Voc est colocando isso de maneira compassada demais" 
havia sarcasmo na voz dela, grossa pela emoo inchada em 
sua garganta, e outro movimento repentino da cabea quando 
ele aperta o freio de novo.

"Esta  a nica maldita maneira que eu conheo de falar 
sobre isso da maneira como ela " ele soca o painel com o 
punho dele. "Maldio--"

Sim, ela entende, depois de ter sido testemunha da mesma 
triste tragdia. Sua decepo inicial para o comeo da 
entrevista aparecia diante dela durante o interrogatrio 
de Mulder. Olhos pedregosos, ela olha para a janela, sabendo 
que ele tambm estava com raiva, at mesmo para aceitar um 
pequeno tapinha ou consentimento dela.

"Para onde vamos agora?"

"Deveramos fazer uma visita para a casa de Linda Thibodeaux 
em Edmond, e ver qual a conexo dela com Viola Rains. Ento, 
depois, talvez voltar para a delegacia de polcia de Aubrey. 
Pode ser meio desajeitado se Tillman estiver l, mas estou 
disposto a apostar que Jos Darnell e os outros podem nos 
contar alguma coisa para iluminar um pouco este caso. Ento, 
ns devemos---"

"Edmond, limites de Missouri, em Nebraska." ela faz a 
observao. " muito cho para uma hora como essa, mas eu 
acho que voc vai se sentir muito bem depois de nos cansar 
at o osso" suspirando, ela olha para as mos dele apertando 
o volante. "Sabe, Mulder, eu li uma vez que uma liblula tem 
uma vida de vinte e quatro horas."

Ele bufa. "Nem me diga sobre a parte do sexo..."

" um fato documentado. Voc, por outro lado, tem tempo e 
recursos ilimitados, sem necessidade para encher doze horas 
por dia de sua vida ao invs de gastar seus sentimentos de 
raiva e frustrao. Especialmente quando voc ainda tem a 
parte da noite tambm."

Ela sente o olhar indagador dele no rosto dela, e devolve o 
olhar com um arco da sobrancelha. "Ento, voltando ao assunto 
do itinerrio de hoje, para onde vamos depois da delegacia?"

"De volta para o motel. Quero conversar sobre este caso, e 
ter um pouco de perspectiva. Estamos enrolados aqui, Scully, 
e preciso que voc junte as idias comigo."

"Tudo bem. Mas j que o caf da manh foi um pouco de caf 
atrasado, por acaso o almoo est no planejamento tambm? E 
logo?"

"Merda de Bfalo na pradaria?"

Ele est comeando a ficar mais alerta. Ela inclina a cabea 
pra ele, notando a gravata ainda solta, contra a camisa dele, e 
sem pensar, leva a mo para afagar a gravata como lembrana. 
"No, Mulder... pelo menos no nos prximos cem anos. A menos 
que voc conhea um rebanho em particular por estas bandas."

"Detalhes..." ele aperta as coxas no volante, e usa as duas 
mos para ajeitar a gravata, e ento pega a mo esquerda dela 
com a direita dele, no escuro. O contato morno da pele dele, 
os dedos caoadores, a acalma. O corao de Scully sente-se 
confortado depois da terrvel tenso que os atingiu na casa 
de Tillman.

"Sabe de uma coisa..." ele medita. "Pensando bem... acho que 
eu poderia ter ganho alguns minutos extras com Benjie se eu 
fosse como um porco, e tirasse os sapatos, tambm. O que voc 
acha?"

Ela aperta os lbios num sorriso modesto. "Os sapatos vo ser 
tirados sim. Depois. Para mim."

* * * * * * * * * * * *
Fim do Captulo 5

Seeds 06
by Mountainphile

* * * * * * * * * * * *
Captulo 6
* * * * * * * * * * * *

AUBREY, MO,
4 de novembro de 2000
1:30 da tarde

Depois de um almoo aps a entrevista na casa de Tillman, Mulder
apressa Scully para que eles fossem para o carro, e chegar logo
em Edmond, Nebraska.

"Ligue antes" Scully insiste, calculando, na cabea, a distancia
at a casa de Linda Thibodeaux.  Milhas desertas de campos congelados, 
vazios, rvores desfolhadas aqui e l. Uma comunidade de vez em
quando, uma casa ou duas, fazendas, rios, e ento terra batida, aberta
at onde o olho pode ver.

Mulder faz a ligao, cai na secretaria e desiste. "Para o hospital"
ele fala, piscando para Scully, que est com um olhar triunfante, enquanto
ele esmurrar os nmeros. A conversa  curta, mas decisiva: ele guia a
Corola pela rodovia e vai para o noroeste.

"Voc vai me fazer adivinhar?"

Ele sorri.  "Eles me contaram que a Sra. Thibodeaux passou a maior
parte da manh com Viola Rains, e ento falou que ela estava
indo para casa. Aposto que nossa visita no vai demorar."

"Vamos ver."

Um marco familiar nos limites da cidade  o decrepito motel Black,
ainda funcionando, mas agora muito mais escuro, uma verso mais
rota de sua abominvel gloria anterior.

"Queria saber se eles mudam os lenis entre os clientes" Mulder
faz piada. O Motel Black foi o lugar onde tudo comeou: Tenente
Brian Tillman atrasado para um encontro com sua amante
grvida, Detetive B.J. Morrow, e com estranhas vises a atacando
na escurido. Ela foi atrada ao campo ao lado do motel, ajoelhando
e cavando com as mos at encontrar os ossos perdidos do agente
Sam Chaney, que apareceram inexplicavelmente.

Hoje, o mesmo campo est frio e imperturbado, agora sede de
torres de energia.

"Bem, no posso reclamar do Conestoga" Scully fala. "Acho que ele
 o melhor lugar em que estivemos pela primeira vez."

"Na minha opiniao, qualquer lugar  o melhor, agora que nossa
dinmica pessoal est... moldada", ele enuncia cada silaba, erguendo
uma sobrancelha lasciva.

Ela enfeita a zona rural que passa por eles com um sorriso reservado.
"Voc quer dizer... agora que jogamos a precauo ao vento e estamos
tendo sexo, Mulder? Nos agradando de vrias maneiras satisfatorias? 
 isso que voc quer dizer com 'moldada'?"

"Ah... yeah, mais ou menos" a expresso dele paira entre errado e
divertido. "*Satisfatria*  a melhor descrio que voc conseguiu
encontrar?"

"Mmm, 'Excepcional', ento ".

"Melhor..."

Linda Thibodeaux no aparece, mas sim seu co de guarda. Mulder corre
para fora do porto e fica atrs do carro, com o animal correndo e rosnando
para eles pela cerca. Eles esperam por uma longa hora e meia na calada
antes de voltarem para Aubrey.

S para ficarem numa tarde de sbado na delegacia de Aubrey 
para encontrarem velhos conhecidos.  Tudo estava reformado. Tillman
no est  vista, mas Joe Darnell, agora detetive, fica de p
entre seus companheiros, os cumprimenta calorosamente, e os apresenta
para todos.

"Tivemos algumas mudanas, a maioria para melhor" Darnell admite,
dando um aperto de mao em cada agente. "Mas  muito bom ver
vocs dois de novo. O escritrio da cidade de Kansas ficaria
contente em mandar alguns agentes, mas o tenente insistiu em
chamar vocs dois. Ele aprecia a cooperao de vocs mais do que
vocs sabem."

"Vou ter que aceitar sua palavra nisso" Mulder disse. "Nos avise
se aparecer qualquer novidade."

O estacionamento estava lotado em Conestoga, e ele deixa
Scully antes de achar uma vaga. Ela nota, satisfeita, que o 
servio de quarto tinha trabalhado nos dois quartos, trocando
toalhas e lenis. Espiando pela porta de ligao, ela v a
luz piscando no telefone, como um farol.

Ele abre a porta dele depois de um minuto, tirando o casaco dele
e soltando a gravata enquanto entra. "Mensagem pra voc" ela
fala, acenando com a cabea para o telefone, e ento sai para
usar o banheiro e se refrescar. At ela reaparecer na entrada, 
Mulder j tinha desligado o telefone, mas sua expresso era
estranha.

"O que foi?"

"Chame de golpe de sorte, direto da priso de mulheres.
Eles querem que eu fale com B.J., urgente."

Ela carranqueia.  "Isso  estranho. Ser que isso tem alguma coisa
a ver com o contato de Tillman h alguns dias?"

"No. Acho que  algo mais do que isso. S um palpite" ele soma.
"Eu falei com eles que iria para l amanh, logo cedo."

Ela se senta perto dele, e cruza as pernas, intensamente consciente
que o convite era exclusivo para Mulder. "Acho que posso seguir alguns
contatos eu mesma. Precisamos falar com Natalie Warner, cuja filha
supostamente convidou Benjie para a festa de aniversario. E talvez
eu possa pegar Linda Thibodeaux no hospital, sem querer."

"Voc no precisa tentar se bater na minha ausncia, Scully. Aqui
est sua chance para aproveitar o tempo. Vi uns lugares
muito bons. V comer alguma coisa, ainda que seja tarde."

"Posso planejar meu dia, obrigada."

"S quero ter certeza de que voc vai ficar bem enquanto eu for---"

Ela arregala os olhos, chocada, quando compreende o que ele
quer dizer. "Pelo amor de Deus" ela assobia debaixo da respirao.
Irritada at a alma, ela fica de p, mas sente a mo dele 
segurando o seu pulso.

"Fique," ele diz num tom mais firme, esperando at ela se sentar,
relutante, teimosa. Ele chega mais perto, as coxas quase juntas, as
mos pegando as dela. "E pra com essa maldita atitude defensiva.
Lembre-se da nossa conversa quando voamos pra c... e o que te
tem atormentado desde a quinta-feira. Confie em mim...
se fosse outra epoca, eu no sonharia em monitorar seus movimentos;
j  muito termos que vigiar as costas um do outro, Scully. Voc
sabe disso."

"Eu..." Ela olha fora, mandbula rgida. "Eu sei disso."
Ela cora de vergonha  referencia descarada pela excentricidade 
emocional dela neste caso. O argumento de Mulder  razoavelmente
formulado, apesar de sua picada. 

"Voc est certo. Bem, eu posso evitar de pegar outro carro alugado 
se ligar para Joe Darnell amanh de manh, na delegacia. Algum deve
estar disposto a me dar uma carona pela cidade."

"Eu no duvido disso."

Eles ficam sentados juntos, na cama, um silencio espinhoso, mos apertadas,
at que as ofensas incitadas entre eles se transformem em fragmentos, e dali,
para p. Fechando os olhos, Scully lamenta a reao veemente
dela para a preocupao lgica de um parceiro e amigo no campo,
debaixo de circunstancias incomuns.  Durante o dia, seus demnios
eram bem escondidos, dando para ela uma falsa sensao de confiana,
s para voltarem  noite.

Isso deve passar logo. Deus, isso tem que passar logo, ela reza.

Ela sente um aperto na mo, olha pra ele, e percebe, com algum pesar,
que ele est observando o rosto dela o tempo todo. "O que foi?"

"Nada".

"Bem, precisamos trabalhar antes de ficar muito tarde" ela fala numa  mistura
de vigor renovado, e saudvel negao. "A gerao de idias que voc queria fazer,
lembra?"

Mulder est com aquele olhar terno, como se quisesse beija-la, mas a ultima coisa
que Scully precisa  se sentir aplacada. Intimidada por um momento, ela coloca
distancia entre eles, e torna a cruzar as pernas. Mulder sorri, malicioso, e
senta na cama, cabea contra a cabeceira, uma longa perna dobrada, outra
jogada ao chao.

"Ok, ento vamos l... eu quero impresses, Scully. Opinies sobre a
entrevista de Benjie Tillman esta manh, e impresses sobre
as caractersticas fsicas que poderiam conecta-lo a este crime." 

"Como a voz dele?  Viola ouviu uma voz rouca, semelhante com o que 
aconteceu no caso de 94."

"Exatamente. Muito incomum para um menino de cinco anos.
Me fez lembrar daquele menino loiro no filme 'Um Tira no Jardim
da Infancia', cujo pai era um negociante de droga. O filme do
Schwartenegger, onde ele  um policial, e vai escondido como 
professor--?"

Ela encolhe os ombros.  "Um filme pra homens, disfarado. Acho que perdi
este filme."

"Toda vez que a criana falava, eu mesmo queria pigarrear. Voz rouca, como
se estivesse com areia... como Benjie. Que tipo de diagnostico poderia dizer
o que  essa rouquido?"

Scully considera a pergunta por um momento. "Um otorrinolaringologista
peditrico seria o melhor profissional para te dar uma conjectura mais precisa,
mas eu tenho que concordar que isso no  natural para uma criana da
idade dele, e nem que isso possa ser atribuda a uma desordem 
na fala."

"Continue."

"Geralmente, anormalidades na laringe so causadas por simples abuso
vocal - gritos, tosse, muita fala - forando as cordas vocais a fazerem sons
que ainda no deveriam fazer, ou no deveriam ser prolongadas. Com o
passar do tempo, as cordas vocais inflamam, causando uma laringite crnica
ou algo pior."

Mulder arranca a gravata, abre o botao da gola, e procura no bolso do terno algumas
sementes. "No chamaria Benjie Tillman como a criana que mais grita no
planeta, no ?"

"Nem mesmo perto... mas pense nisso: altura da voz nem sempre  culpada.
Quando as crianas falam de maneira errada, vozes grave demais tambm podem
prejudicar as cordas vocais."

" reversvel?"

"Normalmente, mas d muito trabalho. Um terapeuta da fala pode ajudar a criana
a identificar o problema, e assim, com o passar do tempo, eliminar ou modificar os
comportamentos vocais destrutivos."

Ele racha e mastiga vrias sementes antes de responder.  "Ento... Benjie  uma
criana tmida, quieta... que tipo de ambiente poderia encorajar
voz grave, se isso for a causa? Tillman  um homem visivelmente ocupado,
que est passando os ltimos seis anos tentando sair de uma enorme
baguna em sua vida - e Benjie  o resultado direto. A esposa dele, e ele
 que alega isso - no suportou bem a coisa toda."

"E ela no nos encontrou esta manh" Scully aponta. "Acho que ela 
quem cuida de Benjie, sendo a responsvel primria quando Tillman no 
est por perto.  Me por induo. S no temos os detalhes ainda."

Lembrando-se da pele vermelha e rachada de Benjie, e seu bvio
desconforto, o comportamento tmido e os olhos chorosos, ela
sente uma raiva quente queimar lentamente ao pensar numa
mulher que seria to negligente ante a responsabilidade para cuidar
de uma criana, mas acha que isso tem a ver com as origens dele, e sua
presena no desejada na vida dela.

"Ela poderia estar fazendo algo de propsito para agravar esta condio?"
Mulder deseja saber em voz alta.

"Acho que no. Isso sugeriria SMAP" ela fala, e Mulder continua.

"Sndrome de Munchausen Atravs de Procurao," ele diz, acenando a cabea
para ela explicar.

"Sim, quando uma me prejudica deliberadamente e repetidamente e acaba deixando
a criana doente para ganhar um fluxo continuo de conforto e ateno para
ela. Isso no est acontecendo aqui, Mulder. Na verdade, parece ser exatamente
o oposto, levando-se em conta que ela quer ser deixada em paz. Isso parece
ser mais um simples caso de negligencia infantil."

"E que deveria ser caso para o Departamento de Servio Social, e no para
o FBI."

Ela esfrega as linhas de tenso da testa, pintando, em sua
mente, os olhos do menino: clios enormes, to midos que o
menino tinha que toca-las com os dedos de vez em quando. Por alguma
razo, esta era a imagem que mais a perturbou, mais do que a pele
negligenciada. Emoes guardadas como se dentro de uma garrafa com
tampa de cortia, e mesmo assim escoando do autocontrole, incomum
para algum to jovem. Como um forno sob presso, pronto  para 
explodir---"

"Mulder, falando em filmes..."

"Ah, no. Flores de Ao  um filme para ser visto apenas uma
vez, de acordo com o meu livro."

"No, no. S um minuto. Quando eu era criana, me lembro de
ver com meu pai um velho filme preto e branco, um filme da Segunda Guerra
Mundial, que na verdade era ele que estava vendo. Era sobre a
Frana ou Itlia, e havia um casal militar, norte-americano, que
acabou adotando uma rfo de guerra, uma garotinha."

"E todos viveram felizes para sempre?"

"S depois de uma catarse incomum no meio do filme. Eles estavam
quase decidindo no adotarem a criana, pois a menina tinha um
estranho habito, obsessivo, e que ninguem podia explicar:
ela ficava tocando de leve os olhos dela. O pice do filme
aconteceu quando o casal insistiu para ela que dissesse o motivo
disso. E ela comeou a chorar, muito suavemente---"

A vivacidade e emoo crua da cena revisadas fizeram Scully
parar e engolir. Mulder a apia, mas ela no deixa. 

"Bem, a menina comeou a chorar mais forte, at que estava soluando,
e chorando muito. Aparentemente, ela sentia que estava num lugar
seguro o bastante - e com pessoas compreensivas o bastante tambm-
e que poderia desabafar sua verdadeira aflio. Os terrores da guerra, 
a perda da famlia dela, o medo de abandono, do futuro, e do que
aconteceria, e do que lhe seria negado."

"Negado at mesmo por causa do medo opressivo da mais brutal
e contnua rejeio caso ela ousasse mostrar o que estava dentro
dela... Meu Deus, Scully---"

"Hmmm?"

Ele pula da cama e comea a olhar para o rosto dela, atento.
"Seu clssico preto e branco pode ter acabado de mostrar a
chave que pode dar sentido a alguns dos comportamentos
estranhos que observamos acontecer hoje."

* * * * * * * * * * * *

A gerao de idias deles acelera durante as horas, correndo a
serie de fatores ambientais que poderiam criar tendncias, ou 
criam tendncias psicopatas em crianas.

Mulder deixa bem claro que todo psicopata conhecido perdeu um
pai na infncia, ou foi adotado. "Isso em si mesmo nos
d uma base para a procriao de uma tremenda deficincia orgnica
familiar" ele medita. "Voc tem lares com pais solteiros, ou
divorciados, alienao, rejeio, possvel negligencia, brigas,
isso para no mencionar o trauma emocional de perder um ou ambos os
pais originais."

"Benjie sabe que Janine Tillman no  a me biolgica dele?"

"Isso  algo que devemos descobrir. Mas ainda temos o fato de que
ele entrou, inocente, num lar que tem todo o potencial de instabilidade,
e dano."

"Verdade. Uma criana separada de sua me, criado pelo pai, que tem
a esposa ressentida com ele. Isso expe outro fator importante -
privao de amor. Emocionalmente separado ou ausente nos pais."

"Vejo Tillman como ausente, mas ele parece muito protetor" Mulder
diz, se lembrando das observaes do homem no restaurante, e como
ele pairou como um falco durante a entrevista, reclamando quando
sentia que as perguntas eram imprprias para Benjie. "Acho que ele
ama Benjie de verdade."

"Normalmente  o pai ausente que se destaca, mas na situao particular
de Benjie,  a me, certo?"

"A clssica madrasta m?"

"Mulder, estou falando serio. Pense nisso - se Janine Tillman  a
responsvel primria, ela teria completo poder e controle sobre o 
que aquela criana ouve, fala, faz e como ele se comporta e reage
a tudo durante sua formao na pr-escola. Diariamente, e por trs
das portas fechadas. Uma criana no  apresentada ao bairro ou
ao publico at comear a estudar."

"Tudo bem" ele diz, erguendo um dedo. "Mas tem a pele negligenciada.
Ento, a desordem na voz, possivelmente agravada devido a quantidades
irregulares de tensao numa criana, forada a conviver uma situao
dolorosa, restritiva."

Ele olha para sua parceira, sentada com ateno solene.

Um segundo dedo, ento um terceiro. "Olhos sendo esfregados. A 
aparncia de cachorrinho abandonado. Como a menina no seu filme, ele
no tem escolha a no ser suportar em silencio - com medo de 
rejeio ou recriminao, que acaba subjugando sua jovem psique, 
que ele no consegue controlar. Isso tambm pode responder pela
vontade dele de ficar vagando por a."

Scully fica de p, e se estica, as mos nas costas, e entao anda
para a janela. Quando ela puxa a cortina de lado, ele v escurido
l fora; o barulho da Grelha, do lado oposto do prdio, encerrando
suas atividades. Non ilumina a rea, lanando um brilho multicor 
sobre o rosto e cabelo dela, acentuando o cansao em seus olhos.

"So fatores suficientes pra mim" ela murmura, deixando a cortina
cair no lugar. "Est ficando tarde e eu estou perdendo calor."

"Ainda tem algo que no exploramos ainda, Scully. A prpria
herana gentica de Benjie, que ele conseguiu de B.J... que veio,
afinal de contas, de Harry Cokely. Lembre-se, algum apunhalou e
deformou aquela mulher, e disse aquelas mesmas palavras."

O suspiro dela soa pesado com desnimo.

"Eu suspeito," ele continua, "Que Benjie sabe ou sente algo que
ele no pode falar sem ter medo de rejeio e ostracismo. Ou no
possa expressar sem libertar um demnio. Talvez ele tenha visto
algo horrvel. Se for este o caso, a criana pode estar num riacho,
sem um remo."

"Ento ns precisamos achar um para ele... ou remarmos para ele."
ela fala, esfregando os olhos. "Porem, no d pra fazer isso agora.
Tudo que j fizemos hoje me deprimiu o suficiente para um dia."

"Ento vamos guardar tudo. Ei... est na hora do Miller."

Isso lhe d um riso invejoso e outra esticada. Vendo os movimentos
fluidos dela, a ternura anterior que ele sentia volta, e o corpo de
Mulder acorda s sensaes inimitveis provocadas pela proximidade
dela. Amor, proteo, desejo. Ele chega mais perto, esperando 
carregar seus pensamentos. "Vem c. Acho que =eu= preciso de um
abrao agora mesmo."

Scully responde com afeto disposto, o abraando, mos apertadas
contra as costas dele. O abrao dele a envolve completamente. Eles
compartilham um longo e apertado abrao de apoio, uma base slida
que os levam para algum lugar, longe do ambiente desagradavel
criado pelas horas discutindo aspectos nada atraentes do caso.

Faminto pela fragrncia dela, ele ara o cabelo dela com seu
nariz, olhos fechados, a inspirando. "Voc quer jantar?"

"No... o que eu quero de verdade  tirar tudo isso da minha
mente. Descansar" ela esfrega a testa contra a camisa dele,
sobre o queixo dele. "Preciso esquecer tudo por algum tempo."

"Mas acho que podemos tentar outras coisas" ele sugere. "Explorar
nossas opes. Ver se voc realmente tem o toque especial."

Ela ergue a face e a resposta dele  imediata; ele marca os lbios
dela com os dele, largos e macios, a explorao desfalecida das
bocas que param de se beijar, ofegantes, buscando ar.

"Hora de tirar os sapatos" ela fala num respirao ofegante, 
se afastando ligeiramente para tirar os prprios sapatos, e tirar
as meias.

Ele segue seus movimentos, tirando a jaqueta e a gravata, sapatos
e meias. O corpo dele bate em antecipao.

Ela no perde tempo, e corre as mos ao longo do corpo dele, 
fazendo uma viagem sedutora at a frente da cala dele, onde
Mulder fica rgido quase que imediatamente sobre as palmas e dedos
talentosos dela. "Voc" ela fala, suave. "Tem sido mais do que paciente
dada as circunstancias. E quanto ao meu toque, voc j sabe como---"

O telefone toca no quarto dela, alto e insistente no silencio
dos dois quartos.

"Oh, droga..." ela murmura.

"No se esquea do que estava falando" ele encoraja, sentindo-se
roubado de repente, cansado, enquanto ela some pela porta
adjacente. Ele pode ouvir a parte dela na conversa, e ela
faz mmica com a boca "Tillman" e aponta um dedo pra cima, se
desculpando com ele, andando de um lado para o outro sobre o tapete.

"Tente uma loo anti-histamnica, como Benadryl.  Est disponvel
em qualquer supermercado e deve dar a Benjie um pouco de alivio da
coceira. Ou um creme  base de hidrocortisona. Voc no vai poder
adquirir nada acima de um por cento de esteroides direto no balco.
No,  moderado, perfeitamente seguro..."

Scully est andando pelo quarto, e ele a perde de viso, e ento ele
afunda sobre a poltrona, bocejando de cansao enquanto espera.
Atravs das plpebras pesadas, ele v quando Scully corre uma
mo pelo cabelo, passando os dedos entre as mechas vermelhas.
O fio se estica, e ento relaxa quando ela gira, e volta, deixando-o
tonto.

"... gua morna, mnimo de sabonete. Nada que possa irritar a
pele, como uma marca que tem muito perfume. Mantenha a pele dele
to mida quanto voc puder. Sim. Mas tenha cuidado para ele no
ficar quente demais, pois..."

Fechando os olhos, Mulder derrete contra as almofadas. Seu pnis
ainda pulsa dentro da cala, doendo pelo toque dela. Ele agarra
o prprio saco, circulando com o polegar as bolas, encorajando o
formigamento pesado que ainda corria por elas. Ummm,
yeah... alguns golpes firmes para cima e ao redor do pnis
pode manter tudo reavivado. Os contornos esto mornos e familiar
na palma dele, fazendo-o avanar com o polegar e o indicador,
de maneira preguiosa, enquanto ele espera pelo retorno
iminente de Scully.

Vagamente ele fica pensando sobre a ligao de Tillman. Da conversa
que ele estava escutando, parece que as percias medicas dela eram
necessrias. A pele da criana. Uma vergonha, mas pelo menos o 
idiota do pai estava pedindo conselho. Uma pincelada de humildade
no comeo do longo caminho da redeno... talvez sim, talvez no.

Mas por que, diabos, logo agora? No podia em ser hora pior,
Tillman, seu bastardo...

"Mulder".

Ele focaliza em Scully, que est de p na frente dele, e Mulder
percebe que ainda est apertando seu membro quase flcido.
Exalando, ele se solta para agarrar a mo que ela oferece, e olha
pra ela de maneira suplicante. "Diga que no preciso sentir vergonha."

"Nunca," ela murmura.  "Desculpe a demora."

Sentando direito, ele nota que ela apagou as luzes. A jaqueta
dela no estava mais  vista, assim como a camisa branca;
os seios dentro do suti de renda aparecem diante dele, e Mulder
se apia contra eles numa sonolenta satisfao, e arrasta os lbios
sobre um mamilo esticado. A ereo dele volta, dura e pulsante.

"Deus, Scully... eu preciso de voc... preciso disso."

"Eu te fiz uma promessa esta manh." Como um eco submarino, 
a voz dela est abafada, terna e rouca pelas almofadas dos
seios dela. O abrao fica mais apertado, e a respirao dela
esquenta a orelha de Mulder. "Ento, venha vaqueiro. Vamos ver
se voc sabe montar bem."

"Eu prefiro montar sem sela, direto sobre a pele, dona" ele fala,
ficando de p.

Eles se contemplam, lbios separados, camisas abertas, e a luz
fraca. O pulso dele corre ao ver os braos nus, e ombros, e os
buracos na garganta e clavcula, o balano do seios, reservados
apenas para ele. Mulder nada dentro de um mar primitivo de
testosterona, e pretende se afogar neste mar esta noite.

Sobressaindo-se sobre ela, Mulder a puxa contra ele, sentindo como
a pele dela  suave, sensual, parecendo pelcia, em comparao contra
os ngulos famintos e quadrados do corpo dele. O cabelo dela parece
um leno sedoso sobre o nariz dele, o pescoo de veludo debaixo dos
lbios dele. A cala dela cai entre eles, libertando o rico e intimo
cheiro da fragrncia de Scully, e que ele tanto almeja. Sua droga
mais viciadora, naquele lugar fundo que ele adorava escavar e se
perder...

Ele sente as mos dela apalpando pra baixo, arrastando a roupa dele,
o descobrindo. Ele chuta a cala pro lado... Deus, os dedos dela
ao redor dele, apertando com conhecimento e urgencia. Mulder
quase cambaleia, adorando ver como ela o conhece bem - e l
a ganncia do que ele precisa,  alimentando sua fome.

Ele olha pra baixo, passando as mechas arrepiadas do cabelo dela para
os clios extensos, as bochechas coradas, e lbios inchados, 
implorando por ele. Mas no agora, no desta vez... os mamilos dela
so morangos esmagados contra o branco do suti dela; Mulder 
abaixa a cabea, e chupa um pelo tecido, brincando com a lingua at
que ela geme. Ele desliza a calcinha pelas pernas dela, e desce
a prpria mo, deslizando vrios dedos bem fundo na vagina dela,
pasmo ao ver como ela estava sempre quente por dentro, e mida,
esperando por ele.

"Como?" ele estrondeia, mas j sabendo o que ele mesmo quer.

"Voc escolhe."

Ele a agarra pelas ndegas. Erguendo-a, ele a abre diante dele, usando
fora bruta, e a extremidade larga da cadeira para apoiar o peso dela.
Os ps dela ficam arqueados, ancorados ao redor dos msculos
das pernas dele. Com um aperto contra os quadris dela, e um gemido,
Mulder desliza astutamente entre as coxas dela, barriga contra barriga,
estremecendo mais uma vez  incrvel tenso que cresce nele mais
uma vez.

"Amo voc..."

"Eu, tambm--" Ela rompe, ofegante quando ele empurra pela
primeira vez, e faz um som suave, um soluo, apertando os
pescoo e ombros dele com os braos.

"Tudo bem?"

"Oh, Deus, sim..."

Confiando na veracidade das palavras dela, Mulder empurra com
abandono, entrando depressa para encontrar um prazer que o 
faria ficar de joelhos.

* * * * * * * * * * * *

A vez dela vem em seguida, mas no antes que ela tivesse tempo para
deitar nos braos dele, e ponderar o inconcebvel.

Este caso e a criana atacam a mente dela. Perigosos
pensamentos aparecem nesta poca do ano, especialmente depois do
sexo. Mulder se estica como um leo gasto, ao seu lado, potente e
viril em sua masculinidade. Ela, o recipiente vazio, estril
apertada debaixo do brao dele...

Sempre a sobrevivente, ela tinha apanhado os pedaos estragados de
sua vida depois do rapto, e continuou com seu trabalho, dela e de
Mulder. Durantes anos ela tenta fazer o melhor, com parte
dela dirigida para o caminho que ela escolheu dentro do FBI -
patologia, na baa de autopsia, no campo ao lado de Mulder,
lidando sozinha e em segredo com o resultado de sua esterilidade,
e de todas as suas implicaes...

Mesmo assim, o conhecimento a assombra em algum lugar, num
momento passado, onde uma estranha mo segura uma pipeta no
frasco que contem seus diamantes roubados - seus vulos. E
em algum ponto depois da concepo - ela se recusar at mesmo
considerar a idia questionvel sobre paternidade envolvida -
o embrio se tornaria sua filha Emily, estava sendo
implantando no tero de algum velho, invalido.

Quanto foi o tempo de gestao? Semanas? Meses? Quantos mais
de seus ovos preciosos foram usados, alterados, explorados,
espalhados como ovos comum para serem escolhidos?

Pensamentos perigosos para ponderar.  E este caso, nesta
poca do ano---

De repente, a mo de Mulder embala a bochecha dela, puxando seu rosto
para o dele, no travesseiro. "Voc est quase dormindo" ele sussurra
em sua orelha, beliscando o lbulo, abaixando, leonino, sobre ela.
"Desculpe ser um homem das cavernas."

"Tudo bem. Eu te devia uma."

"Voc no me deve nada, Scully. Eu j deixei isso bem claro
anos atrs."

As palavras dele evocam recordaes... depois dos campos de milho,
cpulas de abelhas, da audincia os separando... saindo do apartamento
dele por causa disso, e uma conspirao escura... as palavras
angustiadas dele para preservar a parceria deles-

"Isto..." ela passa os dedos sobre o cabelo do peito dele. "Isso
 diferente. Novo jogo, novas regras..." suspirando, ela sabe
que as palavras so clichs, e deitam mornas entre eles na cama.

"No, no  nenhum jogo." os olhos dele esto pertos, comandando ela
a olhar pra ele, o nico ser vivo que a conhece mais do que tudo.
"S a verdade. S a verdade."

"E qual ...?"

"Que ns nos amamos, e nada mais importa."

Os olhos dela comeam a ficar midos, o rosto dele ficando
embaados at ela piscar. Como sempre, ela odeia ficar
falando sobre suas prprias inseguranas e por duvidar 
das motivaes que moram no corao deste homem. Ele a beija com lbios
ternos, e num clssico beijo de esquim, ele esfrega o nariz
contra o dela.

"Nada mais importa." ele repete, e o beijo seguinte  muito mais
demorado, e mais fundo, mas com gosto de lagrimas.

Finalmente abrindo o suti, ele tira a pea de roupa do corpo
dela, e joga isso fora. Com os polegares, suaves, ele tira
a umidade incriminadora debaixo dos olhos dela, e respira. "S
bons pensamentos agora... promete?"

Sobre a caricia da boca dele, e a pressao das pontas dos dedos,
no h espao para sua misria, nenhum espao para a violao da
perda da maternidade. S o repetitivo movimento de lbios e lnguas,
o redemoinho de dedos lisos, manteigosos, e a expanso atordoante
e o prazer crescente que sempre a levam mais alto, para uma luz branca,
quente.

Uma luz santificada de segurana e amor, que enchem o corao de
Scully, e mergulha para acender de novo entre as coxas dela, como
o mais doce dos fogos selvagens.

* * * * * * * * * * * *
Fim de Captulo 6



Nota da Edna:  por isso que gosto tanto desta fic. Mesmo as partes
nc17 no so gratuitas. Elas tem um qu de seriedade, de verdade,
do que poderia acontecer entre eles. Claro,  minha opinio.
Espero que voc esteja gostando de Seeds. Ela no  to ativa
quanto as outras, mas tem o seu charme. Obrigada pela sua leitura.
E parabns ao autor, claro.

Edna


SEEDS 07
by Mountainphile

* * * * * * * * * * * *
Captulo 7
* * * * * * * * * * * *

Motel Conestoga
5 de novembro de 2000
6:24 da manh

* * * * * * * * * * * *

S nos ltimos meses o sexo pela manh tem ganhado posies 
na lista das coisas secretas e favoritas de Scully.

Havia algo sobre a certeza imperturbvel de Mulder, e o 
cheiro de seus corpos juntos, no amanhecer, que satisfaz 
tanto o lado romntico dela, quando o realista. A barba 
dele por fazer  sria, mas o cabelo dele, todo pontiagudo, 
a faz sorrir. As atenes sonhadoras dele na luz suave da 
manh desafiam a libido de Scully. Ele est faminto,  
aventureiro, com fixao oral, brincalho, generoso e 
incondicional em seu afeto por ela.

Mulder est saindo para a Priso de Mulheres uns dez minutos 
depois do ltimo orgasmo dela. Vestido para sair, as pontas 
do cabelo ainda midas do chuveiro, ele se abaixa sobre a 
cama, para ela poder embalar o rosto dele para um beijo de 
adeus.

"Voc est gostoso" ela murmura, sentindo o lquido de 
limpeza bucal na lngua, o cheiro da loo ps-barba de 
Mulder entrar em suas narinas.

"E voc tambm" ele contraps, e quando ela sente a mo 
covarde dele debaixo do lenol para poder acariciar o topete 
mido entre as pernas dela, Scully no desaprova as prximas 
palavras dele. "Durma mais um pouco, Scully, eu te ligo depois. 
Vou colocar o sinal do lado de fora da porta para manter as 
arrumadeiras feias e malvadas longe do quarto, por enquanto."

Como ela poderia saber que este homem perpetuamente no 
ortodoxo, e freqentemente irritante, poderia ser to importante 
em sua vida?

* * * * * * * * * * * *

Antes das sete e quarenta e cinco, inquietude a leva para 
o chuveiro. Ela nunca brinca quando o trabalho a espera, 
apesar das instrues de Mulder. Quando ela termina de 
secar o cabelo, ela liga para a delegacia, e pede para o 
detetive Darnell, ou um carro patrulha, a dar-lhe uma 
carona para o centro da cidade.

"Pode deixar, agente Scully." ele fala depois de ouvir a 
situao. "No precisa colocar mais despesa em seu relatrio, 
mais do que vocs j tem. Me d cinco minutos, e voc pode 
ficar com o carro."

Lembrando-se de seis anos atrs, ela avaliou Darnell como 
sendo um indivduo srio, mas desbotado. Ele era, e ainda 
, a pessoa de confiana de Tillman - seguro, slido e bom 
como sua palavra. Ele tambm poderia ser a melhor fonte 
sobre a dinmica do que acontecia na casa de Tillman.

Quando ele chega de carro, e vai para o quarto dela no 
Conestoga, ela est pronta e esperando do lado de fora, 
usando um terno escuro, cala, luvas, e o casaco de inverno. 
Sentando-se no banco do carona, antes que ele desse uma 
de cavalheiro, ela sorri e agradece. "Aprecio o gesto, 
detetive. Nada novo sobre o caso?"


"No que eu saiba. O tenente est em casa desde ontem de 
manh." ele confere os espelhos antes de sair pela rua, e 
ento lhe d um olhar. "Deve ter sido uma entrevista e tanto."

"Foi... reveladora" ela confessa, dando um olhar cauteloso 
como retorno. "Levando-se em conta a suspeita sobre Benjie, 
agente Mulder e eu achamos necessrio falar com ele 
pessoalmente. Meu nico pesar  que a Sra. Tillman no 
estava l tambm." Ela pausa. "Voc tem alguma idia sobre 
o motivo da ausncia dela?"

Darnell morde a bochecha enquanto dirige as poucas milhas 
para a delegacia. Ela sente a reticncia dele enquanto ele 
pensa no que pode ou no falar antes de trair a confiana 
de seu chefe nele. "Voc sabe... este  um assunto sensvel, 
agente Scully."

"No duvido disso."

"Ao mesmo tempo, no quero que voc julgue mal - tire as 
concluses erradas."

Ela senta de lado, e d para Darnell sua total ateno. 
"Compreendido, detetive."

Ele leva o carro para o estacionamento, vai para um lugar 
mais longe do prdio, e desliga o motor. Notando a postura 
dela, ele fica de frente pra ela tanto quanto permite o 
volante.

"Ele--ele nunca a esqueceu. B.J., eu quero dizer---" ele 
comea. Ento, tremendo a cabea em pesar, ele estala e d 
um sorriso de desculpas. "Caramba, esse foi um jeito bem 
ruim de comear a falar."

"Ento, recomece." ela fala, sorrindo para aliviar sua 
tenso. "H quanto tempo voc conhece os Tillmans?"

"Bem, eu era recruta quando vim pra c em 88 e o tenente 
me colocou debaixo da asa dele. O trabalho na polcia  
quase toda sua vida. Ele disse que Janine entendeu isso 
quando eles se casaram, mas..." ele encolhe os ombros. 
"Acho que a idia  uma coisa, e a realidade  outra 
totalmente diferente."

Nem me diga, ela pensa, considerando os ltimos sete anos. 
Uma experincia e tanto a ser lembrada graas a seu parceiro, 
chamado de Spooky, e a variedade de monstros, assassinos, 
e conspiraes que eles descobriram como uma equipe.

Ela acena com a cabea mostrando que entendia, e ele retoma 
a frase. "Todo mundo erra. E o tenente sempre teve um pouco 
de... bem, ele sempre gostou de coisas boas, se  que voc 
me entende. Tanto quanto sei, ele s olhou, e nunca tocou, 
at B.J. Agora, isso pode realmente deixar um casamento 
tenso. Exceto que a esposa dele tinha os prprios problemas 
para resolver."

"Voc poderia ser mais especifico?"

Ele protela, olhando pra ela, medindo-a com um olhar 
cauteloso, e ento suspira, resignado. "Depresso. Algum 
tipo de coisa dupla. Ele sabia disso quando eles se casaram, 
ele falou, mas eu podia ver quando as coisas ficavam ruins. 
Ele apareceria de repente no meu apartamento para ver 
televiso at mais tarde, e ficaria, sem dizer nada. Como 
se eu fosse o cara certo para ter companhia, mesmo sendo 
to idiota." ele soma, depreciativo.

Scully lhe d um sorriso simptico, pequeno. "Que mais?"

"Abortos. Uns dois, pelo que sei. Acho que eles pararam de 
tentar, depois disso, mas no tenho certeza. Mas ela j 
estava bebendo demais, h algum tempo."

O enredo do inferno. Ela fecha os olhos por um momento, 
imaginando o ressentimento opressivo, a raiva e amargura 
j excessivos naquela casa quando a pequena criana, 
Benjamim, aparece, sendo mal recebida.

"Como para =onde= ela poderia estar... ela disse que foi 
para a casa da irm, para descansar. Ela faz isso quando 
as coisas ficam ruins. Mesmo se ele no tem alternativa, 
como agora."

"O que isso quer dizer?"

"Ningum para tomar conta do menino" explica Darnell. "Mas 
ele j ligou esta manh para avisar que encontrou uma bab 
e que ele vai vir at a delegacia." ele bate no volante com 
a mo, e grunhe. "Ento, acho que  isso, agente Scully. 
Por enquanto..."

"S mais uma pergunta antes de voc ir" ela aventura. 
"Algum j conversou com a Sra. Linda Thibodeaux depois 
que Viola foi atacada?"

Ele morde os lbios enquanto pensa. "O tenente a viu no 
hospital. E posso te dizer - todo ns ficamos aliviados 
quando Viola assustou o atacante dela antes que ela fosse---" 
ele corre uma mo sobre o cabelo, tremendo a cabea como 
se estivesse se livrando das lembranas escuras. "Eu-eu 
nunca vou me esquecer da quantidade de sangue e o que foi 
feito para aquelas pobres mulheres. E ento, descobrir que 
o assassino era B.J. e ela era... uma policial como eu e 
os outros..."

O tremor dele faz Scully se lembrar de quantas vezes Mulder 
e ela descobriram, juntos, vrios agentes do FBI metidos em 
crimes. Renegados infames com quem eles trabalharam em algum 
momento, ou deram sua confiana.

"Sei que  difcil de pensar nisso" a voz dela fica suave, 
e ela espera, olhando pra ele at que o detetive olha pra 
ela. "Mas acho que se o Tenente Tillman pode controlar os 
detalhes deste caso, considerando seu nvel de envolvimento 
no caso anterior - ns tambm podemos. Certo?"

* * * * * * * * * * * *

Ela teria mais sorte se tentasse localizar o P Grande ou 
Elvis, Scully pensa depois que sua parada no Memorial Hospital 
no rendeu nenhuma pista sobre Linda Thibodeaux. Ela vai 
ento para seu prximo contato em Sterling, que  uma rua 
abaixo da casa de Tillman.  uma viagem assustadora para 
uma criana de cinco anos. Ela imagina Benjie, com o presente 
de aniversrio debaixo do baixo, andando debaixo das sombras 
e do tempo frio, enquanto ele andava sozinho pela calada, 
corao batendo forte.

O destino dela  uma casa de dois andares, bonita, na Rua 
Laramie, com um gramado na frente, caros vidros na entrada. 
Ela toca a campainha, pisando atrs quando uma mulher aparece 
atrs do vidro, e abre a porta um pouco.

"Natalie Warner?"

A mulher faz uma cara que seria bonita, se no fosse pela 
carranca. Os olhos azuis-cinza se estreitam com suspeita. 
Cabelos loiros e curtos, magra, bem vestida, meia cabea 
mais alta que Scully. "Yeah, sou eu. Se voc est aqui para 
pedir, nem precisa gastar saliva."

"Sou a agente especial do FBI, Dana Scully." Ela brilha o 
distintivo que est dentro da lapela do casaco. "Como voc 
deve saber, estamos investigando o ataque que foi feito em 
Viola Rains. Preciso de um pouco de informao em relao 
sobre a recente festa de aniversrio de sua filha."

"Voc est brincando comigo-" perplexa, a mulher olha alm 
de Scully, esquadrinhando a rua em vrias direes, vendo 
os carros parados ao longo do meio fio. No vendo nada, ela 
solta outra careta, e se abraa contra o frio, como se a 
baixa temperatura fosse culpa de Scully tambm. Mas que 
diabos---"

"Desculpe. H algum problema?"

"Seu parceiro no est aqui."

"Meu parceiro est ocupado em outro lugar, Sra. Warner." Ela 
colocada a cabea de lado, e arqueia uma sobrancelha, 
aborrecida. "Eu posso entrar por alguns minutos?"

Natalie hesita, como se pesando suas opes, e ento fica 
de lado, dando um rpido resmungo. "Rpido, por favor. Ok?"

"Vai depender completamente de voc."

A casa  adorvel por dentro, decorada por profissionais, e 
as cores, combinando, mas o cheiro forte de cigarro penetra 
o ar. Era uma vergonha, Scully pensa, olhando a moblia 
coberta de pelcia na sala de estar, o tapete grosso, e 
outras coisas. A relutante anfitri no vai mais  frente, 
ficando na entrada, e elas ficam de p, se olhando.

"Existem rumores, Sra. Warner, que Benjie Tillman disse 
ou fez algo na festa que deu para o pblico idias sobre o 
envolvimento dele no ataque da Sra. Rains. Voc poderia 
saber o que provocou esta fofoca? E por que?"

Scully tira um pequeno bloco e escreve enquanto a mulher 
cruza os braos e bate os dedos num ritmo nervoso. Natalie 
Warner no  como Joe Darnell; seus lbios ficam apertados 
como um zper antes que ela lhe d uma resposta atrasada.

"Isso  algum tipo de interrogatrio oficial? Aquilo foi 
uma maldita festa de aniversrio, pelo amor de Deus!"

"Por que Benjie Tillman era o nico menino convidado?"

"No era pra ter nenhum garoto. Shawna, minha filha, fez 
isso pelas minhas costas, e disse pra ele que ele podia vir."

"Ento, eu gostaria dos nomes e endereos de todas as 
crianas que vieram aqui, por favor, no caso de precisarmos 
falar com elas individualmente sobre o que elas acham disso 
tudo, voc entende."

"Bem, que se dane" Natalie fala. "Ela levou os malditos 
convites pra escola e espalhou tudo l. Eu no sei de onde 
diabos todas aquelas crianas apareceram."


"Quem eram os adultos que estavam presentes?" a pacincia 
de Scully estava fina como gelo de novembro para a deliberada 
falta de cooperao da mulher.

Puxando uma caixa de cigarros do bolso do suter, Natalie 
tira um e coloca entre os lbios. "Eu, claro. Alice Marshall 
e..." ela acende o cigarro, e puxa um trago. "...minha vizinha, 
Gwen."

"Endereos?"

"Eles esto bem l na lista telefnica, agente... Scul-ly..." 
o nome goteja com condescendncia.

Fazia tempo desde a ltima vez que ela ficou com tanta raiva 
do que poderia ser um simples relato de testemunha. Agora 
mesmo, ela adoraria algemar esta cadela dona de uma casa em 
Aubrey, Missouri, contra o espelho caro da parede atrs dela.

Mas, ao invs, ela coloca o bloco no bolso, e carranqueia 
contra a presuno teimosa da mulher. "Escute bem. Podemos 
fazer isso to fcil ou to difcil quanto voc gostaria, 
Sra. Warner. Eu sei que a polcia de Aubrey, neste momento, 
tem muitas listas telefnicas para o =seu= uso, se voc 
realmente quiser ir por este caminho."

Natalie devolve um claro de fogo. "Voc est brincando 
comigo, certo?"

"Errado" Scully fala, segura. "Mas sinta-se livre para me 
testar."

Natalie pisca os olhos e puxa outro trago. Ela segura a 
fumaa momentos interminveis antes de jog-la na direo 
geral de Scully.

"Fique  vontade" Girando para um corredor sombreado nos 
fundos da casa, ela fala mais alto. "Shaw-na! Voc est 
me ouvindo? Venha correndo pra c, agora!"

* * * * * * * * * * * *

Priso de Mulheres
5 de novembro de 2000
10:45 da manh

O cheiro de uma priso  sempre igual a outra, no importa 
sendo de homens ou mulheres, Mulder conclui. Cada um tem o 
mesmo selo opressivo, institucional, o mesmo ar escuro de 
confuso, raiva, mal, e falta de esperana.

O mdico de B.J, Klaus Reinholdt, fica chocado depois que 
Mulder divulga detalhes do mistrio que est acontecendo em 
Aubrey. Ele concorda que Mulder deveria ser a melhor pessoa 
para falar com sua paciente sobre os recentes sonhos e vises 
que ela est tendo, e se eles tinham alguma validez - ou nas 
palavras de Mulder - uma base da verdade. Depois de uma curta 
avaliao sobre o tratamento dela, sedativos, e parania, ele 
 levado para uma pequena sala, onde B.J. Morrow o aguarda.

Ela no est to ruim, considerando o que seis anos presa, 
a perda de uma criana, e trs assassinatos fariam com uma 
pessoa.

O cabelo dela est mais curto, acentuando seu queixo proeminente, 
e o lbio mais fino. Olhando para o traje verde-aipo, ele 
nota que os tornozelos dela esto algemados, juntos. Tnis 
barato, com velcro. Ela senta na ponta da mesa, olhos brilhando, 
o mesmo olhar, a mesma intensidade que ele viu antes em Benjie 
Tillman.

"Oh, meu Deus, voc finalmente est aqui..." ela ofega, se 
movendo pela mesa, enquanto ele senta na cadeira do outro 
lado. Um guarda fica perto de B.J. e faz ela se sentar de 
novo, e ela senta.

"J faz tempo - e eu gostaria que fosse debaixo de melhores 
circunstncias." ele fala, com um sorriso calmo. "Seu mdico 
me ligou ontem, e pediu para eu vir falar com voc."

"Eu agradeo - Washington  bem longe para voc vir aqui 
s para conversar, agente Mulder."

Respirando fundo, se preparando, ele olha para o guarda parado 
atrs dela, antes de olhar pra ela. "Por favor, relaxe, e 
escute o que tenho a dizer. Eu s vim de Aubrey, esta manh-"

"Oh, Deus--oh, Deus!" ela puxa as mos como se tivesse 
queimado com fogo. Ela cobre a boca, os olhos queimando os 
dele. "Comeou de novo, no ? Alguma coisa deu errado..."

"B.J., me escute. Agora. Por favor!"

Ela fita de volta, ferida, desorientada, antes de piscar e 
engolir o pnico dela num grande gole de saliva. "Ok. Tudo 
bem. Eu estou- eu estou bem agora, agente Mulder."

"Tem certeza? Eu sei que voc est sob sedativos h alguns 
dias, mas por favor tente compreender o que estou tentando 
te dizer."

B.J. acena.

"Aconteceu um ataque nesta ltima semana em Aubrey, e a 
mulher est se recuperando. Acho que este ataque est, de 
alguma maneira, relacionado com o seu caso em 94. A agente 
Scully e eu estamos trabalhando com o tenente Tillman e o 
departamento de polcia de Aubrey, e estamos fazendo de tudo 
para encontrar a pessoa responsvel antes que acontea mais 
outro incidente."

"Brian te chamou" ela fala, maravilhada, sem tom. "Ningum 
mais teria feito a conexo. Menos eu..." ela focaliza o 
olhar e agarra Mulder de repente. "Meu filho est seguro? 
Ele est bem?"

"Claro que est. Eu falei com ele ontem."

"Oh, graas a Deus! Eu pude sentir que alguma coisa estava 
errada quando eu comecei a ver tudo de novo. Estes sonhos 
terrveis, como antes. Sangue em todos os lugares. E a 
palavra 'irm'..." A mo dela pra sobre o peito, onde 
ela tem as cicatrizes auto-infligidas da mesma palavra. 
"Quando comeou o ataque?"

"Quinta feira, bem cedo, dia dois de novembro."

"No foi na noite anterior?" ela arregalou os olhos azuis, 
surpresa. "Por que foi quando isso comeou, os sonhos e as 
sensaes - assim como o instinto materno."

Mulder escuta em silncio, extasiado, enquanto esta torturada 
mulher conta os eventos da ltima semana sob seu ponto de vista.

A presena nebulosa que se manifestou na quarta-feira  noite, 
os sonhos e as sensaes dos quais ela parece ter tido pouco 
repouso. O medo dela por seu filho, enquanto ondas opressivas 
de preocupao materna a inundam com uma fora poderosa, e ao 
mesmo tempo consumidoras. A greve de fome ineficaz e o efeito 
das drogas controlaram seu comportamento repentinamente 
irregular. O pedido dela para contatarem Mulder.

"Eles pararam de me dar sedativos ontem. Depois que o mdico 
te chamou, eu acho. Ento, agente Mulder... voc, que viu 
o que outras pessoas no viram h tantos anos... o que voc 
acha que est me perseguindo agora?"

Ele d um sorriso apertado. "No tenho certeza. Mas eu tenho 
uma teoria."

"E qual ?" medo enche a voz dela.

"Possivelmente algum tipo de demnio" ele sussurra depois de 
pensar um pouco. "Uma fora m que est afetando sua rvore 
genealgica por meios genticos, comeando com Harry Cokely. 
Se manifestou em voc por transferncia gentica quando voc 
ficou grvida e ento pareceu ir embora quando ele morreu. 
Mas ns dois sabemos que no  este o caso."

"No", ela responde, lbios trmulos. "Mas quem  agora?"

"Voc  a nica filha de Raymond Morrow?"

"Sim. No existem mais filhos. S eu. Nenhum caso extrafamiliar" 
ela cora  contradio bvia do prprio exemplo dela. "Meus 
pais e eu ramos ntimos, especialmente com minha me - eu 
saberia, ou suspeitaria, pelo menos."

"Ento, tirando qualquer possibilidade de uma segunda famlia, 
a linhagem biolgica  direta: Cokely para Raymond, Morrow 
para voc... e de voc para seu filho. Fico pensando se voc 
e Benjie notaram ou sentiram a presena desse 'poder', sem 
controlar isso de fato. No reino cristo, as pessoas alegam 
que podem estar 'oprimidas' por um demnio sem de fato serem 
'possudos' por ele."

"Isso parece plausvel" B.J murmura. "H seis anos eu acho 
que fui possuda e usada como morada ou boneca por esta fora 
opressiva, ou conscincia maligna, sem ser de fato manipulada 
a fazer sua licitao."

"Um legado do que o velho Harry Cokely deixou pra trs quando 
partiu. Exceto que contra-explodiu em voc, B.J. Lembre-se 
das vises que voc teve - e que compartilhou conosco - e 
que ajudaram a encontrar os corpos de dois agentes do FBI 
desaparecidos desde 1942. Chaney e Ledbetter, parceiros que 
foram assassinados por Cokely. Voc revelou os ossos com 
suas prprias mos, expondo a verdade, apesar de sua psicose."

"Mas o preo foi alto demais. Alto demais." os olhos dela 
brilham e ficam midos com a dor do pesar. "Eu me mutilei. 
Apavorei e matei pessoas inocentes, achando que estava 
sonhando. E eu teria te matado naquela noite se Cokely no 
tivesse morrido naquele momento, e me parado."

A maneira que Cokely morreu, navalhado, pela mo de sua 
prpria neta, para Mulder parece uma recompensa eqitativa 
do mal que ele criou e proliferou.

"No caso dele, justia foi feita" ele murmura. "Embora eu 
gostaria de poder ressuscitar aquele filho da me por mais 
isso aqui."

"Agente Mulder, voc acha que meu filho est sendo afetado 
da mesma maneira que eu?"

"Acho que pode ser possvel, B.J, mas no tenho certeza" ele 
fala, manso, honesto.

"Ento ele  um alvo! Meu Deus, ele no est seguro como eu 
estou! Ele est l fora, uma criana, sentada como um pato-"

Apoiando pela mesa, ele procura acalmar e confortar sem 
chegar muito perto. Mulder acena para o guarda antes de 
colocar a mo sobre a dela, pressionando de leve para faz-la 
ficar quieta e se controlar. "O Tenente Tillman est de olho 
nele. A agente Scully e eu o vimos ontem. Acho que o risco  
mnimo. Mas, ns temos outra coisa mais complicada para pensar 
no momento." 

A face dela ameaa esmigalhar  verdade inexorvel, mas ela 
fica sentada, ereta, resoluta.

"Eu sei o que voc vai dizer - se no sou eu... e eu rezo 
para que no seja meu pequeno menino... ento, =quem= mais 
poderia ser responsvel pelo ataque mais recente? E j que 
ns somos os nicos descendentes vivos, =como= isso poderia 
estar acontecendo?"

* * * * * * * * * * * *

Residncia de DiAngelo
5 de novembro de 2000
6:35 da tarde

Gwen DiAngelo estava no fogo, pensando em como seu dia 
tinha ficado to horrvel.

Natalie no estava falando com ela. No desde que ela falou 
pelo telefone sobre apertar a mo do agente bonito do FBI 
no hospital, sobre se encontrar com ele, e o pior de tudo 
- falar sobre o bvio afeto dele para com sua parceira. 

Nem mesmo nesta manh, quando ela ligou de novo, tentando 
ajeitar as coisas. "No brinca" Natalie fumou. "Que diabos 
voc pensa que sabe, Gwen, hein? V se juntar ao resto dos 
perdedores!"

E ento Alice. Com certeza haviam outros que poderiam ficar 
no lugar de Gwen na prxima semana, no trabalho voluntrio, 
pois ela faria um favor ao Tenente Tillman, e tomaria conta 
do filho dele to em cima da hora. Bem, no era exatamente 
um favor... est bem claro que ele pretende pagar pelo 
incmodo dela, algo que as horas dentro do hospital no lhe 
do. 

Embora ela saiba que Alice gosta muito do trabalho dela com 
a equipe mdica e com os pacientes, ela no estava preparada 
para o tom frio cortante de desaprovao dela. Mas Alice 
Marshal era uma velha; pessoas velhas no gostam de surpresas 
que estragam seu planejamento.

Quem mais ela poderia irritar a esta hora do dia?

A iluminao da rua comea a acordar no meio fio. Que pena 
que Tony foi chamado para trabalhar no domingo, sobre um 
problema de software na companhia. Mas pelo menos ela vai 
ter mais tempo para deixar o molho do espaguete no fogo 
por mais tempo, do jeito que a me dele, italiana, tinha 
ensinado pra ela. Da maneira como ele gostava.

E Benjie Tillman foi um menino de ouro. Quieto como Natalie 
o descreveu na festa. Graas a Deus. Ele agora estava quieto, 
no tapete da sala, com aquelas peas de Lego, construindo 
algumas peas, junto com outros brinquedos que ele trouxe. 
Mas ele estava criando caminhes, carrinhos, com rodinhas e 
tudo, com pra-brisas, e at pessoas. Que bonitinho. Ela 
queria saber se Tony brincou com Legos quando era pequeno...

Ela pra de mexer no molho para ajudar Benjie com o casaco, 
para que ele possa brincar nos brinquedos enferrujados que 
os donos anteriores deixaram quando se mudaram. Algum dia 
ela teria um filho, que poderia us-lo tambm. Mas agora, 
seria o menino com rosto rachado que brincaria at ficar 
muito frio e escuro. O tenente estaria aqui para peg-lo, 
dentro de uma hora. 

"Tenha cuidado... e fique no jardim, certo?" Mudo, ele acena 
com a cabea. Ela liga a luz da varanda, e fecha a porta de 
vidro contra o ar frio, vendo ele ir para o escorregador.

Depois de mexer um pouco mais no molho, ela coloca a colher 
de lado, indo para a sala escura. Melhor limpar a casa antes 
que Benjie v embora, e que Tony chegue. Ela se ajoelha no 
tapete para colocar os brinquedos na caixa, olhando as peas 
mais bem feitas e complicadas. Incrvel o que eles faziam 
para as crianas brincarem nestes dias. Pequenos carros, com 
grades e faris. Cercas pequenas. Plstico transparente para---

O golpe atrs da cabea dela a aturde, atingido-a de lado. 
Ofegando em dor e terror ela tenta gritar, mas  silenciada 
por outro golpe forte no mesmo local. Ela no v nada, a no 
ser escurido, sentindo nusea, medo, e dor inconcebvel.

E em algum lugar, uma voz paira - severa e horrvel, enquanto 
ela lutava dentro e fora da conscincia. " =sua= vez para 
levar a culpa... pequena irm..."

Com um golpe final, a escurido a reivindica.

* * * * * * * * * * * *

Fim do Captulo 7

SEEDS 08
BY MOUNTAINPHILE

* * * * * * * * * * * *
Captulo 8
* * * * * * * * * * * *

Gainesville, Nebraska
5 de novembro de 2000
7:02 da noite

No sobrou nada da casa de dois andares da fazenda, agora 
um esqueleto negro. Um incndio antigo, pela aparncia, e 
Mulder no estava nem a se a causa foi um raio ou um 
incndio premeditado. S parecia estar certo encontrar o 
ltimo lugar de Harry Cokely totalmente queimado, runas 
com aparncia do inferno.

O vento sopra, amargo, vindo do noroeste, chicoteando o 
casaco dele ao redor de seu corpo, movimentando seu cabelo. 
Longas distncias solitrias se espreguiam em todas as 
direes, cortadas por estradas de terra e rvores desfolhadas, 
frias. Ele j viu muitas milhas vazias hoje, e sente uma 
calma satisfao quando o cu escurece e comea a ficar 
cinza no horizonte.

Mulder est numa viagem indireta para se reunir a Scully 
em Aubrey, onde ele pode se aquecer de novo no calor dela, 
e sentir sua presena estabilizadora. Depois de passar um 
dia dentro de um hospital-priso psiquitrico, tentando 
adivinhar os poderes paranormais de uma ex-policial que 
virou assassina, ele est doido para encontrar a Constncia 
que vai achar em sua parceira.

Cheirando a parte de trs de seus dedos, ele ainda pode 
cheirar sua fragrncia uma lembrana da recente intimidade 
deles. Ele sente sua virilha se movimentar  lembrana. 
Moldado. Ele gosta do som desta palavra, quando  relacionada 
com Scully e sorri ao vento, lembrando-se da rplica 
explcita ontem de manh, no carro.

O barulho do celular o faz saltar. Pegando o objeto do bolso, 
ele coloca perto da boca. "Mulder."

"Sou eu" ela fala, mas a voz no est quente, e nem muito 
menos lhe d boas vindas. "Mulder, onde voc est?"

"Desculpe no ter ligado. Estou aqui fora, na pradaria 
solitria, onde os coiotes uivam e o vento sopra livre... 
bem em cima do que sobrou da antiga residncia de Harry 
Cokely. Algum queimou isso aqui tudo, Scully. Estou 
falando de carvo."

"Voc precisa voltar aqui imediatamente." A voz urgente 
aumenta o radar de Mulder. "Aconteceu um assassinato."

O xingamento dele  sufocado por uma sbita rajada que o 
faz virar de costas. "Quem?"

"Gwen DiAngelo. O marido dela veio pra casa h uns dez 
minutos, e a encontrou. Estou aqui com Darnell e o legista. 
Rua Laramie, 17, Sterling. Uma rua depois de Tillman."

Tremendo, ele sobe no carro, sentindo um n na barriga. 
"Onde est Tillman?"

"Foi procurar Benjie. Gwen estava tomando conta dele na 
casa dela. Eles tinham combinado isso ontem  noite. Quando 
o marido chegou em casa, Benjie estava desaparecido."

"Merda! O M.O--?"

"Do que vejo, igual a 94. S muda a data, Mulder."

* * * * * * * * * * * *

Residncia de DiAngelo
5 de novembro de 2000
7:49 da noite

Mulder no localiza a casa pelo endereo que Scully lhe deu, 
mas pelo brilhar e girar das luzes dos carros de polcia. 
Uma multido apimenta o gramado e a calada, os vizinhos 
vestidos em casacos e chapus, sussurrando atrs da fita 
amarela que os mantm  distancia. Parece uma festa de rua 
que acabou mal e o nmero 17  o centro das atenes.

No h necessidade para ele mostrar o distintivo. Vrios 
oficiais o reconhecem da visita de sbado na delegacia e 
deixam-no entrar. O fedor da comida queimada o atinge na 
cara, apesar da porta aberta e do ar frio da noite, fazendo 
os cmodos estarem com a temperatura perto do ar livre.

Horroroso, ele pensa, e inimaginvel como algum podia 
invadir o porto seguro de uma mulher adorvel como Gwen 
DiAngelo com a inteno de mat-la enquanto ela tomava 
conta de uma criana. O corpo no estava mais l, apenas 
a fita marcando o esboo do corpo, e o sangue no tapete. 
Mulder pra por um momento para ver a confuso sobre o 
monte de pedaos de plsticos coloridos, alguns espirrados 
com sangue, enquanto outros permanecem quietos, como 
fragmentos de confete.

Ele encontra Scully na cozinha, supervisionando a coleta 
de evidncias. Ainda usando o casaco, e luvas de ltex, 
ela abaixa-se para conferir com Darnell o que estava sobre 
o cho. O detetive olha para onde est o indicador dela, 
e que tinha pego sua ateno.

"Cheguei aqui o mais rpido que pude" Mulder fala, olhando 
para o alvoroo de policiais que espanam impresses e 
evidncias na panela chamuscada no fogo, e na porta de 
correr aberta. "Estou surpreso por voc no ter ido com o 
corpo."

Scully fica de p e vai at ele, para um canto na sala 
de estar, fora do alcance da voz dos outros detetives.

"Fiz um exame superficial antes dele ser ensacado. O M.O. 
parece consistente com o que aconteceu com as vtimas 
anteriores, at onde posso ver antes de fazer a autopsia. 
Batida, cortada, e a palavra 'irm' escrita no peito dela. 
Igual h seis anos atrs, Mulder."

"Isso ainda no explica o por que voc est aqui" ele 
persiste.

"Eu quis ficar. Com Tillman perseguindo Benjie, eu achei 
que seria mais importante ficar aqui e manter um olho nas 
coisas" ela abaixa a voz e ele se abaixa um pouco, para 
ouvir, o nariz dele quase tocando o cabelo dela. "Darnell 
est chefiando as coisas aqui na ausncia de Tillman... mas 
isso aqui o deixou um pouco melindroso... a violncia do 
ataque e a quantidade de sangue. Eu quis ficar por perto, 
por enquanto."

"Acontece com o melhor de ns", ele diz, impressionado 
pelo tato e sensibilidade dela.

"Foi o que eu disse pra ele. E ns acabamos de ver uma 
coisa na cozinha, Mulder. Um rastro de sangue. Odeio dizer 
isso, mas parece uma impresso parcial dos ps de uma 
criana. Uma impresso."

Ele xinga baixinho, e olha pra ela, notando a testa tensa, 
entendendo o significado de suas palavras. Da cozinha eles 
ouvem um telefone celular, e ento Joe Darnell gritando. 
"Agente Scully! O tenente encontrou Benjie na casa deles. 
Est bem abalado, mas parece estar bem."

"Eu vou", Mulder fala depressa, pegando o cotovelo dela 
devagar, e olhando de novo para seu rosto. Do intenso 
azul de seus olhos, e a maneira impaciente com que ela 
franze o canto da boca, ele sabe que Scully est dividida 
entre permanecer com o detetive enjoado na cena do crime 
e supervisionar a prpria coleta de evidncia, ou acompanhar 
seu parceiro para examinar a criana-suspeita-traumatizada 
rua abaixo. "Quando eu precisar de voc, eu te chamo sem 
falta. Eu posso compensar por estar incomunicvel desde 
esta manh?"

Ela lhe d um olhar nivelado, sobrancelhas erguidas, e sem 
falar nada, volta para a cozinha. Um policial de Aubrey 
a impede de ir mais adiante, lhe mostrando alguma coisa 
e lhe fazendo uma pergunta. Depois de olhar para a sala, 
fazendo uma ltima varredura visual, Mulder sai pela porta 
da frente, dentro da noite.

* * * * * * * * * * * *

Quando a ligao falou que a chamada era da Rua Laramie, 
17, Tillman sentiu puro terror.

Seu primeiro pensamento foi pelo bem estar de Benjie e 
no haviam respostas rpidas. Anthony DiAngelo estava 
compreensivelmente histrico, fazendo a ligao de maneira 
quase incoerente de um canto de seu quarto depois de chegar 
em casa e encontrar o corpo mutilado de sua esposa. Ele 
tambm ligou para um amigo pessoal.

Tillman, primeiro  chegar na cena, estava a meros minutos 
do outro policial atordoado que entrou para tirar Tony pra 
fora da casa, e da tragdia. Perguntado sobre Benjie, o 
despojado marido s conseguiu chorar e tremer a cabea.

Ento Brian Tillman fez o que qualquer pai faria quando 
enfrentasse tal emergncia. Ele se apavorou e seguiu seus 
instintos, mas enterrou tudo debaixo de uma face estica. 
Depois de uma procura frentica na casa, e sem sinal de seu 
filho por perto, Tillman mandou que um ofuscado Darnell 
ficasse na cena do crime, investigando, at a chegada da 
Agente Scully. Ento, ele saiu sozinho da casa.

A porta dos fundos estava entreaberta, derramando ar frio 
dentro da cozinha. Ele pulou no quintal dos fundos com a 
lanterna, procurando de um lado para o outro. Balano. 
Quartinho. Pedras e a sempre presente pilha de madeira. 
Nenhum sinal da criana dele curvada, e cheia de medo.

Seqestrado? No - ele sentia nos ossos que Benjie simplesmente 
tinha corrido, apavorado com a cena. Ele era rpido para 
uma criana da idade dele, e bem coordenado. Um garoto de 
verdade. Benjie fugiu e se escondeu com a instintiva 
habilidade de uma jovem e amedrontada criana.

("Acho que voc no precisa realmente pegar um nibus, no 
? Aposto que voc consegue andar muito bem sem ele. Tenho 
a sensao de que voc conhece esta cidade como a palma de 
sua mo...")

Inexplicavelmente, as palavras de Fox Mulder voltaram  sua 
mente, enquanto ele continuava a correr pelo jardim escuro 
at a calada, procurando rua abaixo. Durante a entrevista 
de ontem, ele queria terminar com toda a pretenso do agente 
curioso. Agora, ele est irritado pelo fato de que Mulder 
sabia e sentia coisas sobre seu garoto - coisas que ele, 
seu prprio pai, nunca incomodou-se em notar ou reconhecer 
antes.

Deixei de notar muitas coisas, ele pensa, angustiado, comido 
pelo medo e lamentando, enquanto corre e procura. Seu filho. 
Sua esposa. A inabilidade dele em deixar o passado ir embora...

Ele sente as mos frias, mesmo dentro das luvas de couro, 
e suas botas deslizam no cho congelado. Seu pulso est 
rpido. A ltima coisa que ele precisa neste momento  
ter um ataque do corao no meio do barro, de noite. E 
decepcionar seu menino miseravelmente...

Ele sente a garganta ficar seca, como carne queimada, e 
pra na calada para respirar, olhando quanta distncia 
ele correu, por quantos jardins ele procurou e ento 
calcula quanto mais tem  frente. Ele quer saber quanto 
tempo Benjie demorou para percorrer tanta distncia.

A casa dele era um alvio, uma silhueta plida ao luar. 
Lotes vazios ao seu redor, algo que Janine estava 
contente, no tendo vizinhos por perto. Ele empurra o 
porto e entra pela porta da frente.

Escurido total. Ele liga as luzes, chamando seu filho, e 
sobe as escadas rapidamente. O quarto de Benjie est vazio, 
mas ele confere dentro dos armrios e embaixo da cama. Ele 
procura na casa, ligando as luzes, chamando. Enrgico, ele 
tropea e sente um puxo no tornozelo, e xinga a prpria 
idade e as limitaes de seu corpo.

Nada l embaixo. Indo pelos quartos, ele termina na cozinha, 
onde esto os copos que Janine deixou, espalhados no fundo 
da pia, e ento vai para a sala de costura. Ele liga a luz 
da varanda e sai pelo quintal dos fundos levemente iluminado.

"Benjie!"

Com o grito ecoando pela noite, e correndo, ele tropea 
pela pilha de madeira e bate a canela contra as cordas que 
ele empilhou no ms passado. A dor o atinge, fazendo-o 
dobrar na cintura e fazer careta. Maldio, como isso di! 
Ele provavelmente machucou a perna, mas precisa continuar. 
No pode parar at encontrar---

"Papai..." A voz, minscula e borbulhante, faz Tillman 
empurrar a cabea, olhando ao redor. Perto, mas onde?

"Benj?"

"Papai!"

"Oh Deus, filho!" Atrs do pequeno quartinho, ele encontra 
seu filho abalado, dobrado como uma bola, to pequeno que 
quase nem dava para v-lo. Respirando fundo vrias vezes, 
Tillman pega seu filho trmulo nos braos e o tira dali. 
Ele manca de volta pra casa com uma onda final de adrenalina, 
e ambos saem do ar frio e gelado da noite.

* * * * * * * * * * * *

O telefonema de Mulder no s  uma suspenso bem-vinda do 
trabalho deprimente e sujo da cena do crime, mas porque a 
mente de Scully tem pensando em outras coisas nos ltimos 
dez minutos.

Ela confere com Darnell e ele parece estvel, mais controlado. 
Com um agradecimento e um grato sorriso, ele diz para ela 
ir onde precisa antes de voltar  tarefa. Outro policial 
oferece-se para deix-la na casa de Tillman.

Poucas luzes iluminam a casa. Ela bate na porta e chama 
alto, abrindo a porta para seguir a voz de Mulder. Na 
cozinha, Benjie est sentado no balco, de jaqueta, as 
pequenas pernas oscilando. Brian Tillman paira prximo 
ao seu filho, protetor e carrancudo, enquanto Mulder coloca 
no balco um copo de gua que o menino acabou de recusar.

"Como ele est?"

Antes que eles possam responder, ela acotovela o pai suavemente, 
abrindo espao para poder examinar a criana e avaliar sua 
condio. Ela esperava um estado de choque psicolgico, mas 
ela no encontrou a viscosidade extrema e a pele plida que 
se v em tais casos. Os olhos de Benjie esto arregalados 
e midos, mas ele parece tranqilo para ela, que faz um 
exame cuidadoso e apressado. Ela percebe, num estalo, que 
esta  a primeira vez que o menino permitiu o toque dela.

"Ele estava l fora" Mulder explica. "To entalado no quartinho 
que o tenente quase precisou de um p de cabra pra tir-lo 
de l. Uma criana-borracha."

Enquanto ela trabalha com Benjie, sussurrando perguntas pra 
ele sobre sua condio fsica, ela nota que o olhar afiado 
de Tillman para seu parceiro, e sente, pela primeira vez, 
a tenso que crepita entre os dois homens. Conhecendo Mulder, 
ele pulou com os dois ps sobre fazer perguntas a esta 
criana sobre os eventos na casa de DiAngelo. E tendo 
aprendido um pouco sobre Brian Tillman, ele provavelmente 
reagiu com veemncia e negao, querendo proteger seu filho 
da intruso.

"Benjie, voc vai ficar bem" ela fala, calma, a voz tranqila, 
inclinando a cabea at estabelecer contato direto com os 
olhos da criana no balco. "Em alguns minutos seu pai vai 
poder te colocar na cama ou deixar voc deitar no sof.  
importante que voc fique quietinho por algum tempo, e 
descanse, ok?"

O pequeno menino acena com a cabea, e ela urge para que 
ele tome um gole de gua. Ele pisca, esfrega um olho, e 
quando ele consente, Scully sente-se inchar com satisfao.

"Voc j fez perguntas pra ele?" ela vira para os dois 
homens, e olha de um para outro.

Mulder responde primeiro. "No muito."

"Agora no  hora" Tillman assobia.

"Agora  a melhor hora" Mulder fala, firme. "Enquanto as 
memrias esto frescas na cabea dele."

Ela enfrenta Tillman, esperando baixar a guarda do homem 
usando razo e um tom de voz mais suave. "Agora  a melhor 
hora, tenente, mesmo que seja difcil. Fisicamente, Benjie 
parece estar bem. Emocionalmente, compartilhar o que ele 
viu pode at ser melhor para ele. E o que ele nos contar 
esta noite poderia ser crucial em definirmos quem  o 
responsvel pelo que aconteceu."

O homem esfrega uma mo sobre o rosto e bigode dele, 
aparentemente dividido entre as obrigaes que jurou cumprir 
como policial, e sobre as obrigaes de um pai ansioso, 
preocupado com o bem estar de seu nico filho. Levando 
em conta da informao confidencial que ela conseguiu de 
Darnell esta manh, ela sente a profundidade da indeciso 
que atormenta Tillman no silncio que se segue.

"Ns s buscamos a verdade... e por favor, acredite que 
no vamos forar seu filho a nada" ela o assegura, olhando 
para Tillman, e para Mulder, e de volta no tenente.

"Tudo bem" ele murmura para Scully, como se esperando que 
fosse ela que fizesse o interrogatrio. "Mas pega leve."

Ela pisa de volta pra Benjie, ao lado do pai, para que seu 
parceiro possa ter acesso irrestrito  criana. Mais uma 
vez ela confia, atravs de instinto, que Mulder pode ter 
um ngulo melhor sobre a situao, j que ele falou com 
B.J. horas antes. No importa o quanto Tillman possa 
protestar de novo --- Mulder j estava na posio certa, 
e encara o menino, como tinha feito na manh anterior.

"Dia difcil, hein?" ele bate no joelho de Benjie e recebe 
um aceno trmulo como resposta. "Eu vou te fazer algumas 
perguntas, e quero que voc responda o melhor que puder. 
Como ns fizemos antes, ok?"

Com temor e um pouco de emoo, Scully assiste a conexo 
sem igual que lentamente se forma entre Mulder e este 
pequeno e estranho menino, nesta cozinha, os olhos deles 
fixos, as respiraes quase sincronizadas.


"Benjie", ele diz com gravidade quieta, "Mesmo que eu odeie 
fazer isso, eu tenho que fazer esta pergunta... voc machucou, 
de alguma forma, a Sra. DiAngelo?"

O menino arregala os olhos, com medo, mas ele responde com 
um tremor negativo da cabea.

"Certo, isso  bom. Ento, me conte... voc viu outra pessoa 
machucando ela?"

Os olhos de Benjie, ainda largos, vo para a janela da 
cozinha, e Scully, seguindo o olhar dele, simpatiza com 
sua parania infantil - medo de ser escutado e procurado 
por quem cometeu o horrvel ato de que ele, sem dvida, 
testemunhou. Esperado e compreensvel. "Est tudo bem, 
querido" ela acalma. "Ningum pode te ouvir, a no ser ns."

Ele engole, e ento acena com a cabea.

Mulder apoia adiante. " algum que voc conhece? Algum 
que voc conhece nesta cidade?"

Um tremor.

"Voc viu um rosto?"

Outro tremor negativo.

A voz de Mulder fica baixa. "Certo. Sem rosto. Ningum que 
voc conhece por aqui. Ento, me conte a verdade, Benjie... 
 algum, ou alguma coisa, que voc j viu antes? Talvez 
no nibus da escola?"

"Pelo amor de Deus!" Tillman fica furioso ao lado deles, 
mas fica imediatamente calado quando eles vem o aceno 
inegvel do menino, hesitante, consentindo.

"Falou com voc?"

Ela atira um olhar de advertncia para seu parceiro, 
querendo gui-lo. Mas, quando Benjie respondeu com um 
quase indistinguvel, mas audvel "Sim", a pele dela fica 
arrepiada.

"Em voz alta? Com palavras? Ou dentro da sua cabea?"

A compostura do menino fica debilitada. Ele comea a se 
desmanchar diante deles como um castelo de areia na beira 
do mar, esfregando os olhos, obsessivamente, o lbio inferior 
se estendendo para um preldio de lgrimas. Ele olha para 
o agente, e d de ombros.

"Mulder, acho que  o bastante para uma noite" Scully fala, 
rpido, se aproximando da criana enquanto o menino cobre 
o rostinho com as mangas da jaqueta de inverno. Scully toca 
a cabea de Benjie, arrepiando as mechas grossas com dedos 
confortantes. Batendo de leve no joelho do menino, agradecendo, 
Mulder pra, como se sentindo a direo que ela est preparando 
para gui-los antes da partida deles.

Palavras so uma coisa, aes so outra. E o que ela est 
para pedir pode romper qualquer confiana que eles ganharam 
hoje  noite com pai e filho. Mas ela tem um dever a cumprir, 
e leva a mo at o tornozelo do menino.

"Tenente, Benjie tem outro par de tnis? Algo que ele usa 
sem ser este?"

"Acho que sim. Por que?"

S a viso do saco plstico enorme de evidncia que Scully 
tira do casaco  o suficiente para Tillman explodir. "Cristo, 
agente Scully! Voc ouviu o que o menino disse. Ele no teve 
nada a ver com isso, droga!"

"Por causa de certa evidncia que encontramos na cena,  
necessrio fazer isso, para cobrirmos todas as bases. Isso 
 rotina. Tenho certeza que voc pode entender e cooperar 
conosco."

Ela desamarra os tnis e os tira dos ps do menino, sentindo-se 
cruel e criminosa quando v os pezinhos em meias grossas. 
Colocando o tnis no saco, ela nota sangue e um rasgo na 
parte de baixo da canela de Tillman. "Com licena, Tenente 
- voc est ferido?"

"Eu--" Pego fora de guarda, ele olha pra baixo, para o 
ferimento, e ento mexe a perna para testar a dor. A careta 
resultando diz para Scully tudo que ela precisa saber. "Eu 
tropecei no jardim, procurando por Benjie, e ca sobre a 
pilha de madeira..."

"Posso tratar disso? Sou mdica, lembra?"

Ficando vermelho, embaraado, ele recusa e volta a dar 
ateno para o choro urgente e suave do menino.

Com o casaco aberto, Mulder chega nela por trs. Ele 
oscila uma pea que Benjie deixou cair, usando o polegar 
e o indicador. "Tem outro  mo a, Scully?"

"Um, sim..." Ela apalpa no bolso, pega um saco menor e 
coloca ali a pea manchada. Uma sujeira escura, como 
sangue, e igualmente sinistra. De novo ela sente frio.

"S esperem um minuto, antes de comearem a tirar concluses 
aqui" Tillman interrompe. "Isso deve ser meu, quando levei 
ele na casa-"

"Ns vamos descobrir logo" diz Mulder severamente.

O que o menino est pedindo para o pai? Scully escuta a 
conversa chorosa, emudecida, e ouve Tillman murmura, "No 
se preocupe sobre isso... ns podemos comprar outro depois, 
garoto. Tudo bem?"

Cores de arco-ris arremessados pelo tapete, espirrados com 
sangue na cena do crime. Peas de Lego. O corao dela afunda. 
O brinquedo favorito de Benjie, agora ensacado como evidncia 
e afastado de uma criana que faz do brinquedo um dos seus 
maiores prazeres e conforto, alm de estabilidade procurada 
depois de um trauma como esse.

No fundo de sua mente ela escuta Mulder aconselhando Tillman 
a permanecer em casa, e cuidar da segurana do filho. Ele 
poder monitorar a investigao e fazer o trabalho burocrtico 
depois do retorno da esposa dele, ou quando o assassino for 
levado em custdia. Alm disso, eles precisam falar com a 
Sra. Tillman o mais rpido possvel...

Enquanto Mulder fala, ela localiza sua viso no menino, 
ainda sentado no balco. Ela  golpeada com a resistncia 
e fortaleza das crianas em face ao perigo e dureza 
inexplicvel do mundo para eles. Mas nada a prepara para 
a transformao que ela v quando focaliza na expresso 
apertada, estica de Benjie. Aflita, solene, to solene 
e paciente...

...a pequena testa suada, cabelos macios, como os de um 
beb, bochechas molhadas e coradas. Olhos azuis brilhantes 
pela febre, enfrentando Scully com mgoa sbita da traio. 
("Mame disse que no ia ter mais testes")

Uma objeo frgil, nascida de dor e confuso que ameaa 
dominar novamente... o corao de Scully afundando ao ver 
o medo nos olhos jovens. Querendo poup-la deste sofrimento, 
esperando que os testes que ainda viriam pudessem salvar 
esta preciosa vida.

Voz lenta e firme, Dana... assim ela no vai sentir sua 
inquietao. Meu Deus--voc pode at mesmo dizer isso, sem 
demolir? --*criana*... ("Ns s queremos que voc fique 
melhor.  para isso que servem os testes.") Minha prpria 
e pequena amada. Oh, Deus---

Ela pula ao sentir um aperto no cotovelo e o cmodo volta 
 viso normal e o som suave de Brian Tillman que murmura 
para o filho dele na luz amarela da cozinha. Mulder est 
ao lado dela, os olhos fundos e questionadores, esquadrinhando 
o rosto dela quando ela empurra o queixo pra cima, pra ele. 
"Voc est bem?"

"Claro" ela olha para baixo, para os sacos de plsticos 
apertados por seus dedos tensos. Ele pra perto, sem estar 
convencido, e ela luta para manter a pose, e no corar. 
"Estou bem, Mulder. Vamos levar isso logo para Darnell" 
ela fala de repente, brusca. "J acabamos aqui?"

A pergunta, ela percebe, s reflete como ela esteve fora 
da situao durante os ltimos trinta segundos. Com calma, 
ele se aproxima de Tillman para se despedir. Mulder, seu 
parceiro em tantas maneiras. Cuidando de sua retaguarda, 
e escondendo de todos sua dor pessoal, agora imprevisvel 
e crescente como uma bola de neve. Protegendo-a. Ele tem 
que saber, tem que ter sentido o que tinha acontecido...

No era de se admirar que ela amava tanto este homem.

* * * * * * * * * * * *

Edmond, Nebraska
5 de novembro de 2000
8:32 da noite

O vento surge, batendo no lado da casa em bravas rajadas. 
Do andar de cima, ela pode ouvir as janelas batendo, mesmo 
fechadas, rachando como a dor de seus velhos ossos. Metodicamente, 
ela checa cada armrio, fechadura, e cortinas de cada janela 
contra a escurido do lado de fora. 

Descendo, ela anda mais rpido do que suas juntas aflitas 
podem lev-las. Muitas lembranas desagradveis habitam seu 
espao, e a fora dos horrores de seu passado, e resultantes 
de seu passado voltam, assim como os ossos enterrados daqueles 
dois agentes do FBI.

No primeiro andar est o rdio de seu marido falecido, a 
esttica assobiando o tempo todo. O canal da polcia.  a 
nica coisa que ela escuta, e o motivo dela manter o rdio. 
O sistema de advertncia para sua paz de mente. Um alarme, 
saber o que est acontecendo em outro lugar, antes que possa 
acontecer a ela, como a tragdia de hoje  noite.

Depois de espiar por uma janela os fundos de sua casa, ela 
abre a porta dos fundos e chama o cachorro, Chefe, que 
aparece com um ganido obediente, e entra, e ela fecha 
e coloca barras na porta.

Velas de emergncia, fsforos, e lanterna na mesa de centro. 
Caf quente  mo. Finalmente satisfeita, ela escuta tudo 
durante um minuto antes de sentar no velho sof, de frente 
para a televiso, e para a porta da frente.

Ela ficar vendo enquanto as luzes somem, e o som aparece, 
e o cachorro ficar no cho, a seus ps. Ela coloca um 
cobertor grosso sobre o colo, e sente o cabo do revolver 
velho que mantm escondido sobre o cobertor. 

Ela no vai dormir, no depois de ouvir sobre o assassinato 
de DiAngelo na freqncia policial. Mesmo no sabendo os 
detalhes, ela sente nos ossos que faz parte e tem parcela 
de culpa no que aconteceu a pobre Viola - e para todas as 
outras h seis anos atrs. Por que ento os nomes de Mulder 
e Scully seriam mencionados no rdio, de novo?

E meu Deus, meu Deus, ela lamenta - este vento terrvel 
soprando no ajuda. E mesmo que seus poucos vizinhos 
estejam pertos, eles ainda esto longe o bastante se algo 
inesperado e terrvel acontecer de fato.

Vai ser uma longa, longa noite.

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SEEDS 09
BY MOUNTAINPHILE 

* * * * * * * * * * * *
Captulo 9
* * * * * * * * * * * *

Hospital Memorial
5 de novembro de 2000
8:35 da noite

Ela e Mulder se separam depois de sarem da casa de Tillman. 
Ela sabe que ele pode cheirar como um co a cena do crime, 
com Darnell e sua equipe, mas primeiro ela precisa que ele 
a deixe no necrotrio no Hospital Memorial.

Usando a sugesto do legista, ela usa a entrada dos fundos, 
contente por evitar o brilho do salo de entrada, mais 
pblica e as reas de emergncia. Embora seu objetivo  
examinar algum recentemente morto - nunca uma tarefa 
agradvel -  muito bom no entrar no meio de melodramas 
familiares nas emergncias, e melhor ainda entrar nas 
paredes imaculadas, cromadas, refrigeradas e autnomas 
que ela conhece muito bem.

Hic locus est ubi mori gaudet succurre vitae. "Este  o 
lugar onde a morte ensina aos que esto vivo para ficarem 
alegres." As palavras paradoxais so ditas para novos 
estudantes de patologia em Quntico. Ela reflete nessas 
palavras e sobre h quanto tempo a medicina abasteceu 
seus sonhos para abraar um propsito mais alto, e mais 
nobre em sua vida.

Uma premissa alta, ela pensa, mas dificilmente precisa ou 
eqitativa. Morte, a grande niveladora, demanda anonimato e 
a supresso do que Scully considera a personalidade inata 
da pessoa. Morte rouba identidade, dignidade. Sem esprito e 
alma, a concha corprea  deixada pra trs para o propsito 
do patologista forense - para cavar dentro, resolver os 
mistrios do falecimento suspeito e intempestivo.

Ela j comea a assumir a dissociao necessria para lidar 
com o morto. Nomes significam pouca coisa; uma etiqueta no 
dedo do p normalmente  o suficiente para que ela saiba 
que tem o cadver correto sobre a mesa de exame. Porm, 
hoje  noite o corpo est muito fresco, muito morno; ela 
no gosta de executar esta autopsia, nem mesmo o exame 
externo na vtima conhecida como Gwen DiAngelo.

O legista solicitado por Scully para auxili-la est de 
p ao seu lado, srio, mas disposto. Eles colocam luvas 
e mscaras, e ela liga um pequeno gravador. Abrindo a bolsa, 
ela comea a monotonia de sua prpria assinatura. Testes 
de sangue, raspas de unha, verificando e tirando a roupa, 
e padro de ferimentos. Eles trabalham juntos, tirando 
fotos rapidamente, colhendo fluidos externos, cabelos, 
fibras e outras evidncias para testes imediatos no 
laboratrio. Vrios e pequenos pedaos amarelos e azuis 
esto presos no sangue coagulado no cabelo e ferimento 
craniano da mulher.

"Nunca vi nada assim antes" o legista fala, e ela acena 
com a cabea para ele retirar os poucos brinquedos que 
uma vez foram de Benjie.

"Voc conhecia esta mulher?"

Ele se apoia contra a beirada da mesa, cotovelos nus, antes 
de responder. "Tinha visto ela vrias vezes aqui no hospital, 
enquanto eu trabalhava. Gwen era uma das voluntrias de Alice, 
muito gentil com todo mundo. Espero que voc e seu parceiro 
peguem o desgraado que fez isso... isso  tudo que tenho a 
dizer."

Eles retiram os sapatos e as roupas da parte baixa do corpo. 
Ento, seguindo rotina de procedimento, ela usa cotonetes 
para coletar amostras vaginal e retal, examinando a genitlia, 
procurando sinais de dano ou penetrao forada. Nada do que 
ela v  incompatvel dentro dos parmetros de uma normal, 
seno enrgica, vida sexual. Seus achados levantam a pergunta 
do que resultaria um exame da prpria vagina dela, o que 
seria revelado debaixo de um ntimo escrutnio, considerando 
o treinamento que ela tem recebido durante os ltimos dias 
atravs de Mulder. Ora...  melhor tirar essa idia da equao 
neste momento.

Autpsia completa fica programada para acontecer na manh 
seguinte, depois que os auxiliares tirarem, pesarem, lavarem 
e radiografarem o corpo. Terminando, ela limpa as mos e 
antebraos, troca de roupa e pega o celular do bolso do casaco.

"Mulder, sou eu. Acabei de terminar. Quer me pegar?" 

"J fiz isso ontem  noite" ele murmura de volta, no perdendo 
uma batida. "E foi excelente, do que me lembro."

" melhor voc estar sozinho" ela ralha, sussurrando, 
olhando pela sala. O legista, graas a Deus, no est l 
para testemunhar sua hesitao e bochechas coradas. Ela 
pode ouvir Mulder rindo pelo celular, sabendo que ele adora 
ver a derrota dela.

"O nmero um ainda  o nmero mais solitrio de todos. S 
no posso parar com isso" ele diz, em falsa desculpa. "Srio. 
Voc est com fome?"

"Eu acho que posso comer... contanto que voc no esteja 
pensando em hambrgueres encharcados no leo, e rootbeer."

"Ei." Ele pausa. "Ouviu isso, Scully?"

"O que?"

"O Drago Imperial est nos chamando. Se eles ainda estiverem 
servindo, acho que podemos ir por um suculento prato do Oriente. 
Alm disso, eu adoro comer minha comida com pauzinhos. E voc?"

Sorrindo no telefone, ela diz pra ele correr para o hospital, 
rpido.

* * * * * * * * * * * *

Residncia de Tillman
5 de novembro de 2000
9:20 da noite

Depois desta noite ele poderia tomar um drinque bem forte, 
Brian Tillman decide, ajudando seu filho, que acabou de 
tomar um banho, a colocar o pijama.

Mas ele no faz isso, por causa de Benjie. A ltima coisa 
que o menino precisa  ver seu pai caindo no mesmo vcio 
da me dele. Ou, para ser mais preciso, sua madrasta, que 
se ressente com este papel usado por cinco anos.

Ningum respondeu na casa da irm dela, quando ele ligou, 
e isso o deixou perturbado.

Mas ele est satisfeito ao ver que a pele de Benjie est 
muito melhor. As recomendaes dadas pela agente Scully 
pelo telefone - banho morno, loo antibitica, roupa de 
algodo macia... Janine podia ter feito coisas to simples. 
Ele se culpa por no ter monitorado a situao mais de perto, 
e colocar o destino de seu filho, e suas necessidades 
especiais de sade nas mos de uma guardi ambivalente. 
A prpria esposa.

Ele realmente tinha abdicado a responsabilidade? Ele assumiu 
que, quando Benjie entrasse na casa deles, que Janine se 
tornaria a me exemplar de Sterling. Mulheres possuem este 
instinto para maternidade, inata, dentro delas, certo? Deus, 
ele se enganou tanto! Eles sempre planejaram ter crianas, 
ento ele achava difcil pensar no ressentimento de Janine 
ao criar um beb que no era dela. E cada vez que ele 
checava pra ver se ela estava cuidando direito dele, ela 
ficava mais defensiva e fechada.

Tillman gostaria de saber como as coisas seriam agora, se 
BJ no estivesse to seriamente afetada e cometido homicdios. 
Ele tem dvidas se ela teria aceitado a idia dele sobre o 
aborto, escolhendo pedir transferncia para outra cidade e 
delegacia, e cuidar do beb sozinha. Mas, no fim das contas, 
foi ele quem saiu de licena para esperar os resultados das 
investigaes e cuidar de Benjie logo depois que ele nasceu. 
Felizmente os tribunais aprovaram os dois pedidos dele: 
adotar a descendncia de um criminoso conhecido - e seu 
prprio filho - e voltar ao trabalho na fora policial.

Ele coloca seu exausto filho sobre o sof, cobrindo-o com 
uma manta, e olha para a pequena face dormente. Os olhos 
dela, a boca e queixo dela tambm. Cada vez mais ele sente 
falta de BJ.

Pensando naqueles meses antes de tudo ir pro inferno, ele 
sabia que tinha alimentado as inseguranas dela quando as 
coisas na casa dele ficavam ruins, e ele a procurava. BJ 
era cabeuda e determinada, mas necessitada. E ele, difcil, 
duro. Mesmo assim, ela negligenciou as coisas erradas da 
vida dele, lhe concedendo um porto para repouso e liberao 
sexual.

Bom Deus... h quanto tempo ele levou uma mulher da maneira 
com que ele levava BJ? Com certeza no com Janine - mesmo 
quando eles transavam, era rpido e insatisfatrio. Da parte 
dela, era uma tarefa. Agora, nada durante um ano. Poderia 
levar um homem para outro lugar...


Ele inveja esses homens que constantemente compartilham o 
amor e o corpo disposto de uma mulher que os respeita e 
quer agrad-los. Ele pensa na avaliao bbada de Janine 
sobre os dois agentes do FBI, querendo saber se existe 
alguma verdade na especulao.

Nesse caso, eles so bons demais para esconder o fato. 
Mas a probabilidade existe... trabalhando de perto, como 
parceiros, durante sete anos, compartilhando um trabalho 
perigoso e viajando com freqncia a campo. Uma mulher 
inteligente, atraente como a agente Scully... um homem 
como Mulder. Tillman pode perceber as vibraes agora, 
tendo estado uma vez em uma situao semelhante. Mulder 
era um cachorro de sorte.

Ento, com que freqncia, e onde? No motel da cidade, ele 
presume. E como? Posies, e no lgica. Tillman sempre foi 
bom para despir uma mulher mentalmente, espiando debaixo 
das roupas, mesmo se estiver tudo apenas em sua cabea. 
Voyeurismo mental. Meditando nos charmes secretos que esto 
escondidos da viso.

Sim, ele poderia imaginar tudo, se tentasse. Ele poderia 
se esquentar na viso de uma mulher como a agente Scully. 
Mas agora no  a hora, nem o lugar, no com os acontecimentos 
desta noite, e seu pequeno menino lanado no meio de tudo 
isso.

Ele olha para Benjie, pega o telefone, e liga para sua 
cunhada mais uma vez.

* * * * * * * * * * * *

Restaurante Drago Imperial
5 de novembro de 2000
10:17 da noite

Mulder tem loucura, genes mutantes, e assassino dentro da 
mente quando eles entram no restaurante, e acha que o 
jantar ainda est sendo servido numa base limitada. O 
calor santificado do lado de dentro, e as luzes suaves 
e coloridas lanam sombras azuis ao ambiente, acalmando 
o esprito de Scully, e ela no fala nada sobre as 
fragrncias que flutuam em todas as direes. O estmago 
dele faz um enorme barulho.

Ele podia ver pela expresso de surpresa moderada de Scully 
que ela aprova o local, e ela fixa um passo enrgico enquanto 
eles so levados para a mesa deles. "Esperei do lado de fora, 
no carro, quando voc pediu comida na outra noite" ela fala 
sobre o ombro. "No fazia idia-"

"Yeah. Quer que eu escolha?"

Com cadeiras almofadadas, e tapearia bordada, a mesa deles 
fica num canto, mas ainda assim permite ver o resto da rea 
de jantar com facilidade. Algumas pessoas esto comendo, 
outras esto no bar. Todos adultos, a esta hora. Vrios 
ainda esto na frente, esperando pelas encomendas.

"No temos mais Pato de Pequim" o garom se desculpa, o 
sorriso cheio de dentes enquanto ele acenda uma pequena 
vela no canto da mesa deles. "Est muito tarde. Vocs 
podem pedir, e eu digo se temos ou no como fazer." ele 
olha pra baixo, para Scully.

"Uma sopa de miss e um rolo Califrnia, por favor?"

"Tudo bem. E voc?"

Mulder olha pelo cardpio, lendo. Ah, japons na parte de 
trs. Ele no sabia, mas s Scully mesmo para encontrar 
isso num piscar de olhos. Indo para a primeira pgina, ele 
bate um dedo na escolha. "Galinha Ssamo, arroz frito e 
rolo de ovo."

"Tudo bem. Muito obrigado."

"Cada pedao que voc escolheu vai ser fritado em leo bem 
gorduroso" ela caoa, olhando para o ambiente enquanto o 
garom some.

"E voc nunca vai saber o motivo de todo mundo gostar disso" 
ele devolve.

"Touche. Mas no quero brigar com voc agora, Mulder" ela 
suspira e se apoia no assento dela, movendo a cabea para 
olhar de maneira confortvel para ele. Ele est contente 
por este lugar proporcionar uma conversa mais quieta. E ela 
parece dar boas vindas a isso depois dos trgicos eventos 
da noite. E ele tambm.

"Amantes, no lutadores..." ele sussurra.

Ela pega a isca dele com facilidade praticada. "Precisamos 
nos colocar em dia sobre o que aconteceu durante o dia. 
Conta pra mim sobre sua ida  priso - notei que voc no 
deixou Tillman saber com quem voc passou o dia."

"Ele estava com outras coisas pra fazer. No ia acabar com 
a noite dele."

"Ento, como est BJ?"

Ele no tem certeza como responder a esta pergunta de maneira 
satisfatria. Como ele poderia descrever o que est acontecendo 
com BJ Morrow? "Ainda esperta e cooperativa" ele comea. 
"Aparentemente, ela tem alguma idia do que est acontecendo, 
e j estava atenta de que os elementos paranormais do caso 
dela esto presentes neste aqui agora."

"Voc est dizendo que ela teve uma premonio?"

"Fale no plural - ela est tendo vises desde Quarta-feira, 
na hora do jantar. Exigiu falar com Tillman, o que foi vetado, 
por razes bvias, e ento exigiu falar comigo. Ela fez greve 
de fome para evitar ser sedada e conseguiu fazer isso durante 
trs dias antes que o mdico cedesse e ligasse para o nosso 
escritrio."

Scully senta mais reta no assento, a sobrancelha franzida. 
"Que tipo de premonies?"

Ele espera enquanto o garom serve ch quente, e coloca uma 
xcara perto deles, e ento sai.

"Sonhos e um senso opressivo de mal, como uma presena", ele 
continua, voz baixa. "Vises de sangue e morte. O primeiro 
pensamento dela foi para Benjie, que poderia estar em perigo... 
ou suscetvel ao mal que a est assaltando mentalmente. 
Ns falamos sobre a rvore genealgica de Cokely, e no 
chegamos a nada. Cokely e Raymond Morrow esto mortos, 
e BJ est presa, e no vai a lugar nenhum---"

"De forma que sobra Benjie" ela fala, concluindo. "Um 
pequeno e confuso menino."

"Um menino que pode ser afetado pela mesma fonte sobrenatural 
que a me dele foi. Voc ouviu o que ele disse hoje  noite, 
Scully. Alguma coisa falou com ele na casa de DiAngelo, como 
tambm antes. Quando Viola foi atacada, eu aposto. Alguma 
coisa o puxou at l. Talvez aquela mesma fora estivesse 
espreitando a casa hoje  noite, quando Gwen foi assassinada." 

Scully toma um lento gole do ch, esquentando as mos ao 
redor da porcelana branca. "Isso so muitos 'alguma coisa' 
e muitos 'talvez'. Precisamos de evidncia mais tangvel, 
mais substancial. Pistas definitivas. Infelizmente, tudo 
que temos est incriminando Benjie de alguma maneira."

"Como assim?"

Ela acaricia a xcara com os polegares. "Mulder, eu acabei 
de examinar o corpo de uma mulher que morreu h apenas algumas 
horas. Fratura volumosa do crnio. Acho que foi um objeto 
cego, que foi aplicado vrias vezes na cabea dela. A palavra 
'irm' escrita no trax, como nas vtimas anteriores, mas 
no to funda para marcar a estrutura do esqueleto. E sem 
estupro."

"M.O semelhante ao de 94, ento, mas no de 42, quando Cokely 
foi o responsvel. Ento, estamos procurando por uma mulher, 
possivelmente, como suspeita. Como BJ."

"Talvez. Ou--tanto quanto eu possa menosprezar a sugesto - 
uma criana."

"Quantas crianas do jardim da infncia podem soletrar ou 
mesmo escrever a palavra "irm"?"

"Evidncia circunstancial ganha credibilidade quando no 
existe mais nada com que comparar os fatos. Voc sabe disso. 
Ambas foram mulheres, Viola, e agora Gwen, e deviam estar 
ajoelhadas ou abaixadas na hora do ataque. Na altura de uma 
criana. Foram atacadas, numa hora em que estavam com medo. 
E considerando a maneira, e o nvel do dano infligido... 
dados forenses raramente esto errados."

"Voc no acredita que ele seja culpado" ele respira.

Scully afunda contra o assento, se preparando para a chegada 
da comida deles. Mulder v quando ela esfrega as tmporas 
com dedos cansados. "No, eu no acho que ele seja culpado... 
e eu no quero acreditar nisso, Mulder. Mas tudo dentro de 
mim grita para tal conjectura."

* * * * * * * * * * * *

Motel Conestoga
6 de novembro de 2000
3:06 da manh

Mulder est dentro e fora da conscincia por horas, mais 
acordado do que dormindo.

O sexo no aconteceu depois do jantar, ambos cansados e 
preocupados depois da refeio atrasada. Eles tomaram banho 
e procuraram camas separadas. Ele ergue uma plpebra, e 
olha a hora no relgio do criado mudo, e xinga por dentro. 
Ento, algo - um barulho ou sensao de presena - o acorda 
completamente, e ele focaliza a fonte.

Sentada na poltrona entre a cama e a janela, de roupo de 
cetim, o brilho das luzes de fora mostra Scully, cujo cabelo, 
cor de sangue, faz com que ele fique ainda mais acordado.

Como um gato, seus olhos se acostumam rapidamente  escurido. 
"Estou acordado" ele fala.

Ele acha que sabe o verdadeiro motivo da visita dela a esta 
hora. Scully est inquieta e insegura, como ele. O assassinato. 
O menino. Todos os fatos desconhecidos que os iludem. E, 
no caso dela, um fator subjacente - Emily...

Ela olha para ele durante um longo minuto. "No estou 
surpresa" ela murmura. Ele podia ver o comeo de um sorriso 
pequeno pelo tom dela. "Eu vi que a televiso est desligada. 
Acho que o controle deve estar a mesmo debaixo do seu 
travesseiro."

"Uh-uh." o dedo dele empurra o objeto preto de plstico 
mais para fora, e ele escuta ela suspirando.

" engraado... quando voc saiu, eu tive tempo livre e 
de fato pensei em ir  missa. Se eu soubesse o que estava 
a ponto de acontecer hoje, eu acenderia uma vela." ela se 
junta mais na poltrona. "Voc acha que isso  perda de tempo. 
Eu sei disso."

"No se  importante pra voc" ele pausa, golpeado pela 
realizao de que tudo que  importante para Scully,  
igualmente precioso pra ele. "Voc vai ficar a sentada 
a noite toda?"

"Provavelmente no... meus ps esto comeando a congelar."

"Aqui est quentinho o suficiente para ns dois. Prometo 
ser bonzinho." ele ergue a ponta das cobertas com um adorno, 
exibindo a camisa e short. "Roupa ntima, viu s?"

Ela aprova, e d um riso, indo para a cama. "Depois dessa 
demonstrao de auto-restrio, como eu posso recusar?"

Tirando o roupo de banho, ela desliza para o lado dele, 
e Mulder se abraa ao redor dela. "Voc no pode. E seus 
ps seriam pedras de gelo pela manh. Caramba, Scully..." 
ele pega um p pequeno entre as canelas quentes dele, e 
respira, exagerado. O corpo dela treme com o que ele espera 
ser um outro pequeno riso.

S com a parte de cima do pijama. Sem cala, a no ser a 
calcinha, ele descobre. Ele leva a palma da mo, agarrando 
uma ndega firme e aperta. Seus dedos se mexem, provocantes, 
testando a sedosa descida do tecido at o sexo dela, escovando 
um pouco os cachos que espiam pelos lados. Ela empurra os 
quadris, sentindo ccegas.

"Essa  sua idia de auto-restrio, Mulder?"

"S conferindo a posio da terra."

"Isso podia ser um hbito se formando" ela murmura, a 
respirao mexendo contra o cabelo escasso debaixo da 
garganta dele.

"O que poderia ser um hbito?"

"Dividir uma cama. Fazer sexo com freqncia."

Ele se lembra dos pensamentos dele no carro enquanto iam 
para Aubrey, quando ele meditou sobre o relacionamento sexual 
espordico deles. Querendo os seios e corpo dela, esperando 
por mais oportunidade, e mais freqncia. Bem, aqui est 
ela, de novo em seus braos, flexvel, e no completamente 
contrria  idia.

E ele se lembra de como Scully, normalmente, dorme fcil. 
Ele tambm lembra-se das palavras que disse pra ela na 
primeira noite deles no motel, quando ela repeliu os avanos 
esperanosos dele, preferindo a solido ao invs disso. "Me 
escute... eu quero compartilhar o fardo com voc... e no 
apenas uma vez por ano. Pense nisso. Por favor."

Lentamente ela exps mais da preocupao secreta dela, 
permitindo-o lhe dar o conforto que ela precisa. Deixando-o 
entrar para testemunhar a dor que ela sentiu na noite em que 
perdeu sua filha. Este  o motivo real dela estar vagando 
entre quartos escuros nesta noite.

Mulder sabe que h coisas mais importantes agora do que 
sua libido insistente. Auto-restrio deveria ser executada, 
agora, pelo bem de Scully.

Quanto mais perto ela se move, e conforma o prprio corpo 
dela no calor dele, mais ele sente a barreira caindo entre 
eles. Mulder est triste pela dor dela, ainda assim d boas 
vindas pela rara proximidade que  uma caracterstica anual 
dela nestas horas curtas de dor. Ele quer que ela saiba que 
ela est sendo emocionalmente honesta, e no fraca. Vai ser 
difcil, mas ele est disposto a levar esta idia adiante---

"Conta pra mim."

"Contar o que?" a voz dela zumbe contra o pescoo dele.

Sentindo-se na extremidade de um precipcio, que estava 
desmoronando, ele fecha os olhos, e sussurra. "Como voc 
gosta de se lembrar dela?"

Ela sabe de quem ele est falando. Scully respira rpido, 
e ento mais devagar, o corao dela batendo contra o trax 
de Mulder quando o silncio prossegue.

"Emily." Ele diz o nome com afirmao suave, confiante, 
como deveria ser dito. Com que freqncia durante os anos 
ele tem falado o nome 'Samantha' em voz alta, no importa 
quanta dor isso causou pra ele nestas ocasies? Ainda assim, 
ele no est infestado, como est sua parceira, por uma 
certa estao ou perodo de tempo durante o qual a mera 
meno ou qualquer simples lembrana  o suficiente para 
causar preocupao e distncia. Ele podia jurar que este 
caso em Aubrey intensificou o efeito nela.

"Scully, me escute bem. Que ela existiu  um fato inegvel, 
e a lembrana dela  preciosa. Por favor, no negue isso... 
e nem a ela, por causa da aflio que voc sente agora."

Ela enrijece contra ele, o punho apertado contra a camisa 
dele, com muita fora, e ento ela relaxa um pouco, o 
suficiente para camuflar a reao que teve.

"Qual  a sua lembrana favorita dela? Um momento mais 
perfeito do que outro." ele coloca a mo sobre o rosto 
dela, fazendo uma massagem suave nas costas dela com a 
outra mo. "Conta pra mim..."

Os momentos se arrastam no quarto escuro, e ele conta as 
batidas do pulso de Scully, atravs do veludo do pescoo 
dela. Ela engole vrias vezes, e Mulder se xinga por ser 
um idiota intrometido. Ele no  nem um padre, e nem um 
terapeuta, mas o bem estar emocional dela sempre foi o 
assunto central desde que eles ficaram mais do que amigos. 
Ele espera no ter danificado de maneira irreparvel a 
porta que ela abriu um pouquinho, hesitante, e que abria 
um pouco mais a cada ano...

"Oh, Deus, Mulder..."

As palavras no so mais do que um sussurro de ar debaixo 
do queixo dele. Os lbios dele encontram a testa dela, 
encorajando. "Fala comigo..."

"A casa das crianas... em San Diego. Ns---" ela engole 
de novo.

"Continue..."

"Ns passamos algum tempo juntas. E falamos, s um pouquinho. 
Ela era to doce, to quietinha e sria."

"Eu me lembro disso" as surpreendentes semelhanas que ele 
viu entre Scully e a criana naquele dia voltaram  sua 
mente. O cabelo e a cor dos olhos, a eficcia metdica e o 
comportamento controlado, apesar do tamanho. Mesmo naquela 
idade, Emily era muito precisa em ficar dentro da linha. 
To igual  Scully dele.

"O livro de colorir dela era coisa sria, Mulder."

Um eco dos prprios pensamentos dele. Ele ri e a beija na 
testa de novo, deixando o nariz descansar contra o cabelo 
perfumado dela - cheiro de limo. "Eu entrei e fiz o melhor 
que pude - inclusive minha atuao como o Sr. Cabea de 
Batata." ele lamenta. "E ela olhou pra mim como se eu 
tivesse saltado direto de uma nave vindo de Marte. Voc 
sabe como isso pode humilhar o ego de um cara?"

Ele no podia dizer se o som que ela faz  um riso ou um 
soluo. Outro momento de silncio, e ento ela sussurra. 
"Ela gostou de voc. Ela me disse isso depois, no hospital."

" mesmo?" inexplicavelmente, o corao dele plana e ele 
pisca contra a umidade surpreendente em seus olhos. Se a 
adoo de Emily tivesse sido aprovada, se ela tivesse 
sobrevivido mais do que seus trs curtos anos, ele seria 
a coisa mais prxima de Pai que Scully poderia dar pra ela. 
E ele estaria mais do que disposto, sem dvida, apesar do 
assunto nunca ter sido discutido.

"Sim,  mesmo."

"Obrigado por me falar isso" ele fala, genuinamente tocado. 
Mexendo o peso dela nos braos, ele se afasta um pouco, 
para poder olh-la nos olhos. Pelas sombras ele acha que 
v um brilho na luz, perto do rosto dele. Lgrimas. O 
polegar dele tenta ler o rosto dela. "Ei... voc est bem?"

Ela acena com a cabea contra a mo dele. 

"Conta pra mim o que eu posso fazer."

"Voc pode me dar um leno, por favor." ela fala num sussurro 
aguado.

"No me importo se voc me molhar." 

"Mulder,  para o meu nariz."

Alcanando cegamente, ele pega um monte de kleenex do criado 
mudo. Depois de us-lo, ela coloca tudo em algum lugar 
debaixo da manta, e suspira.

"Obrigada" a respirao mida dela bate no queixo dele, 
subindo. "Eu te amo" ela murmura, e Mulder sente os lbios 
dela no canto de sua boca, buscando entrada, suave.

"Acredite em mim: o sentimento  mtuo."

Com um gemido sincero, ele sucumbe ao suave empurro da 
lngua dela entre os lbios dele. Doce e salgado, com a 
indulgncia familiar e diria, isso  suficiente para o 
momento. O beijo deles  terno, conforto mtuo, desfalecido, 
carinhoso. Mulder a abraa de novo, segurando o corpo 
pequeno muito perto, enquanto eles respiram como um s.

* * * * * * * * * * * *
Fim do Captulo 9
SEEDS 10
BY MOUNTAINPHILE

* * * * * * * * * * * *
Captulo 10
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Residncia de DiAngelo
6 de novembro de 2000
11:18 da manh

Ele pisca no vento e agradece a sua estrela da sorte que a 
neve ainda no desceu em Aubrey ainda neste ms de novembro. 
Os moradores acham que isso  incomum, mas Mulder est 
inclinado a achar que isso  mais fortuito do que estranho. 
Neves escondiam as evidncias e armas dos assassinatos, os 
iludindo.

Mas a neve tambm exibia pegadas e rastros de entrada, e 
fuga.

Ele est soprando nuvens frias no ar, cutucando no jardim 
dos fundos da casa de DiAngelo, jardim pouco cuidado, na 
luz nublada e cinza da manh de Segunda-feira. Parecia que 
todo esforo e ateno pelo visual era limitada para a 
parte da frente da casa. Aqui, nos fundos, ele pisa sobre 
pedras, ervas daninhas congeladas, e reas de jardins 
velhos. Um balano mexe e range suas correntes enferrujadas, 
picado pela brisa.

Ele agacha e abre a porta de correr da cozinha, j suja com 
p de digitais, ento olha para onde uma criana poderia ter 
ido no escuro. No havia rota daqui para a rua da casa de 
Tillman. Uma cerca alta, garantindo a privacidade da casa 
impressionante que est ao lado,  direita.

Darnell e alguns da equipe dele esto trabalhando l dentro, 
fotografando, procurando e marcando as evidncias, fazendo 
uma varredura mais completa. Mulder, enquanto isso, tenta 
se desprender do grupo. Com sua parceira tomando conta do 
Corola deles para a autopsia da manh, no hospital, ele foi 
forado a pegar uma carona com um parceiro, mas sem imaginao, 
detetive da polcia. Um bom homem, Mulder decide, mas isso 
d um novo significado  expresso "Morto em p". A pacincia 
que Scully mostrou aqui ontem  noite ainda o espanta.

*Ela* o deixa pasmo. Depois de dormirem pouco aps o 
tte--tte emocional que tiveram nas primeiras horas da 
manh, ela estava pronta para trabalhar pela manh. Metdica, 
toda profissional para fazer sua autopsia, ela o deixou 
vadiando na cama dela, para deix-lo observ-la se vestindo. 
Curvas deleitveis, e graciosos movimentos de pernas, braos 
e torso. Escovando o cabelo, e passando maquiagem. O beijo 
dela foi suave e preciso, com muito cuidado para no arruinar 
seu batom. Impecvel Scully.

Ele se lembra do telefonema que veio do hospital-priso 
feminino depois que ela saiu. O mdico dela, Reinholdt, 
informou que ela teve vrias vises perturbadoras sobre 
mortes. Mulder confirmou que os sonhos estavam arraigados 
 verdade e explicou sobre o assassinato de ontem  noite. 
Ele tambm conseguiu a permisso de Reinholdt para falar 
com B.J. pelo telefone, caso houvesse necessidade durante 
a investigao.

"Voc tem idia do que diabos est acontecendo aqui?"

Erguendo a cabea, ele v uma cabea sobre a cerca que 
divide os terrenos. Uma mulher loira, cabelos cheios, 
embrulhada numa parka cor de canela. Miopia e vento frio 
toldaram os olhos de Mulder para olhar para as feies 
dela, ento, ele fica de p, sorri, e chega mais perto.

O casaco  de camura, e da moda. Porm, a mulher parece 
predatria, apesar do sorriso sedutor e malicioso em seu 
rosto. Tudo bem, est frio e venta muito, mas ele pode 
reconhecer sinais mais quentes quando v um. Ela eleva 
uma mo, e fuma um cigarro.

"Ainda no sei" ele fala. "Mas voc parece ser uma pessoa 
que possa ter algo para compartilhar."

Sorrindo, ela sopra a fumaa. "Eu tenho informao l 
dentro. Posso te dar, se voc quiser, agente..."

"Mulder." No seria inteligente divulgar seu primeiro 
nome to sem igual dadas as circunstncias, ele decide.

"Yeah. Agente Mulder... eu sou uma mulher muito cooperativa 
quando a pessoa certa aparece, pedindo informao."

"Fico contente em ouvir isso."

Ele quer rir, vendo a transparncia da bvia armadilha 
que ela estava armando. Scully acertou na mosca sobre 
esta mulher. "Dentes e garras, Mulder, e eu no estou 
brincando. Tome conta da sua genitlia" ela o advertiu, 
com a sobrancelha erguida, enquanto eles jantavam ontem 
 noite.

"Bem, ento venha at aqui para podermos falar" ele fala, 
e a mulher j estava acendendo outro cigarro.

"No posso acreditar que voc quer que eu entre neste 
jardim!" ela olha pra ele como se tivesse brotado mais 
uma cabea em Mulder. "O que eu quero dizer  - ora, me 
d um tempo! S agora eu consegui ter coragem para sair 
aqui fora!" os olhos dela jogam de um lado para o outro, 
como se o assassino ainda estivesse por perto.

"Ento, voc ficaria mais confortvel na privacidade da 
sua prpria casa?  isso que estou ouvindo?"

O comportamento e voz dela mudaram como num passe de 
mgica. "Voc ouve muito bem" ela ronrona.

"E sobre voc? Voc ouviu alguma coisa ontem  noite? 
Viu alguma coisa suspeita?"

Ela parece ficar irritada  sbita divergncia dele. "Uh, 
no... mas eu tenho outras informaes importantes. 
Acredite em mim." ela empurra a cabea pra trs, pra casa 
dela, nunca deixando de olhar pra ele. "E no tem nenhuma 
distrao l dentro, pois todo mundo est no trabalho ou 
na escola."

"Voc faz isso ficar to fcil" ele sorri. "Por que voc 
no entra, para onde est quente, e prepara seus pensamentos, 
um..."

"Natalie. Natalie Warner." ela fala, mostrando os dentes 
que Scully tinha avisado a ele. Lanando um ar abafador, 
ela olha por cima do ombro, e desaparece. Ele ouve uma 
porta deslizar e ento fechar.

Droga, isso  pior do que parecia. Ele podia estourar uma 
veia antes disso acabar---

Darnell - o sacrifcio perfeito - abre a porta dos fundos 
com a mo dentro da luva, procurando por ele. Depois de 
ouvir sobre o progresso que ele fez, Mulder diz pra ele 
que tem que encontrar Scully, e sugere que o detetive v 
at a vizinha para pegar a declarao que ela parecia 
ansiosa para dar, sobre o caso.


"Voc nunca sabe o que poderia ser revelado", ele soma, 
desfrutando o duplo sentido, e Darnell acena com a cabea. 
Ele d um tapa sobre o bolso, como se procurando o bloco 
de notas, enquanto vai na direo do fim da cerca.

Vendo ele indo, Mulder no sente nenhuma culpa. Algum tem 
que checar isso, e pode muito bem ser Darnell. Depois da 
considerao especial de Scully para o melindre do homem 
ontem  noite, ele tem a opinio de que Darnell deve muito 
a eles dois. Talvez ele pegue alguma informao valiosa 
durante a inesperada visita antes de ser jogado pra fora.

Mas ento, quem sabe - Darnell poderia ter sorte pelo menos 
uma vez.

Ele aperta o nmero de Scully no celular e comea a andar 
para a frente da casa. "Bom dia. Como est indo a autopsia?"

"Tudo bem. Rotina. A propsito, encontrei Linda Thibodeaux 
no hospital. Viola est sendo liberada hoje, e planeja ficar 
com ela em Edmond at se recuperar."

"Ela pode falar conosco?"

"Sim, ns fomos convidados para irmos l esta tarde. Ela 
parecia querer colaborar, mas permaneceu reservada."

At agora a parte da frente oferece um abrigo e ele entra 
na rea da varanda. "Ei... eu, uh, poderia precisar de uma 
carona. Onde voc est?"

"Eu estou---" ela demora do outro lado, o suficiente para 
irritar o radar dele. "Estou rua abaixo, entrando no carro."

"Voc est na casa de Tillman? Por que?"

"Para lhe mostrar algumas fotos... e mant-lo informado 
sobre como vai o caso."

Ele carranqueia, piscando ao vento. "Este trabalho  de 
Darnell."

"At onde sei, ele estava ocupado com voc, Mulder."

Algo sobre a conversa deles o perturba, mas ele no consegue 
entender o que . O vento vem com fora, e ele se curva 
para escapar do mpeto da rajada. Debaixo dos arbustos 
atrs dele, algo pega seu olho.

"Mulder?"

Ele est abaixado, manuseando os escombros congelados. Ele 
procura uma pedra, do tamanho de uma laranja mdia. Nada 
de mais at ali, exceto que esta pedra est escura, com o 
que parece ser sangue seco, e alguns fios de cabelo. Ele 
cava no bolso um saco de evidncia, e olha rua abaixo sua 
parceira se aproximando.

"Melhor vir logo pra c, Scully. Se eu no estiver enganado, 
acabei de encontrar uma das armas usadas no assassinato de 
Gwen DiAngelo."

* * * * * * * * * * * *

Residncia de Tillman
6 de novembro de 2000
11:38 da manh

Scully tem a fraca sensao de que ela est andando sobre 
gelo fino. Isso e o julgamento dela lhe diz que seus atos 
esta manh podem lev-la a um lugar onde o gelo embaixo 
dela vai rachar, apesar de suas boas intenes.

Ela se acostuma a ver isto em Mulder, quando ele est 
salivando atrs de uma cenoura do paranormal, perseguindo 
como um coelho o primeiro rastro que lhe indique alguma 
nova descoberta. Mas no de maneira racional - Dana Scully, 
cientista, nota. Ela errou mais cedo, quando cruzou a 
linha que estabelecia distncia entre profissionalismo 
e quebra de protocolo.

O corao dela faz com que Scully se meta em confuso. 
Agora mesmo ela est sensvel e empatizando com a aflio 
passada e presente deste caso em Aubrey. A viso que teve 
de Emily ontem  noite na casa de Tillman ainda treme sua 
confiana. Graas a Deus pelo inequvoco apoio e amor de 
Mulder, sua perspiccia sobre a psique dela, que tem 
evoludo durante anos de associao ntima, e confiana.

Ela pensa nas horas anteriores, o terno interldio passado 
com ele em sua cama. Eles falaram sobre coisas difceis - 
na verdade, ele forou isso com pacincia, sabedoria, e 
preocupao. Ele, mais do que qualquer um, poderia entender 
sua dor mais profunda, e pessoal.

Ela no planejava parar na casa de Brian Tillman depois da 
autopsia da manh, no mais do que seu encontro com Linda 
Thibodeaux no corredor do hospital. Algumas coisas acontecem 
naturalmente, como se pr-determinado, pr-destinado. Elas 
evoluem e acontecem, como a viagem caprichosa dela para a 
loja local de variedade da cidade, logo depois de sair do 
hospital.

Tillman responde a batida dela, os olhos cheios de alvio, 
mais do que surpresa, quando ele lhe d boas vindas na 
entrada da casa.

"Nem mesmo um dia e j me sinto como se estivesse preso 
na minha casa, com as mos amarradas nas costas" ele faz 
uma pssima piada, oferecendo-se para pegar o casaco e a 
bolsa dela. Scully no permite isso, e sorri para a porta 
da cozinha, onde estava Benjie, mastigando, os olhos 
arregalados.

"Oi, querido" ela fala suavemente, e o menino esconde a 
boca atrs de um brao.

"Almoo adiantado" Tillman fala, explicando a falta de 
educao do filho, "Ou um caf da manh atrasado. Ele 
parece que no liga ao ver o pai dele no  o Sr. Mame."

"Do que me lembro do filme, Sr. Mame no era convencional 
nem inovador, mas ainda assim perito em resolver as coisas." 
Ela pra, consciente de que tinha acabado de descrever 
vagamente o seu parceiro. "E tenho certeza que voc vai 
dar seu jeito, Tenente. Como est a perna?"

Olhando para baixo, ele d de ombros. "Nada srio. S um 
arranho."

"Voc conseguiu falar com sua esposa?"

Ele treme a cabea, e Scully se lembra de Benjie. "Liguei 
vrias vezes, mas ningum atende na casa da irm dela." 
olhando pra ela, ele parece ficar pensativo de repente. 
"Ento, o que voc est fazendo aqui, agente Scully?"

O menino, ela nota, fica parado, imvel, na entrada, 
olhando atentamente, e escutando cada palavra.

"Eu tenho algumas perguntas que gostaria de lhe fazer 
sobre caso", ela diz, abaixando a voz, "E tenho algumas 
fotos comigo.  melhor que Benjie no escute."

Tillman bate as mos numa sbita exibio de entusiasmo 
enquanto vai na direo da cozinha, levando o filho. 
Scully respira lentamente e senta no sof. Ela ouve o 
barulho de pratos, copos, e cadeiras contra o cho, e o 
comando quieto do pai para que o filho fique e termine 
o lanche. Tal exposio privada para as rotinas domsticas 
desta casa faz ela se sentir intrusa, nervosa.

"Caf?" ele volta para a sala, lambendo algo na ponta do 
dedo dele, enquanto senta ao lado dela.

"No, obrigada."

"Geleia" ele explica, colocando as mos sobre os joelhos. 
O comentrio faz ela se lembrar da reunio deles no 
Conestoga Grill, quando Tillman ofereceu a mo um pouco 
depois, mas ela no queria beber a cerveja que foi batida 
na mesa diante dela.

Ao invs de responder, ela abre um envelope grande, dando-lhe 
vrias fotos enquanto ela procede e explica em voz suave. 
"Achei que voc gostaria de ser mantido atualizado no que 
foi encontrado ontem  noite. A autopsia desta manh s 
confirmou o que suspeitvamos: o mesmo MO de 94. A palavra 
esculpida no trax, mas mais fraca desta vez. Sem dano ao 
osso, exceto pela fratura no crnio na parte de trs, que 
exps uma grande poro do crebro e provavelmente causou 
a morte antes que a mutilao comeasse."

Ela olha para Tillman, e v que ele est com o queixo tenso, 
os lbios puxados, que acentua as cerdas curtas de seu bigode. 
Ele olha para as fotos, antes de devolv-las.

"No houve estupro, ento  semelhante ao caso que envolveu 
BJ" ela continua, pegando as fotos. "Mas nos lembramos de 
mais uma coisa. Se voc se lembrar, em 94 a palavra irm 
foi escrita na parede com o sangue da vtima em todos os 
casos, exceto em Cokely. H uma sugesto disso na casa de 
DiAngelo, mas estava to mal indistinto que no comeo foi 
negligenciado como simples sangue borrifado."

"Voc tem uma foto?"

"No, no comigo. Mas eu vou pedir ao detetive Darnell para 
conseguir uma pra voc, caso voc queira examinar isso em 
casa... e nos dizer o que voc acha."

Ele acena com a cabea, demorando o olhar sobre o rosto 
dela. "Aprecio muito voc querer me manter atualizado 
sobre o caso, agente Scully."

"Tenho mais algumas perguntas pessoais para fazer, tenente. 
Espero que voc no se importe com isso."


Ele abre as mos, palmas pra cima, e d um aceno com a 
cabea. "Pode perguntar."

"Voc falou com a Sra. Linda Thibodeaux desde 1994, 
profissionalmente ou de qualquer outra maneira?"

A pergunta, colocada to inesperadamente, instabiliza 
Tillman 

o suficiente, e ele se endireita, aborrecido. 
"No vejo a pertinncia disso. Onde voc est querendo 
chegar com isso?"

"A lugar algum, exceto sublinhar o fato de que Linda Thibodeaux 
tem uma conexo sem igual a seu filho... sendo a bisav 
dele por causa da conexo com BJ e sua possvel significao 
para este caso, eu acho que  uma pergunta razovel de se 
fazer." 

Ele fica de p, apertando as mos, enquanto contempla a 
porta da cozinha.

"No. Eu no quis mais nenhum contato. Em parte por causa 
de Janine, e pela fofoca que resultaria, e em parte porque 
isso traria muitas recordaes desagradveis. E ela no 
tentou fazer contato, e eu notei isso tambm" ele olha pra 
Scully, que sente que a entrevista est terminada, e sua 
presena no  mais bem vinda.

"Eu entendo", ela diz brevemente, colocando os papis dentro 
da pasta.

"Me escute bem - no estou com raiva de voc - ou do agente 
Mulder, por fazer o seu trabalho. No  nada pessoal" ele 
insiste. "Este caso todo foi um pesadelo vindo  tona de 
novo. ... desesperador."

Scully acena com a cabea em condolncia e abotoa o casaco 
dela. "Eu posso me despedir de Benjie, Tenente? Eu.." ela 
hesita, sentindo-se desajeitada e tola, agora que o momento 
chegou. "Tenho algo que gostaria de dar pra ele."

Perplexo, Tillman gesticula para ela segui-lo at a cozinha. 
O menino est sentado  mesa, comendo lentamente o sanduche 
de geleia e pasta de amendoim, como qualquer criana. Ele 
coloca o sanduche no prato, a geleia de uva pintando o 
canto da boca dele de roxo, e olha fixo enquanto Scully 
se aproxima dele.

Envergonhada pela solenidade exagerada do momento, ela 
pigarreia e puxa um pacote da pasta dela, colocando na 
mesa diante do menino. "Isso aqui  pra voc, Benjie. 
Assim voc vai ter alguma coisa para se divertir, ok?" 

O menino est mudo, olhos enormes vendo o brilho da caixa 
embrulhada em papel celofane, cheia de Legos, e olha para 
Scully, e de novo para a caixa. Tillman olha pra ela, o 
rosto dele mostrando maravilha, e depois, gratido.

Eu no deveria estar fazendo isso, ela se ralha, tocando 
a cabea do menino e virando para a porta da frente. A 
reao terna e de satisfao de Tillman tambm a incomoda. 
Pssima atitude, Dana, sentir-se envolvida pessoalmente e 
dar um presente simples e bem escolhido para o menino. Ela 
no sabe o que Mulder vai pensar dela ao ver a linha que 
ela pisou e passou. Esperanosamente, ele entenderia e 
deixaria isso pra l.

Ela jura que pode ouvir o gelo rachando debaixo dela... 
malditas boas intenes.

Na porta, ela sente a mo de Tillman no brao, parando sua 
rpida fuga. "Isso foi... muito gentil da sua parte. No 
sei o que dizer---"

"Ento, no diga nada, por favor. Eu notei que ele era 
muito preso ao brinquedo, e quanto ele ficou triste por 
ter perdido isso." ela fica tensa enquanto coloca distncia 
emocional entre ela e Tillman. Ele solta o brao dela, e 
ela se vira para ir embora---

Mas um puxo na manga do casaco dela a faz parar. Olhando 
pra baixo, ela v os olhos cheios de alma de Benjie Tillman, 
brilhando com lgrimas. Ele esfrega uma mo sobre um olho, 
e diz, com os lbios trmulos. "Obrigado" a voz spera e 
sussurrada, sincera, puxando de leve de novo.

Uma criana difamada ou um menino assassino? Inocente ou 
culpado? Scully quase corre para poder sair dali, antes 
que as prprias lgrimas comecem a aparecer, querendo sair.

'Obrigado, Deus', ela reza quando o celular dela toca dentro 
do carro e ela pode concentrar toda sua ateno nisso...

* * * * * * * * * * * *

Residncia de Thibodeaux, Edmond
6 de novembro de 2000
1:20 da tarde

Mulder est um pouco mais do que desapontado. Por algum 
motivo, Scully no mostra o mesmo nvel de humor para o 
bonito duplo sentido que ele fez em Darnell esta manh. 
O fraco sorriso dela morre muito cedo, e ela exagera com 
a papelada, ou olha fixo pela janela do carro, durante a 
viagem para Edmond.

"Pensei que a autopsia tivesse sido de rotina" ele zomba, 
pescando o motivo, e mutilando sementes de girassol entre 
os dentes. Dirigindo apressado pelo vento, ele est 
consciente da preocupao dela.

"E foi."

Ele decide no insistir, no se ela est usando o estado 
monossilbico. Algo balanou o barco dela, mas h muitas 
variveis para ele poder fatorar, e ele quer os dois 
focalizados quando falarem com Thibodeaux. Ento, enquanto 
ele aperta o acelerador, racha semente, e pondera na 
complexidade do caso, Scully fica sentada ao lado dele, 
imersa em seu prprio e secreto silncio.

Desta vez, a besta est acorrentada ao lado da casa, latindo 
desesperadamente. Mulder fica tenso enquanto ele e Scully 
atravessam o porto, para onde sua anfitri os espera.

"Este  o Chefe" Linda Thibodeaux fala, depois de cumpriment-los, 
"E o latido dele  bem pior que a mordida. Ele  um dos 
meus poucos protetores. Mas ele no machucaria uma alma 
enquanto eu estiver aqui."

Ele sorri pra ela, sabendo as tendncias de alfa. "Obrigado, 
mas eu ainda prefiro no testar a sua teoria."

A mulher no mudou em seis anos - seus cabelos curtos, brancos, 
e olhos azuis, junto com a expresso determinada, fazem com 
que a cicatriz denteada fique mais trgica ainda contra sua 
bochecha. O legado de Harry Cokely. Mulder lembra de ver uma 
foto antes do incidente, mostrando uma jovem mulher dos anos 
40. Ele olha pra ela agora, tentando ver alguma semelhana 
nas caractersticas de BJ."

Ela os leva pela casa limpa, passando pela cozinha. Flores 
azuis e papis de parede decoram a casa. O nariz dele treme 
ao sentir as fragrncias de tempero caseiro, frutas, e caf 
fresco sendo preparado. "Eu coloquei Viola no quarto de baixo. 
Ela est dormindo.  o meu quarto, na verdade, com banheiro 
perto. Degraus seriam muito difceis para ela usar."

"Como vocs duas se tornaram amigas?"

A mulher demora para responder, colocando as xcaras em 
pires. "Eu acho que misria adora companhia, agente Mulder. 
O pai de Viola passou aqui na mesma poca que vocs. Depois 
do ataque da detetive Morrow em mim, eu estava muito nervosa, 
e mal podia comer ou dormir, de puro medo. Minha vizinha, 
Ro -  um apelido -" ela explica, colocando o caf nas 
xcaras. "Conhecia Viola e nos apresentou. Bem, encurtando 
a histria, ns combinamos como irms e ela ficou comigo 
na pior poca. Agora  a minha vez."

"Eu tenho certeza que voc nunca pensou que o mesmo crime 
pudesse acontecer, com Harry Cokely morto h tantos anos." 
ele soma.

"Oh, Deus, no! Como algo to terrvel pode acontecer de 
novo, especialmente para ns, que moramos sozinhas, ou onde 
 menos povoado? Eu temo pela minha vida agora que este 
demnio est acordado." ela afunda na mesa, agarrando a 
xcara entre as mos enrugadas, que tremem.

Scully pega a mo da mulher, e tenta acalm-la. Mulder 
percebe que elas compartilham um lao. Ele se lembra que 
Linda foi deixada aos cuidados de Scully durante o caso 
em 94, enquanto ele procurava BJ. Sua parceira a levou 
para a polcia, em Aubrey, para informar o ataque, acabando 
com os argumentos de Tillman na poca.

"Quem so estas outras mulheres?" Scully questiona com 
bondade.

"Oh, Viola, claro. Ro e Alice Marshall do hospital. At 
mesmo algumas das enfermeiras de l."

"Voc conhecia Gwen DiAngelo?"

"Como uma das voluntrias que ajudavam Viola. Que modo 
horrvel e injusto para uma pessoa ir embora..."

"Voc conhece algum chamada Natalie Warner?"

Ambas as mulheres olham para Mulder, e Linda treme a cabea, 
em desgosto. "Uma das maiores bocas que existem em Aubrey." 
Ela diz, com veneno na voz. "Tem um marido tolo, e uma 
criana pirralha. Sabe de tudo e de qualquer coisa, 
especialmente se  prejudicial a algum. A mulher  uma 
gata do inferno, pura e simplesmente."

"Justas palavras" comenta Scully, olhando para Mulder.

Ele no fala nada, pois isso era para uma discusso mais 
privada com Scully, e tenta explicar a razo da sua pergunta 
para Linda Thibodeaux. "Estou tentando estabelecer uma linha 
comum ou conexo casual entre as pessoas que encontramos 
durante este caso. Algumas destas conexes so bvias, como 
sua ligao para BJ e para o filho dela, Benjie. Outras 
conexes no so to claras assim."

Os olhos de Linda brilham e ela pisca ao ouvir o nome da 
criana, ento ele insiste nisso. "Quero que voc saiba que 
eu visitei BJ Morrow ontem, no hospital-priso. Ela est 
preocupada sobre o filho dela, levando em conta os novos 
ataques por aqui."

"Ela  uma me", Linda sussurra. "Claro que ela sentiria 
algo assim.  instinto. E at que eu menospreze o que 
aquele homem diablico fez h tanto tempo por mim, eu 
sinto um verdadeiro pesar de nunca ter tido a alegria 
de poder criar meu prprio filho, ou de apreciar minha 
neta. Ento eu sinto um sentimento de proteo muito 
especial por aquele menino."

Mulder no quer arriscar e olhar para Scully, e ver o 
efeito que estas palavras esto fazendo nela. Depois, 
ele pensa... depois, quando ambos tiverem tempo... ele 
vai verificar isso.

Ento, ele  pego de surpresa quando ela faz a prxima 
pergunta para Linda. "Ns podemos conjecturar, com certeza, 
porque voc  a bisav de Benjie Tillman, e est preocupada 
com o bem estar dele, que voc pediu a ajuda de Viola para 
cuidar dele - a usando como seus olhos no nibus escolar de 
Aubrey?"

" verdade", ela diz, tocando de leve no guardanapo. "Ns 
duas sofremos muito ao ver como ele  tratado pelas outras 
crianas. E os outros sinais, como a pele dele, e seu 
rostinho triste... Durante anos ns procuramos saber o 
motivo. No conheo a Sra. Tillman como pessoa... mas acho 
que uma mulher poderia cuidar melhor de uma criana do 
que ela. Perdoe por ser crtica demais sobre isso." 

"Voc j falou com o Tenente Tillman sobre as suas preocupaes?"

Linda treme a cabea vigorosamente. "No, nunca. Ele parece 
um homem muito orgulhoso, privado. Acho que ele no aceitaria 
bem a intruso, principalmente vindo de mim. Eu acho que ela 
no gostaria, e eu tenho medo pelo menino. Voc nunca sabe 
como as pessoas podem reagir."

"Isso  verdade", Mulder fala, trazendo a cadeira dele para 
mais perto da mesa. "Mas, deixe-me divergir um pouco e fazer 
uma pergunta sem conexo: foi voc que ateou fogo na casa 
de Harry Cokely, em Gainesville?"

Ele est atento da expresso assustada de Scully sem olhar 
para ela, mas Linda Thibodeaux no pisca um olho enquanto 
olha pra ele. Apesar dos anos de sofrimento, medo e trauma, 
ela exibe uma fora de vontade e um senso de vingana que 
ele acha admirvel. A mulher tem coragem - e ele est 
convencido de que ela deve ter passado estas caractersticas 
de sobrevivente para BJ... e agora para Benjie.

"Sim, fui eu." a voz  silenciosa pelos olhos dela, agora 
desocupados. "Eu fiz isso logo aps que ele morreu, e nunca 
disse nada para ningum."

"Por que?"

Ela treme a cabea. "Por que eu fiz isto? Agente Mulder, 
depois de todo o sofrimento e preocupao que aquele homem 
odioso me causou, eu senti prazer ao queimar o chiqueiro 
que ele chamava de casa. Eu queria destruir toda evidncia 
da existncia dele nesta terra."

Scully chega mais perto da mulher atormentada, apertando-lhe 
a mo mais uma vez, olhando pra ele. Elas se contemplam, 
uma  outra, na cozinha quieta, a mais velha e a mais jovem 
- duas mulheres que tiveram suas crianas roubadas, 
compartilhando dor e experincia semelhantes, que Linda 
Thibodeaux no poderia nem mesmo imaginar.

" possvel obliterar algo inanimado, como uma casa" 
Scully fala, a voz baixa e medida. "Mas Benjie Tillman, 
como uma criana de carne e sangue, tambm  uma evidncia 
viva da existncia de Cokely---"

"Ora, agente Scully, por favor! Eu sei a diferena! Essa 
pequena criana no pediu para entrar no mundo dessa 
maneira, tanto quanto meu---" ela hesita, engolindo em 
seco. "Que meu prprio e infeliz filho, que eu dei para 
a adoo. Mas que escolha eu tinha na poca - uma criana 
nascida de estupro? De um assassino como aquele?"

Mulder desliza atrs da mesa, no querendo se intrometer 
nesta troca intensa e pessoal, mas Linda Thibodeaux  
rpida para notar a inteno dele. Ela agarra a mo dele, 
ambos os parceiros agora segurados pelos vidos dedos dela. 
A boca dela se movimenta algumas vezes, silenciosa, olhos 
cheios de lgrimas de desespero antes que ela pudesse falar 
num sussurro pesado.

"Eu tenho tanto medo... por mim e por Viola. O mal que vem 
deste homem tem que ser cortado antes que outra pessoa fique 
machucada ou morra. Prometam pra mim que vocs faro de tudo 
ou qualquer coisa para poder parar isso. Por favor..."
 
* * * * * * * * * * * *

Fim do Captulo 10
